quarta-feira, 20 de abril de 2011

II Congresso Internacional de Teologia no Mackenzie - Esboço 2




Calvino e a Ação Socio-politica


Palestra dada pelo Dr. Augustus Nicodemus




Retomando a proposta de postar o esboço de algumas palestras do congresso de teologia do Mackenzie, segue a preleção do Rev. Nicodemus.





  • O pensamento de Calvino no âmbito social não pode ser separado nem de sua teologia, nem de seu contexto histórico.




  • Genebra: contexto político antes de 1536 - modelo hierárquico.



  1. Bispo (príncipe da cidade)


  2. Magistrado.


  3. Conselho.



  • Depois que adotou a Reforma Protestante houve uma inversão: o Conselho assume o lugar do bispo, e a Igreja (representada anteriormente pelo bispo) desce para o escalão do conselho.


  • Isso deixa claro que antes de Calvino chegar ali, mudanças sociais já vinham acontecendo (Guilherme Farrel e o Conselho).


  • Mas o que Calvino pensava com respeito a atuação social do cristãos?



  1. As causas das mazelas sociais decorrem do pecado.



  • Pecados sociais daquela época: a) estocagem de alimentos; b) monopólio; c) especulação; d) juros excessivos.


  • Os males sociais eram produzidos por corações corruptos.

2. O conceito de Senhorio de Cristo sobre a vida e a criação.



  • A obra da redenção atinge também o cosmos e a sociedade.

3. A Igreja deve, portanto, servir de modelo de restauração, ainda que parcialmente.



  • Nesse sentido, a responsabilidade social da Igreja é:

A) Ministério didático. Instruir os cristãos com respeito a mordomia. Guardar o dia do Senhor. Repreender o agiota e o vagabundo.

B) Ministério político. Igreja e Estado são instituições que procedem de Deus. Esferas distintas, mas laceadas.



  • O Estado deve manter a ordem; sustentar a Igreja; zelar pela pregação fiel. É importante lembrar do contexto político de Genebra apresentado anteriormente, visto que o Conselho da cidade supervisionava a Igreja. Também o Estado deve zelar pela pregação fiel tornando-a livre.

  • A Igreja deve orar pelas autoridades; adverti-las quando se desviarem do temor de Deus (consciência do Estado); recorrer ao Estado para sanções contra atentados a ordem (Servetus).

C) Ministério Social. Os diáconos devem: a) administrar os bens destinados a comunidade; b) distribuir esses bens; c) cuidar dos doentes.




  • A ação da Igreja assim é marcada pela consciência do Reino, Justiça, Evangelho e Arrependimento.

sábado, 26 de março de 2011

Quando a morte é lucro.


Fomos acordados às cinco da manha, por uma ligação de uma amiga. Ela comunicava que a mãe de uns amigos falecera. Eu não consegui dormir desde então. Não consegui deixar de pensar em minha mãe. Lembrei-me de algo semelhante, quando estudava em Brasília. Ao voltar de uma programação da igreja, chegando à casa do Dr. Pickering onde morávamos, vi um colega chorando ao lado do telefone. Ele me disse: meu pai morreu. Isso soou em minha cabeça o fim de semana inteiro na exata senteça que ele pronunciou: meu pai morreu! Era como se meu pai tivesse morrido.


Quem pode dizer está pronto para a morte? A sua própria ou a de alguém próximo? Em São Paulo, há alguns anos, eu a presenciei. A mãe do meu cunhado infartou diante dos meus olhos. Nunca havia presenciado alguém morrer. Seu olhar era de alguém que estava sendo tomada a força. Ela nos olhava como quem pedia para ficar. Estávamos eu, seu outro filho e uma neta. Nada podíamos fazer.


A morte não é uma agente pessoal. Não se trata de um ser, uma entidade. Ela também não age deliberadamente, escolhedo suas "vítimas" como em um filme. Ela é simplesmente a paga dos nossos pecados (Romanos 6.23), uma sentença judicial sobre o pecado. E, pecadores como todos somos, receberemos esse salário no fim da vida. Na morte, diz o poema de Suassuna em o Auto da Compadecida, tudo se iguala:


Cumpriu sua sentença, encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.


Mas como falar da morte de outra maneira? Como não enxergá-la enquanto condenação? Dizer que a morte é lucro parece absurdo. Que ganho alguém pode ter na morte? As agências funerárias talvez. Mas em sua própria morte, o que alguém poderia lucrar? Nem quando se pensa em seguro de vida, pois ele existe em prol dos beneficiarios, e não do segurado.


