segunda-feira, 19 de março de 2012
Ladrão que rouba ladrão... ou ladrão que denuncia ladrão.
Ontem o "Fantástico da Record", o programa Domingo Espetacular, apresentou uma reportagem de quase trinta minutos onde denuncia o "Apóstolo" Valdemiro Santiago de enriquecer a custa da Igreja Mundial do Poder de Deus. Duas fazendas compradas em dinheiro vivo em Mato Grosso, na região de Santo Antonio de Leveger somam o montante de R$ 50 milhões, contando as mais de 26 mil hectares e as quase 7 mil cabeças de gado. Nesse último quesito, a reportagem fazia questão de frisar a expressão "o rebanho de Valdemiro", numa alusão ao conceito de pastoreio. Aqui em Cuiabá nunca foi segredo que o dono da Mundial tivesse comprado terras e que por isso "amasse" tanto este estado.
A reportagem parece estar bem embasada nos fatos, apresentando documento de compra registrados no cartório da cidade vizinha da capital matogrossense. Também são denunciados imóveis de templos com aluguéis atrasados em São Paulo.
Mas o que não deixa de ser irônico é justamente o veículo de comunicação Record "prestando" esse serviço. Os motivos óbvios podem ser listados.
1. A Record pertence ao "Bispo" Edir Macedo, fundador e mandatário da Igreja Universal do Reino de Deus.
2. Valdemiro saiu da Universal e fundou a Mundial, uma imagem e semelhança da outra.
3. A Mundial esta completando 14 anos, mas foi a partir de 2007 que a denominação passou a crescer expressivamente.
4. Recentemente Macedo tem se lançado pessoalmente ao ataque a Valdemiro. Entrevistando uma endemoniada como há muitos anos não fazia, colheu as informações de que aquele demônio era o cabeça na Mundial.
Na reportagem, quando mencionada o parentesco da Mundial com a Universal, é dito que a IURD foi fundada por Edir Macedo, dono da Record. Creio que essa distinção entre bispo fundador e empresário da telecomunicação visa justificar implicitamente a riqueza de Macedo. Valdemiro por sua vez, tira sua riqueza diretamente da igreja.
Mas é sabido e notório que a Record foi comprada com o dinheiro da igreja , que segundo Carlos Magno de Miranda, um bispo dissidente, com milhões de dólares dados em 1989 por narcotraficantes do Cartel de Cali em troca de serviço de lavagem de dinheiro na IURD. Hoje a Record é diretamente financiada pela Universal com investimentos milionários em horários da madrugada para os programas religiosos.
Por isso, pode-se dizer que o aprendiz ainda está muito atras do seu mestre. Valdemiro não tem o poder de fogo de uma emissora que lhe sirva de esteio financeiro e leão de chácara ao mesmo tempo. Caso tente usar o seu tempo comprado na TV para se defender, pode piorar a coisa. Também, provavelmente pela origem matuta, cresceu muito os olhos em propriedades rurais, coisa que chama muita atenção. Edir Macedo dentre seus devaneios de grandeza, investiu em um mansão em Campos do Jordão com 24 suítes e uma réplica do Jardim do Getsemani.
Creio que Edir Macedo se sente muito seguro em jogar as sujeiras de Valdemiro no ventilador, imaginando ser imune a qualquer contra-ataque. Creio também que canibalismo entre as duas igrejas do "al" ainda renderá muitos frutos podres, com Valdemiro tentando vencer por baixo, atraindo o gado de Macedo. Trata-se de uma luta entre o Golias maior e o Golias menor, que no tempo propício Deus porá fim destruindo um e o outro.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Doutorado dos Apóstolos
O Presbítero Eli Medeiros esteve em Cuiabá no ano passado para a formatura do alunos do IBAA (Instituto Bíblico Presbiteriano Augusto Araújo). Nessa ocasião o amado irmão compartilhou algumas considerações pessoais sobre a vida acadêmica dos Apóstolos que achei muito relevante e oportuno publicar.
Muitas pessoas advogam que os apóstolos eram pessoas ignorantes, sem formação nenhuma, e, pautados nisso, afirmam ser desnecessária qualquer preparação acadêmica para servir o Reino. Isso é completamente contrário as Escrituras, até mesmo no que concerne aos não separados ministerialmente. Uma vez que somos instados a conhecer e amar a Bíblia (Deuteronômio 6.1-9; Josué 1.8; Salmo 1.2; Oseias 4.6; Mateus 22.29; João 5.39) certamente os que ensinam devem dedicar-se mais em seu estudo (1 Timóteo 5.17).
Segundo a observação de Eli Medeiros, no histórico dos Apóstolos podemos observar o cuidado de Jesus para com o seu ensino, formando homens intelectualmente e academicamente capacitados. Obviamente não estamos nos referindo a uma exata formação nos moldes de uma instituição de ensino contemporânea, mas ainda assim a uma formação acadêmica. O uso análogo feito aqui, é apenas para demonstrar que Jesus não fez as coisa de forma amadora, descompromissada, mas que seriamente investiu na organização do conhecimento de seus discípulos.
Segundo a observação de Eli Medeiros, no histórico dos Apóstolos podemos observar o cuidado de Jesus para com o seu ensino, formando homens intelectualmente e academicamente capacitados. Obviamente não estamos nos referindo a uma exata formação nos moldes de uma instituição de ensino contemporânea, mas ainda assim a uma formação acadêmica. O uso análogo feito aqui, é apenas para demonstrar que Jesus não fez as coisa de forma amadora, descompromissada, mas que seriamente investiu na organização do conhecimento de seus discípulos.
Antes de começar o histórico acadêmico dos Apóstolos, devemos salientar que o fato de serem considerados frente ao Sinédrio como iletrados e sem treinamento (Atos 4.13) não significava de forma alguma que eram analfabetos. Havia relativo desnível entre a formação teológica dos sinedristas e aqueles pescadores. Mas como todo judeu, sabiam ler e escrever, e também deveriam conhecer o suficiente das Escrituras desde a infância como era requerido a todos. Todavia, o enlevo dessa constatação é justamente o oposto: o Sinédrio reconhecia que haviam estado com Jesus, pela coragem com que falavam a verdade. É óbvio que estamos falando aqui da obra do Espírito, prenunciada por Jesus para seus discípulos para horas como essa (Mateus 10.19; João 14.26; 15.26-27; 16.13). Contudo, essa obra pneumática, como salientado em João, não se daria alheia aos ensinos de Jesus. O que Jesus fazia pessoalmente, agora o Espírito faria intimamente nos discípulos: ensinar o que devia dizer.
Pressupondo os níveis de ensino que temos hoje, tracemos um parâmetro da formação dos Apóstolos. Começando pelo seminário com Jesus, foram três anos de aprendizado. Era um único professor, mas este era ninguém menos que o Criador do Universo (Colossenses 1. 15-16,19), o Logos encarnado (João 1.1,14), a Sabedoria em pessoa (Provérbios 8). Não havia a necessidade de nenhum outro professor. A carga horária era de período integral por três anos, e a metodologia de ensino teórico e prático. Jesus ensinava e também aplicava-lhes uma espécie de estágio supervisionado (Lucas 10.1). Esse curto período com o Mestre vale mais do que qualquer histórico escolar na face da terra. É válido lembrar que Paulo, como um nascido fora do tempo (1 Coríntios 15.8), também compartilhou dessa formação que os discípulos tiveram (Gálatas 1. 14-17). Apesar de ter sido formado aos pés de Gamaliel (Atos 22.3), Paulo carecia da mesma formação que os outros.
Pois bem, após os três anos de seminários, Jesus, já ressurreto, passa 40 dias com os Apóstolos falando das coisas concernentes ao Reino (Atos 1.3). Isso corresponde a um mestrado, uma vez que Ele pode aprofundar seu ensino a um nível que seus discípulos até por três anos não poderiam suportar (João 16.12). Agora após sua morte e ressurreição, eles podem compreender.
O doutorado já sob a orientação do Espírito Santo, é atestado na composição do Novo Testamento (2 Timóteo 3.16; 1 Pedro 1. 11,12; 2 Pedro 1. 20,21). Esses homens que aprenderam de Jesus apresentam suas teses afirmando a Verdade que o mundo todo precisa conhecer. Estas "teses" estão disponíveis até hoje para consulta em toda parte da terra.