Esse ganho do qual Paulo fala, que contrasta com o salário de todos, é na verdade toda sua expectativa e esperança sobre essa vida. Para o apóstolo a vida e a morte se resumia em seu ganho maior: Jesus Cristo. Ele sabia que em seu corpo Jesus era engradecido - ou em outras palavras - glorificado. Ele era prisioneiro de Cristo em Roma (Efésios 3.1; Filipenses 1.13), e se continuasse vivo, experimentaria mais e mais da graça de seu Senhor. Mas quando morto, iria para junto de Jesus, o que é incomparavelmente melhor (Filipenses 1.23). Se viver com Cristo é ganho, estar com Cristo é o ganho a mais. Esta certeza sobre a morte, só pode existir em uma vida com Cristo. Se Cristo não é o meu ganho aqui, não o pode ser lá. Se não considero todas as coisas para glória de Cristo, não poderei ser glorificado com Ele na morte.


Aos olhos do SENHOR, a morte dos seus santos é preciosa. Paulo devia ter em mente o Salmo 116.15 quando falou em lucro. Mas porque mesmo os que estão em Cristo ainda sentem tanto desconforto na morte? A morte física, não obstante ter sido mudada de salário para lucro (no caso dos santos), ainda é nossa inimiga, uma vez que Jesus não a subjulgou finalmente (1 Coríntios 15.26). Ainda somos pecadores, ainda somos humilhados em nosso corpo pela corruptibilidade. Nesse sentido, na morte bebemos o último gole amargo dos nossos feitos dessa vida. Podemos vislumbrar o que sentiu o Senhor em sua aflição no Getsemani. Ele, é claro, numa intensidade que nunca sequer imaginaremos, pois sendo santo, experimentou o peso de todos os nossos pecados. Na cruz Ele morreu a morte de todos os eleitos. Pagou a dívida eterna que constava contra nós.


É tão somente por causa dessa certeza na qual fomos salvos, que podemos olhar para morte como lucro. Somente porque Jesus venceu a morte, ressuscitando ao terceiro dia, é que podemos encará-la com tal expectativa. É por sabermos que nada mais consta contra nós que desejamos estar finalmente junto do Pai. Deus não tem prazer na morte do ímpio, mas em sua conversão (Ezequiel 33.11). Quanto a nós, não sei se podemos dizer que temos prazer na morte, mesmo na dos convertidos. Contudo, o que sei é que através dela estaremos finalmente próximos de Cristo, pois na sua morte fomos unidos eternamente ao Pai em amor.

sábado, 19 de março de 2011

II Congresso Internacional de Teologia no Mackenzie - Esboço 1


Nos dias 14, 15 e 16 desse mês participei na Universidade Presbiteriana Mackenzie do II Congresso Internacional de Religião, Teologia e Igreja, cujo preletor principal foi o Dr. Wayne Grudem. O tema foi "A atuação do cristão na esfera pública. As palestras do Dr. Grudem eram sinteses dos capítulos do seu livro Politics Acording to the Bible - obra ainda não publicada em português.
Esta e as próximas postagens deste blog são esboços que fiz a partir de duas palestras do Dr. Grudem e uma do Dr. Nicodemus.



  • 5 Visões Errôneas da relação entre Cristianismo e Política.

  • Apartir de Jó 12.23 Dr. Grudem afirma que a nação brasileira foi levantada por Deus. É Ele que conduz soberanamente a história das nações conforme o seu propósito. As nações devem engajar-se nesse propósito para a glória de Deus.


  • Em meio a esse engajamento, uma vez que Deus reina sobre todas as nações, como não deve ser a relação entre cristãos e o Estado (toma-se Estado aqui como sinônimo de Governo).


  1. O Estado não deve forçar uma religião sobre uma nação.


  • Com base em Mateus 22.21 fica claro que existem duas esferas distintas de autoriada - a religiosa e a do Estado. Jesus não diz exatamente o que se deveria dar a Deus e a César, mas fica claro que uma não deve sobrepor a outra.

  • Em Lucas 9.52-56 observa-se que o "método de evangelismo" proposto por Tiago e João não foi aceito por Jesus. Dr. Grudem brincou que sendo os samaritanos da vila exterminados, a próxima vila teria 100% de aceitação para a pessoa de Jesus. Mas o caso é que os discípulos não tinham o direito de tirar a vida dos samaritanos porque não receberam Jesus.