Mas porque Jesus investiu tanto no ensino de seus discípulos? Fica claro a partir de Atos 2.42 que a doutrina dos apóstolos era imprescindível para a vida da Igreja. O ensino de Jesus não podia se perder por falta de qualificação daqueles que ensinariam sua Palavra para todo o restante do mundo. A Igreja de Cristo é conhecida por sua Palavra, esta é Viva e habita no meio de seu povo. Devemos portanto com todo zelo nos dedicarmos ao seu conhecimento, sabendo que ela não meramente acadêmica, mas que nem por isso despreza a necessidade de formação. Advogar contra essa formação é ultrajar a obra do Espírito e de Cristo, é pressupor que o subjetivismo daqueles que se lançam ao ministério é suficiente para conduzir o rebanho. Todo o que é chamado para pastorear deve ter em mente que o alimento está disposto nas Escrituras, e que é estudando-as que poderá ensiná-las corretamente.
Pressupondo os níveis de ensino que temos hoje, tracemos um parâmetro da formação dos Apóstolos. Começando pelo seminário com Jesus, foram três anos de aprendizado. Era um único professor, mas este era ninguém menos que o Criador do Universo (Colossenses 1. 15-16,19), o Logos encarnado (João 1.1,14), a Sabedoria em pessoa (Provérbios 8). Não havia a necessidade de nenhum outro professor. A carga horária era de período integral por três anos, e a metodologia de ensino teórico e prático. Jesus ensinava e também aplicava-lhes uma espécie de estágio supervisionado (Lucas 10.1). Esse curto período com o Mestre vale mais do que qualquer histórico escolar na face da terra. É válido lembrar que Paulo, como um nascido fora do tempo (1 Coríntios 15.8), também compartilhou dessa formação que os discípulos tiveram (Gálatas 1. 14-17). Apesar de ter sido formado aos pés de Gamaliel (Atos 22.3), Paulo carecia da mesma formação que os outros.
Pois bem, após os três anos de seminários, Jesus, já ressurreto, passa 40 dias com os Apóstolos falando das coisas concernentes ao Reino (Atos 1.3). Isso corresponde a um mestrado, uma vez que Ele pode aprofundar seu ensino a um nível que seus discípulos até por três anos não poderiam suportar (João 16.12). Agora após sua morte e ressurreição, eles podem compreender.
O doutorado já sob a orientação do Espírito Santo, é atestado na composição do Novo Testamento (2 Timóteo 3.16; 1 Pedro 1. 11,12; 2 Pedro 1. 20,21). Esses homens que aprenderam de Jesus apresentam suas teses afirmando a Verdade que o mundo todo precisa conhecer. Estas "teses" estão disponíveis até hoje para consulta em toda parte da terra.
Mas porque Jesus investiu tanto no ensino de seus discípulos? Fica claro a partir de Atos 2.42 que a doutrina dos apóstolos era imprescindível para a vida da Igreja. O ensino de Jesus não podia se perder por falta de qualificação daqueles que ensinariam sua Palavra para todo o restante do mundo. A Igreja de Cristo é conhecida por sua Palavra, esta é Viva e habita no meio de seu povo. Devemos portanto com todo zelo nos dedicarmos ao seu conhecimento, sabendo que ela não meramente acadêmica, mas que nem por isso despreza a necessidade de formação. Advogar contra essa formação é ultrajar a obra do Espírito e de Cristo, é pressupor que o subjetivismo daqueles que se lançam ao ministério é suficiente para conduzir o rebanho. Todo o que é chamado para pastorear deve ter em mente que o alimento está disposto nas Escrituras, e que é estudando-as que poderá ensiná-las corretamente.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Os Modernos Fariseus
"Da vaidade, fiéis servos
Lutam por fazer-nos seus!
Muitas vezes nos assaltam
Os modernos fariseus.
Mas se alguém procura ver-nos
Sem a graça do bom Deus,
Vencendo vem Jesus!"
Sempre tive um pé atrás com as críticas feitas aos fariseus. É claro que não estou falando das críticas feitas por Jesus a essa seita judaica daqueles dias. É precisamente por causa dos duros discursos do Senhor contra eles, que percebo uma imagem desfocada do que realmente pode ser chamado farisaísmo.