  • Dr. Grudem comenta que quando passa em frente a um templo busdista, ou a uma mesquista, sente ao mesmo tempo tristeza e alegria. Tristeza por saber que ali as pessoas estão sendo enganadas, distanciadas da Verdade. Mas alegria por saber que em seu país há liberdade religiosa.

2. O Governo não pode excluir a religião da esfera pública.



  • Muda-se de "liberdade de religião" (liberdade religiosa) para "liberdade da religião" (livre de religião).

  • Na prática, isso vem acontecendo sempre que algum tipo de manifestação religiosa (oração, dez mandamentos) é proibida em algum local público, ou algum tipo de cerimônia.

  • Também tem-se aplicado tais sanções religiosas no que diz respeito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quando contexta-se a legitimidade de tal união, cortes norte-americanas afirmam que a religião não pode interferir a decisão pessoal do cidadão. Dr. Grudem argumenta que religião diz respeito a escolha que as pessoas fazem quanto a igreja que frequentarão, e não no que diz respeito a união civil. Pode até existir razões religiosas por trás de muitas leis, mas isso não estabelece religião.

  • A liberdade de expressão naturalmente é tolhida nesse processo.

  • Como servos de Deus para o bem da sociedade (Rm 13.4), o Estado não pode ignorar absolutos morais, os quais são muitas vezes esboçados na religião.

  • Na Bíblia temos vários exemplos de servos de Deus que aconselharam governantes: José do Egito, Daniel, Isaías, João Batista, etc.

3. Todo Governo é demoníaco e mal.



  • Greg Boyed afirma com base em Lucas 4.6 que Satanás preside todas as nações. Quando ele as oferece a Jesus, este não lhe contradiz afirmando que elas não lhe perteciam. É preciso lembrar que Satanás é mentiroso, e a prova inconteste disso é a exata resposta de Cristo: Somente Deus deve ser adorado.

  • Ao contrário do que Satanás diz, a Bíblia afirma em vários momentos que o governo das nações pertence a Deus (Daniel 4.17; Romanos 13.1-6; 1 Pedro 2.13-14).

  • É falacioso dizer que Jesus nunca se pronuncio quanto a autoridade do Estado, uma vez que a Bíblia como um todo trata a esse respeito. É preciso lembrar que toda a Bíblia é carregada da autoridade de Jesus, e não somente os Evangelhos.

  • Dr. Grudem lança a questão: o pacifismo poderia ter parado Hitler?

  • Falta-lhe a percepção de que tanto o evangelho, quanto o governo, são estabelecidos por Deus para restringir o mal na sociedade.

  • Boyed em suma [minhas palavras] defende uma perspectiva hippie de sociedade, uma visão anarquista.

4. Evangelize, não faça política.



  • Eis a idéia de abstenção.

  • John MacArthur em Why Government Can't Save You afirma que o envolvimento em questões de ordem governamental não são vitais para nossas vidas espirituais, para o testemunho de justiça ou no avanço do Reino de Cristo.

  • Dr. Grudem disse que poderia escrever também algo como que Por que a Igreja não pode salvar sua casa de um incêndio.

  • Fomos chamados para boas obras.

  • Se oramos por bons governos, não deveríamos igualmente trabalhar por bons governos. Ensinar nas igrejas a esse respeito é uma boa obra.

  • MacArthur fala que um governo nada pode fazer em prol do avanço do evangelho. Dr.Grudem responde com uma simples observação nas duas Coreas. Basta pensar que se tratava de um mesmo país, um mesmo povo, uma mesma língua, mas com diferenças absurdas.

  • O evangelho integral inclui transformação da sociedade. Se o propósito da Igreja sobre terra é apenas evangelizar, onde fica o amor ao próximo, na medida de atos práticos em benefício ao outro?

  • Na história é visível quantas leis em benefício da humanidade foram criadas em contextos cristãos.

5. Faça política e não evangelismo.



  • Boas leis são o bastante.

  • Esse "evangelho social" tem seguidores nos flancos liberais.

  • Em certa escala, são necessárias pessoas com o coração transformado para proporem ou cumprirem boas leis.


A Visão Bíblica significativa de influência no Governo.



  • Dr. Grudem faz menção de grandes homens na Bíblia que marcaram seu tempo e sua sociedade pela influência política em obediência a Deus.

  • José no Egito. Moisés da mesma sorte.

  • Daniel na Babilônia.

  • Jeremias junto aos cativos.

  • Neemias enviado da Pérsia para Jerusalém.

  • Ester na Pérsia pelos judeus.

  • No N.T, João Batista e Paulo falaram a governantes, e exerceram influência.

O primeiro capítulo do livro do Dr Grudem, onde se encontra a íntegra dessa preleção está disponibilizado aqui em pdf.

Posso dizer particularmente que estas palavras sem dúvida constituem um embasamento poderosamente bíblico para que cristãos se envolvam na política, tendo em mente o governo de Deus sobre os povos, e nossa responsabilidade de exercermos segundo sua Palavra a justa e boa influência sobre a sociedade onde vivemos.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

"Eu Sou"


Eu sou Asafe! O Salmo 73 é como um espelho para mim, quando eu leio e me vejo refletido naquelas palavras. Aquela revolta é minha; aquela amargura é minha; aquele turbilhão de sentimentos acontecendo dentro de mim. Como ele eu me alimento de lágrimas, me farto de angústia e me embriago em minha loucura. Faço as mesmas perguntas que um dia ele fez, sinto a mesma dor que um dia ele sentiu. Meus olhos vêem a vida como um dia ele viu, e avaliou e se revoltou. Uma revolta contra os perversos que enriqueceram e se deleitaram na prosperidade ilícita. Uma inveja revoltante contra o mundo, que premia os arrogantes e favorece os ímpios. Enfim, uma revolta contra Deus, julgando minha retidão inútil e vã. Eu sou Asafe ao carregar esse peso, a difícil tarefa de refletir sobre o sentido da vida à luz de tantas injustiças e incoerências. Eu sou Asafe caminhando pelas ruas e esquinas da vida, observando estarrecido que ela, aparentemente, continua a mesma.
Eu sou Moisés! No deserto de sua culpa, no abandono do Egito para viver em solidão a sua frustração consigo mesmo. Ao reler a narrativa de Êxodo 2 sou convencido que como ele eu tenho o coração cheio de boas intenções, mas as mãos manchadas de culpa. Ele assassinou um egípcio, eu matei tantos em meu coração. A fuga foi para ele o único caminho possível; de fugas e esconderijos a minha vida é constituída. É verdade que Deus usou o pecado de Moisés para cumprir seus propósitos, mas isso não o livrou da dor, do sofrimento e da decepção consigo mesmo. Além do fato que ele se sentiu incompreendido pelos seus próprios irmãos hebreus. Quantas noites solitárias, quantas peregrinações diárias foram precisas para que Moisés se reencontrasse! Eu sou Moisés em meu deserto, sou ele em minhas culpas. Peregrino por aí em busca de respostas, muitas vezes sem perspectivas, na esperança de que um dia eu saiba que os meus pecados foram úteis aos seus propósitos.
Eu sou Elias! Quando medito em sua vida narrada no Primeiro Livro de Reis percebo, especialmente no capítulo 19, que o medo que ele sentiu é o mesmo que me apavora. Medo da vida, medo especialmente das consequências da vida, medo do que é certo... simplesmente medo. Não é falta de fé, nem mesmo depressão, é a ferida aberta de minhas fragilidades. Ah! Como eu sou como Elias. Como ele meu primeiro impulso é pensar na morte, na cessação da dor, no fim de todas obrigações. A visão obliterada pelos acontecimentos é a mesma, a incapacidade de ver Deus agindo na história também. Sinto-me na caverna, cansado e desestimulado, Meus argumentos com Deus são lógicos para mim, é a mais pura versão da realidade. Não há mais nada a fazer, nada que possa mudar essa realidade que enxergo. Eu sou Elias, em sua solidão profética, em seu abandono ministerial, em sua luta interna. Eu sou Elias, em sua mágoa com seu povo e sua estima abalada. Eu, também, sou Elias.
Eu sou muito mais, sou Jó em sua calamidade, sou José em sua relação tumultuada com seus irmãos. Sou Davi, sou Pedro, sou João, e muitos outros espalhados pelas páginas da Bíblia. Sou todos e sou eu. Vivo e sinto o que eles viveram e sentiram, mas afinal sou apenas eu mesmo, vivendo a minha história. Mas espero, como eles, aprender a tratar a minha revolta, a minha culpa ou o meu medo. Espero como eles fazê-lo na dependência de Deus, reconhecendo que "nenhum de seus planos pode ser frustrado" (Jó 42.1). Espero entender que o caminho que eles encontraram para vencer os desafios da vida e a reencontrar a alegria da existência foi na oração. Momento em que seja no Templo (Asafe), seja no deserto (Moisés), seja em Horebe (Elias), Deus falará comigo. E em meio às minhas orações direi: "Ouve, Senhor, a minha súplica e cheguem a ti os meus clamores " (Salmo 102. 1).