O conceito mais acentuado quando se fala em fariseus é o legalismo. Há um equivoco no próprio entendimento da palavra. A simples observância da Lei não é precisamente "legalismo". Quando perde-se de vista o espírito da lei, seu propósito maior, e toma-se como principal o cumprimento vazio de uma regra, então podemos falar em legalismo. A Lei nos foi dada como algo bom, é graciosa uma vez que nos conduz segundo o propósito sábio que Deus tem para nossas vidas. Mas quando toma-se a Lei sem cogitar a direção e a glória de Deus sobre ela, quando não passa de um rígido exercício moral para glória pessoal, a impressão que se passa é que apenas uns poucos e "melhores" homens podem alcançar. Guardar a Lei não é legalismo. Usar a Lei para exaltação pessoal sobre os demais sim.
Mas sim, os fariseus eram legalistas (Mateus 23.4-7), e isso é parte de sua essência. Sua conduta moral, sua a observância da Lei, visava exclusivamente a promoção de uma imagem piedosa até mesmo por sua indumentária (V. 5). Ao mesmo tempo que se empenhavam em ensinar, sua satisfação era o fracasso de seus discípulos (V. 13). Mas aqueles que se graduavam em sua universidade eram até piores do que eles (V. 15). Esse verniz piedoso não condizia com a realidade de seus corações, uma vez que a observância da Lei em seu propósito divino é acima de tudo para com o próprio Legislador das almas. Deus conhece o coração de todo homem. Jesus sendo Deus podia com toda propriedade legislar sobre o coração daqueles homens legalistas, pois conhecia-lhes a intenção de se promoverem as custas da fraqueza dos demais. Sabia que ao mesmo tempo que seu exterior mostrava-se limpo, ocultavam um interior imundo, pois em nada temiam a Deus (v. 25-28). Todavia, nem só de legalismo vive um fariseu. Sua outra parte é a hipocrisia.
Em Lucas 12.1, Jesus esclarece que o "fermento dos fariseus" era a hipocrisia. O que levedava as massas era sua conduta dúbia diante dos enfrentamentos. O legalismo é a outra face da moeda daqueles que têm pavor de serem descobertos em sua imundície. Todo legalista é uma falso moralista já dizia o teólogo César Arruda. Apesar do esforço para provar-se melhor que os demais mortais, interiormente, pelo sensus divinitatis, o hipócrita sabe que diante de Deus ele ainda é reprovável. Mas lhe parece mais fácil se exaltar perante os homens, do que humilhar-se perante Deus (Mateus 23.12). Com isso provam que temem aos homens e não a Deus (Lucas 12.4). Mesmo condenando a Jesus, não ousavam enfrentá-lo diretamente. O problema com Jesus não era necessariamente o seu ensino, mas sua popularidade. Seus esforços para desacreditá-lo vinham na tentativa de faze-lo tropeçar em suas palavras (Lucas 11.53,54). Teologicamente eram até próximos do ensino de Jesus (Mateus 23.3).
Na prática de sua hipocrisia, fizeram alianças com herodianos e saduceus para eliminar Jesus (Mateus 16.1; 22.15,16). E quando planejaram sua morte, o fizeram junto do Sinédrio (que era composto principalmente de saduceus). Estes mesmos sacerdotes hipócritas, quando questionados por Pilatos sobre a soltura do Rei do Judeus, admitiram o reinado de César sobre eles negando a Jesus.
A hipocrisia é a covardia institucionalizada na alma daqueles que fazem de tudo para não perder o prestígio e a glória dos homens. Se por um lado primavam pelo prestígio dos pequenos por sua "elevadíssima" conduta moral, diante dos romanos sucumbiram ao poder de um rei pagão rechaçando o reinado do Filho de Deus. A mesma alma elevada frente aos pobres era vendida aos poderosos pela execução de Jesus.
Mas e hoje, como se portam os modernos fariseus? Certamente não deixaram o legalismo e a hipocrisia, partes essenciais de seu caráter. Contudo, em um tempo em que a Lei não tem o mesmo prestígio, e que primar pela moralidade é visto como algo obsoleto, buscam em outros méritos a glória dos homens. Atualmente a moeda de maior valor é a realização pessoal pelas conquistas materiais. O poder temporal e o acúmulo do vil metal tem implicações espirituais. Ser rico e influente, creditando a um uso legalista da oração e o jejum, e a partir de votos e palavras de poder, têm grande aceitação em certas comunidades, principalmente entre os neopentecostais. Os sepulcros são caiados com riquezas, realizações profissionais e familiares. Alguns são comedidos em suas palavras, mas outros desbocados e desafiadores.
O moderno fariseu, a exemplo de seus pais, tem a honra em seus lábios mas distante o coração (Marcos 7.6,7). Usam o nome de Jesus a todo tempo, mas para sua própria glória. Certamente eles não podem dizer como João Batista que "importa que Ele cresça e eu diminua" (João 3.30). O que fora dito a respeito de seus avós, os pais dos fariseus que mataram os profetas, e que Jesus afirmou a respeito daquela geração que intentou contra sua vida (Mateus 23.29-32), pode ser dito desta geração que procura assassinar a Palavra de Deus por meio de seus devaneios de grandeza. Em vão imaginam que podem roubar a glória daquele que é Rei dos reis, Senhor do Universo, Criador do céus e da terra, e por que por seu sangue preciosíssimo pagou o mais alto preço pelos seus, e venceu a morte. Essa glória nunca terão, nem dela farão parte.
Sempre tive um pé atrás com as críticas feitas aos fariseus. É claro que não estou falando das críticas feitas por Jesus a essa seita judaica daqueles dias. É precisamente por causa dos duros discursos do Senhor contra eles, que percebo uma imagem desfocada do que realmente pode ser chamado farisaísmo.
O conceito mais acentuado quando se fala em fariseus é o legalismo. Há um equivoco no próprio entendimento da palavra. A simples observância da Lei não é precisamente "legalismo". Quando perde-se de vista o espírito da lei, seu propósito maior, e toma-se como principal o cumprimento vazio de uma regra, então podemos falar em legalismo. A Lei nos foi dada como algo bom, é graciosa uma vez que nos conduz segundo o propósito sábio que Deus tem para nossas vidas. Mas quando toma-se a Lei sem cogitar a direção e a glória de Deus sobre ela, quando não passa de um rígido exercício moral para glória pessoal, a impressão que se passa é que apenas uns poucos e "melhores" homens podem alcançar. Guardar a Lei não é legalismo. Usar a Lei para exaltação pessoal sobre os demais sim.
Mas sim, os fariseus eram legalistas (Mateus 23.4-7), e isso é parte de sua essência. Sua conduta moral, sua a observância da Lei, visava exclusivamente a promoção de uma imagem piedosa até mesmo por sua indumentária (V. 5). Ao mesmo tempo que se empenhavam em ensinar, sua satisfação era o fracasso de seus discípulos (V. 13). Mas aqueles que se graduavam em sua universidade eram até piores do que eles (V. 15). Esse verniz piedoso não condizia com a realidade de seus corações, uma vez que a observância da Lei em seu propósito divino é acima de tudo para com o próprio Legislador das almas. Deus conhece o coração de todo homem. Jesus sendo Deus podia com toda propriedade legislar sobre o coração daqueles homens legalistas, pois conhecia-lhes a intenção de se promoverem as custas da fraqueza dos demais. Sabia que ao mesmo tempo que seu exterior mostrava-se limpo, ocultavam um interior imundo, pois em nada temiam a Deus (v. 25-28). Todavia, nem só de legalismo vive um fariseu. Sua outra parte é a hipocrisia.
Em Lucas 12.1, Jesus esclarece que o "fermento dos fariseus" era a hipocrisia. O que levedava as massas era sua conduta dúbia diante dos enfrentamentos. O legalismo é a outra face da moeda daqueles que têm pavor de serem descobertos em sua imundície. Todo legalista é uma falso moralista já dizia o teólogo César Arruda. Apesar do esforço para provar-se melhor que os demais mortais, interiormente, pelo sensus divinitatis, o hipócrita sabe que diante de Deus ele ainda é reprovável. Mas lhe parece mais fácil se exaltar perante os homens, do que humilhar-se perante Deus (Mateus 23.12). Com isso provam que temem aos homens e não a Deus (Lucas 12.4). Mesmo condenando a Jesus, não ousavam enfrentá-lo diretamente. O problema com Jesus não era necessariamente o seu ensino, mas sua popularidade. Seus esforços para desacreditá-lo vinham na tentativa de faze-lo tropeçar em suas palavras (Lucas 11.53,54). Teologicamente eram até próximos do ensino de Jesus (Mateus 23.3).
Na prática de sua hipocrisia, fizeram alianças com herodianos e saduceus para eliminar Jesus (Mateus 16.1; 22.15,16). E quando planejaram sua morte, o fizeram junto do Sinédrio (que era composto principalmente de saduceus). Estes mesmos sacerdotes hipócritas, quando questionados por Pilatos sobre a soltura do Rei do Judeus, admitiram o reinado de César sobre eles negando a Jesus.