Jôer Corrêa Batista - meu mestre, irmão e amigo.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Crentes Incrédulos


Crer em algumas coisas requer desacreditar outras. É extremamente incoerente dizer-se crente e ao mesmo tempo acreditar em tudo. Não se pode sustentar idéias ou conceitos auto-excludentes, e por isso ser verdadeiramente crente em Jesus Cristo implica em ser incrédulo quanto a tudo que contraria sua Palavra.

Sendo assim, em certas circunstâncias, sermos considerados incrédulo não chega a ser uma ofensa. Dependendo de quem fala e daquilo que afirma ou pratica, ser incrédulo perto desse tipo de gente é o certo. É nosso dever manifestar incredulidade para com certas pessoas e suas palavras.

A Palavra de Deus destaca o tratamento dado aos falsos profetas em Deuteronômio 13. 1-3:
Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.

Não são dignos de crédito aqueles que conclamam os filhos de Deus para servirem outros deuses. Na Mesopotâmia podia ser mais fácil que hoje para os hebreus distinguirem o SENHOR dos falsos deuses. Mas isso ainda é nosso dever, uma vez que falsos profetas se levantam no meio da Igreja para desviar os crentes. Todo aquele que prega outro evangelho, Paulo é taxativo, deve ser considerado maldito (Gálatas 1. 6-8). Na Antiga Aliança existia licença para matar os falsos profetas, hoje, ainda que vivos, eles devem ser anatematizados pelo povo de Deus.

A Confissão de Fé de Westminster XIV.2 afirma:
Por essa fé o cristão, segundo a autoridade do mesmo Deus que fala em sua palavra, crê ser verdade tudo quanto nela é revelado, e age de conformidade com aquilo que cada passagem contém em particular, prestando obediência aos mandamentos, tremendo às ameaças e abraçando as promessas de Deus para esta vida e para a futura; porém os principais atos de fé salvadora são - aceitar e receber a Cristo e firmar-se só nele para a justificação, santificação e vida eterna, isto em virtude do pacto da graça.

Este texto deixa claro que o verdadeiro objeto de fé encontra-se em tudo quanto é revelado por Deus em sua palavra. Essa fé na prática evidencia que a confiança sobre a justificação, santificação e vida eterna, restringe-se exclusivamente na pessoa de Jesus Cristo.

Crer em Jesus Cristo limita à sua pessoa toda esperança de salvação, sem que nada nem ninguém possam concorrer para este fim. Crer na obra do Espírito Santo significa crer no propósito que o próprio Senhor especificou a seu respeito (João 14.26; 15.26; 16. 12-14), e não em performances solo desconexas da Palavra que Ele mesmo inspirou.
Ter fé na Soberania do Pai é crer que Ele tem pleno poder e sabedoria sobre todas as coisas, ordenando-as livre e inalteradamente de maneira que tudo quanto acontece está sob seu controle, sem com isso afirmar ser Deus o autor do pecado e nem fazer dos homens marionetes (CFW III.1). Crer nas Escrituras é obedecer a tudo que é prescrito como vontade de Deus, e confiar em sua bondade revelada. Isso implica em não crer em nenhuma outra palavra atribuída a Deus que vá de encontro ou acrescente ainda que uma vírgula aos registros canônicos.

De outro ângulo, os verdadeiros incrédulos ainda que se digam crentes em Jesus Cristo, negam, acrescentam ou até mesmo desprezam estas coisas. São assíduos à visões, mas cegos quanto ao evangelho, otimistas e triunfalistas em seus maus caminhos, mas fadados a destruição.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Duas vozes, um só louvor


Benício está me ensinando louvar o nosso Deus em novas circunstâncias. Quando Jesus cita o Salmo 8.2, falando do perfeito louvor que provém de crianças de peito, creio se referir ao choro que para alguns é tão insuportável. De fat0 não é prazeroso escutar choro de criança. Por menor que seja, meu filho é um verdadeiro amplificador. Mas ainda assim, entendo que existe mais por traz desse choro que um simples som irritante. É em meio a tudo isso que tenho aprendido um pouco mais sobre louvor.