A hipocrisia é a covardia institucionalizada na alma daqueles que fazem de tudo para não perder o prestígio e a glória dos homens. Se por um lado primavam pelo prestígio dos pequenos por sua "elevadíssima" conduta moral, diante dos romanos sucumbiram ao poder de um rei pagão rechaçando o reinado do Filho de Deus. A mesma alma elevada frente aos pobres era vendida aos poderosos pela execução de Jesus.
Mas e hoje, como se portam os modernos fariseus? Certamente não deixaram o legalismo e a hipocrisia, partes essenciais de seu caráter. Contudo, em um tempo em que a Lei não tem o mesmo prestígio, e que primar pela moralidade é visto como algo obsoleto, buscam em outros méritos a glória dos homens. Atualmente a moeda de maior valor é a realização pessoal pelas conquistas materiais. O poder temporal e o acúmulo do vil metal tem implicações espirituais. Ser rico e influente, creditando a um uso legalista da oração e o jejum, e a partir de votos e palavras de poder, têm grande aceitação em certas comunidades, principalmente entre os neopentecostais. Os sepulcros são caiados com riquezas, realizações profissionais e familiares. Alguns são comedidos em suas palavras, mas outros desbocados e desafiadores.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Ídolos de pau, de ouro e de carne.
O artífice funde a imagem, e o ourives a cobre de ouro e cadeias de prata forja para ela.
O sacerdote idólatra escolhe madeira que não se corrompe e busca um artífice perito para assentar uma imagem esculpida que não oscile.
(Isaías 40. 19, 20)
É com ironia que Deus descreve a fabricação da imagem de um ídolo. Ainda que produzido com metais preciosos, e com madeira escolhida, é preciso perícia para que a imagem não oscile. Além de ser feita por mãos de homens, ainda precisa ser bem confeccionada, pois do contrário pode cair e quebrar. É diante de uma imagem como essa que outros homens se prostrarão e buscarão auxílio. É em um pedaço de pau coberto de ouro ou prata que se apegarão para sua salvação. Certamente seria mais proveitoso se buscasse socorro no próprio artífice.
Mas não só de pau, gesso ou metais precisos vivem os ídolos. Em nossos dias, ídolos de carne e osso se apresentam em pedestais midiáticos. Seu andor é a televisão, onde são beijados com gordas ofertas para o seu programa de salvação mundial e universal. Assim como os ídolos mortos, os vivos também não se sustentam sozinhos. Sem as contribuições financeiras oscilam e podem cair e quebrar-se. Os mesmos que prometem riquezas sem fim, ao mesmo tempo atestam sua carência apelando para os recursos alheios. Isso não é irônico?
Fato é que de pau, de gesso ou de carne, os ídolos atestam sua fraqueza e incompetência na provisão das necessidades dos homens. Eles mesmos dependem da boa vontade do artesão para sua sustentabilidade, ou dos pagãos (no sentido dos que pagam suas indulgências... rssss) para sua sobrevivência na mídia.
Somente o Deus que criou toda as coisas pode ser nosso auxílio. Somente aquele que não é servido por mãos humanas, que é o doador e mantenedor da vida pode nos socorrer (Atos 17.24, 25). E mais do que a vida, ele nos dá vida eterna em seu Filho, que longe de um andor ou de uma tela de televisão, morreu na cruz para nos salvar. Ele ressuscitou, está vivo e deve ser adorado. Ele é Deus que se fez homem, e não um deus feito por homens.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Lloyd-Jones falou, Lloyd-Jones avisou...
Dr. D. Matyn Lloyd-Jones em sua obra Pregação e Pregadores afirma o seguinte nas páginas 21 e 22:
Pior ainda tem sido a incrementação do elemento
entretenimento no culto publico – o emprego de filmes e uso de mais e mais cânticos;
a leitura da Palavra e a oração foram drasticamente abreviadas, porém, mais e
mais tempo foi sendo consagrado aos cânticos. Já existe um “especialista em
musica” como se fora uma nova espécie de oficial eclesiástico, e ele conduz os cânticos,
e supostamente compete-lhe produzir o ambiente próprio. Porém, ele gasta tanto
tempo para produzir o ambiente próprio que não resta tempo para a pregação nesse
ambiente! Tudo isso faz parte da depreciação da mensagem.
Então, como se não bastasse, há a apresentação de
testemunhos. É interessante observar que à medida que a pregação como tal vem
declinando, os pregadores mais e mais têm se utilizado das pessoas para que dêem
seus testemunhos; principalmente se são pessoas importantes em qualquer outro
ramo da vida. Dizem que isso atrai as pessoas para o Evangelho, persuadindo-as
a dar-lhe ouvidos. Quando se puder encontrar um almirante, um general, ou
qualquer outra pessoa que tenha um título especial, ou um jogador de futebol,
ou um ator, atriz ou estrela de cinema, ou cantor de música popular, ou
qualquer outro personagem bem conhecido do público, então que se dê a tal
pessoa a oportunidade de dar seu testemunho. Isso é reputado como algo muito mais
valioso do que a pregação e a exposição do Evangelho. Vocês já notaram que
classifiquei tudo isso sob o termo “entretenimento”? Acredito que todas essas
coisas não passam disso. Mais é isso que a Igreja vem procurando, ao mesmo
tempo em que tem voltado as costas para a pregação.
Esses "ministros de louvor", por vezes auto intitulam-se "levitas". Acreditam realmente que o louvor liberta, ou até mesmo que ministram ao coração de Deus. Os testemunhos, como um peso de comprovação do poder de Deus, respaldam-se mais na história do indivíduo, do que na história da salvação (historia salutis).
Escrito em 1971, esse livro já considerava os desajustes entre a proposta de culto e a pregação. A análise neste primeiro capítulo intitulado "A Primazia da Pregação" é analisar o descaso para com a exposição bíblica. É uma pena que sua observação tão pertinente não foi ouvida.
Escrito em 1971, esse livro já considerava os desajustes entre a proposta de culto e a pregação. A análise neste primeiro capítulo intitulado "A Primazia da Pregação" é analisar o descaso para com a exposição bíblica. É uma pena que sua observação tão pertinente não foi ouvida.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Sonhos sem explicação
Quando comecei a escrever.
Esse é mais um sonho contado como sonho. Ainda nem bem amanheceu, e nessa madrugada já acordei duas ou três vezes. Primeiro com a forte chuva que me fez ir a sala fechar a porta da sacada e me deparar com meu netbook sendo borrifado de água. Graças a Deus ele passa bem.
Em seguida, mesmo acordado fui despertado novamente pela noticia da morte do Bispo Robinson Cavalcanti e de sua esposa. Sua morte me fez refletir sobre a misericórdia e o amor de Deus. Pensei que por mais que tenha servido um homem, com todos os seus conceitos pessoais, a entrada na vida é tão somente pelo único e estreito caminho da Verdade. Não compartilhava de alguns de seus pensamentos, mas creio que adentramos a mesma porta estreita que conduz a salvação.
Dormi mais uma vez e sonhei, e como a maioria dos sonhos, coisa sem pé nem cabeça. Mas o tronco desse corpo sem pé e cabeça era algo mais ou menos assim. Conheci alguns missionários, ou pastores americanos de uma igreja racionalista, como se apresentaram. Perguntei-lhes no criam, e me disserem que em tudo que podia ser apreendido pela razão, pelos sentidos, o que consideravam real. Perguntei o que adoravam nessa igreja, e então ficaram sem resposta. Disse-lhes que algumas coisas você simplesmente não pode explicar. Que Deus não contraria a razão, mas é maior que ela. Que seu Filho se encarnou na historia, mas existe antes dela. Que isso não era contrario a razão, mas além dela. Na seqüência do sonho, me via procurando por açaí para servi-los, e então descobri que o pote tinha ficado fora do freezer e descongelado. Acordei sem conseguir achar nada para oferecer-lhes.
Benício começou a chorar e o levei para cama às 5:30 para dormir conosco. Mas não voltei a dormir mais.
Quando terminei.
"Something you just can't explain."
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Os Crentes e o Carnaval
O Carnaval é uma época esperada por muita gente. Para alguns "o melhor período do ano". Para outros, o pior. E em vários casos, os últimos dias de vida. O número de mortes, acidentes e outros tipos de mazelas costumam se amontoar nessa época. Para mim, no período de Carnaval de 1993 eu morri e ressuscitei.