O Salmo é usado por Jesus num contexto de resposta aos sacerdotes e escribas do templo que se indignaram por causa das palavras que meninos diziam acerca de Jesus:

E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os.
Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se,
E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor? (Mateus 21.14-16)

É irônico o fato de que aqueles homens nunca se indignaram com o que era feito de errado no templo. Os vendilhões usavam aquele espaço há tempos, fazendo dali uma verdadeira feira, e nunca foram sequer repreendidos por isso. Jesus os espulsou e passou a curar. Quando o Senhor fez isso, trouxe prufunda inquietação entre as autoridades do templo, e o louvor dos meninos os fez protestar.

O Salmo oito fala sobre o o poder do Deus criador. A força dEle não provém de cavalos, nem de carros ou do alarido de guerra dos pagãos. Todavia, mesmo o choro de pequeninos é suficiente para suscitar o seu poder. O Deus todo poderoso não necessita da força de ninguém. Ele mesmo é o socorro dos fracos.

Quando vejo meu filho chorando, e sei que quase sempre está querendo mamar, percebo também o quanto somos fracos. Sei que sem os seus pais, sem ninguém por perto, ele choraria até desfalecer. Sem outra pessoa para suprir suas necessidades ele morreria. Assim nós, sem Deus, estamos mortos. É como cantamos "a força do homem nada faz/ sozinho está perdido". E não podermos clamar por outro nome senão o de Jesus. Aqueles meninos exaltavam o nome de Jesus, o Filho de Davi, pois somente nEle há força. Mesmo crianças pareciam compreender isso, ao passo que os sacerdotes e escribas não. Aqueles meninos eram a exegese viva da passagem que Jesus menciona.

Sempre que meu filho chora, e o tenho nos meus braços, lembro-me de cantar louvores a Deus. O choro dele e minha voz desafinada tornam-se um só louvor. Sei que assim como ele precisa de leite, eu preciso da graça de Jesus, e que somente nEle tenho socorro em minhas aflições. Espero que o Benício aprenda desde cedo essa lição, sabendo que sua maior necessidade é da graça do Filho de Davi. A Ele pois toda glória!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

De Volta à 2010


Como disse no último post, as coisas não foram fáceis nos últimos meses, mas graça de Deus me bastou em todos esses dias (2 Coríntios 12.9). Consegui concluir meus trabalhos e ser aprovado na integralização do meu curso de teologia. Meu filho Benício nasceu no devido tempo, saudável e bonito. Ele tem sido uma fonte de reflexão sobre a perfeição de Deus e seu amor descritos na Palavra. Precisarei de mais de um post para compartilhar esses pensamentos.

Posso começar falando a respeito do tempo. No início deste ano, quando eu e Candice nos propusemos a ter um filho, estive muito ansioso para que isso se desse o quanto antes. Eu queria que ela parasse de tomar os contraceptivos imediatamente, mas não foi possível por causa de uma infecção de ouvido que ela teve. Tivemos que esperar até a segunda quinzena de janeiro, o que me deixou muito chateado. Passado pouco mais de um mês ela estava grávida. Hoje sei pela data em que meu filho nasceu, que se ela tivesse engravidado antes, o choque com o prazo de entrega dos trabalhos da validação, dia 19 de novembro, tornaria esses dias um caos. Graças a Deus pelo tempo dEle. Benício nasceu dia 24 de novembro. Um mês antes tornaria praticamente impossível a entrega desses trabalhos. Sei que Deus poderia ser igualmente gracioso, mesmo coincidindo as datas. Mas em tudo dou graças.

Lembro-me que no post escrito no ultimo dia de 2009, em tom pessimista, tinha a sensação de que aquele ano que não acabaria tão cedo. Me sentia cansado àquela altura, desmotivado para o que viria pela frente. Pois bem, agora 2010 está acabando, e sinto-me fortalecido para 2011 (Isaías 40.29) . Nem tudo foi como eu esperava, mas certamente Deus foi sobremaneira bondoso comigo em todas as coisas. Sou eternamente grato.