Foi em um retiro de Carnaval da Igreja Presbiteriana de Cuiabá que fui decisivamente alcançado por Cristo. Nascido e criado nessa igreja, eu não conhecia pessoalmente o meu salvador, mas apenas de ouvir falar. Pela graça de Deus, em circunstâncias de profunda humilhação e quebrantamento, em uma das noites de retiro, o Senhor matou o velho homem e me fez nascer filho de Deus. Desde então tenho crescido nessa mesma graça e sido alimentado por sua Palavra.
Sei que assim como eu, milhares de pessoas foram e são alcançadas em retiros na época de Carnaval. Apesar dos retiros serem programados para os membros da igreja, sabemos que muitos que se dizem "crentes" (como eu até então), não nasceram de novo ainda. Há também os visitantes que acompanham amigos para os retiros, e esse é também um tempo muito propício para que conheçam a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.
Todavia, de tempos para cá, grupos de evangelismo de impacto têm deixado as fileiras dos acampamentos e entrado no território inimigo para ali anunciar a Palavra. Já fiz isso no tempo de seminário. Por dois anos evangelizei em Brasília na Micarecandanga, e em Caldas Novas no Carnaval de 2001. Sei de pessoas que foram alcançadas por Cristo nesse contexto. Creio que trata-se de um trabalho necessário também.
O que não pode existir entre os crentes é uma disputa destas duas frentes de trabalho. São ambas necessárias no seu âmbito de atuação. Ambas devem servir ao Reino e não a satisfação pessoal dos crentes. Nisso é possível observar distorções no propósito.
Creio que os retiros servem para que os irmãos tenham um tempo maior de comunhão, crescimento nos estudos bíblicos e intensa evangelização daqueles que ali estão mas que ainda não são crentes verdadeiros - sejam os visitantes, assim como os membros meramente nominais. O foco é perdido quando o retiro se torna um refúgio, um tempo apenas para nos afastarmos do mundo. Nos esquecemos que o próprio Senhor Jesus orou para que não fossemos tirados do mundo (João 17.15). O mundo decaído pelo pecado não se encontra do lado de fora das portas da igreja, mas na vida e no proceder de cada pessoa que não é nova criatura. Imaginar que em um acampamento é possível ficar longe da carnalidade por um simples deslocamento geográfico é muita ingenuidade. A iniquidade das pessoas as acompanham onde quer que estejam. Os acampamentos não estão imunes a carnalidade das pessoas, e quem já trabalhou em retiros sabe disso. Assim, mesmo "retirados", precisamos de ofensiva bíblica na vida dos acampantes, não mero entretenimento.
O evangelismo nas festas de Carnaval é ao mesmo tempo simples e difícil por uma série de fatores. É simples porque a mensagem do evangelho é uma só onde quer que estejamos: A vida, a morte e a ressurreição de Jesus como cumprimento do plano de salvação de Deus. A necessidade de arrependimento e fé nessa palavra para termos vida eterna em Jesus. Quando pregamos em meio a uma festa de Carnaval é necessário salientar que a vida em Cristo exclui a vida na carne (Romanos 8.1). É compatibilização entre o Reino e o Mundo dizer: "vamos mostrar as pessoas que podemos ser feliz sem drogas e sexo. Vamos mostrar as pessoas que somos feliz com Jesus." O foco da mensagem passa a ser a alegria dos crentes, e não do senhorio de Cristo. Acreditam que o foco do evangelismo é o seu estilo de vida - uma vida alegre, sem vícios, sem imoralidade, com Jesus como adicional. Isso não passa de um farisaísmo recauchutado. Em alguns casos, procura-se até mesmo "converter" o Carnaval, tornando-o em algo aceitável aos padrões evangélicos, como se tenta fazer com outras festas. Se esquecem assim de que é impossível servir a dois senhores (Mateus 6.24). Ou estão ali para servir a Jesus ou a carne.
É bom que se faça desse período de Carnaval como todos do ano: tempo para servir ao Senhor de nossas vidas. Seja no acampamento, seja evangelizando no Carnaval, o evangelho da salvação em Cristo deve ser anunciado.
É bom que se faça desse período de Carnaval como todos do ano: tempo para servir ao Senhor de nossas vidas. Seja no acampamento, seja evangelizando no Carnaval, o evangelho da salvação em Cristo deve ser anunciado.
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