sexta-feira, 18 de abril de 2014
A Páscoa de Jesus
A Páscoa dos Israelitas foi a sua libertação da escravidão no Egito (Êxodo 12.11,26-27). Os cordeiros sacrificados naquela ocasião proveram o sangue para as famílias de Israel como sinal, para que o SENHOR quando passasse por suas casas não os ferisse de morte como às famílias egípcias. Desta sorte, a Páscoa para Israel era vida nova, uma nação livre, enquanto que para os cordeiros ali, foi a morte.
Sabemos que Jesus é o Cordeiro de Deus, o Cordeiro Pascal. Sua Páscoa foi sofrimento, traição, abandono e condenação à morte. Ele não foi vítima das circunstancias, pois sabia desde o princípio todas estas coisas (Lucas 9.44; 22.22; João 6.64,70-71). Ele entregou a sua própria vida, pois ela não podia ser tirada dele (João 10.17-18).
Mas este sacrifício não foi recebido com gratidão ou olhos benevolentes. A Páscoa de Jesus foi o amargo gosto do desprezo e escárnio, quando na cruz foi instigado a provar que era o Filho de Deus (Mateus 27.39-44). Satanás já havia proposto algo semelhante quando lhe disse para transformar pedras em pães no deserto (Lucas 4.3). Aos olhos do povo, a prova de que aquele homem na cruz era o Filho de Deus seria justamente se ele abandonasse a cruz. Certamente não o poderia fazer de maneira natural, uma vez que estava pregado no madeiro por pregos que traspassavam suas mãos e pés, e também havia sido torturado, estava exausto. Mas em conformidade com a compreensão que tinham do que seria ser "Filho de Deus", Jesus deveria de alguma maneira extraordinária sair daquele estado humilhante.
Porque Jesus é o Filho de Deus, o Cordeiro Pascal, é que não desceu da cruz. Sim, ele tinha poder para tanto, uma vez que afirmou ter autoridade sobre os anjos para não ser entregue aos homens (Mateus 26.53). Mas se assim o fizesse, como cumpriria o que a seu respeito estava escrito (Mateus 26.54)?
Seu poder se revelou ali de maneira infinitamente maior, pois sair da cruz era relativamente fácil, mas suportá-la, o que na verdade era suportar a ira de Deus, por nossa causa, revela um poder que só ele tinha: o de amar até o fim (João 13.1).
A Páscoa de Jesus nos traz o seu Reino e sua Vida. Esta páscoa contraria a expectativa daqueles que acreditam que o poder do Filho de Deus contorna o sofrimento, a humilhação, o desprezo e morte. Somente temos acesso a seu Reino e sua Vida Eterna, se realmente cremos que naquela cruz ele pagou o mais alto preço pelos nossos pecados, o que ninguém mais o poderia fazer. Para que a nossa páscoa hoje seja libertação da escravidão do pecado, e de seu salário - a morte eterna - temos um Único Caminho, e Ele passa pela Cruz do Calvário.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Deus enviou seu Filho para que fossemos feitos seus filhos
Nunca
passei pelo constrangimento de entrar em uma festa como penetra. Penso que o
mais triste num caso como esse é que o bicão vai a uma comemoração nessas
condições ou não é conhecido do anfitrião, ou não é benquisto ali. O Natal é a
festa que talvez mais acumule penetras em todo o mundo. Milhões de pessoas
comemoram o nascimento do Filho de Deus, sem sequer o conhecer, quanto mais
relacionar-se com ele.
Em Gálatas 4.1-7, Paulo argumentando contra a tendência
judaizante que estava levando os crentes a retrocederem-se para Lei, como se
esta os pudesse salvar (Atos 15.1,5). Paulo já havia dito que a Lei funcionou
como uma prisão (3.23) e também como aio (pedagogo 3.24), pois sem Cristo, a
mesma evidenciava o domínio do pecado, e ao mesmo tempo os conduzia a ele para
a justificação. Agora, após identificar a descendência de Abraão pela fé, e também
os chamar de herdeiros da promessa (3.29), o apóstolo chama a atenção para
realidade deles enquanto menores que sob a tutela de um escravo que geria esta
herança. A lei assim também, ante da graciosa vinda de Cristo, separava os
herdeiros da promessa, fazendo-os assim como todos os demais viventes da terra.
Foi tão somente pela vinda de Jesus que os filhos de Deus alcançaram a maior
idade, podendo assim apropriar-se graciosamente da justiça de Deus para suas
vidas.
Desta forma, conforme o texto de Gálatas, o
nascimento de Jesus tem um impacto incomparável na história. Primeiro porque
ele nasceu no tempo preparado por Deus – na plenitude dos tempos – conforme já
havia sido anunciado desde o Antigo Testamento. A passagem de Daniel 2.20-45
talvez seja a que melhor expõe isso. O Deus que move os tempos, põe e depõe
reis, Ele mesmo estabeleceu impérios que antecederiam a vinda daquele que como
uma pedra cortada sem auxílio de mãos, iria fazer desmoronar todos os reinos
anteriores e estabelecer o seu próprio, sem que nunca mais este tivesse fim.
Apesar de ser nascido de mulher, ou seja, ser
homem, Jesus antes de tudo é Deus, pois é enviado por Deus. Ele sempre existiu,
pois foi enviado por Deus, e ele também fez homem, pois nasceu de mulher.
Assim, ele é o cumprimento de Genesis 3.15, quando se disse que o descendente
de Eva esmagaria a cabeça da serpente, ainda que esta lhe ferisse o calcanhar.
Jesus é Deus encarnado, que veio a esse mundo salvar o seu povo de seus
pecados, e habitar conosco para sempre (Mateus 1.21,23).
Ele veio sob a lei, ainda que fosse o seu
legislador. Foi posto debaixo da lei como seu devedor, mas nunca a transgrediu.
Fez isso para remir os que se encontravam debaixo da maldição do pecado,
morrendo a morte que não era sua, mas do seu povo que veio salvar.
Assim, somente por causa do irmão Jesus, é que os
homens são adotados por Deus, e são reconhecidamente herdeiros da promessa.
Para atestar isso, o Pai também enviou o Espírito de seu Filho, para que em
seus corações se tornasse ainda mais manifesta a sua paternidade, pois clamam
intimamente: Abba Pai. Estes já não são mais escravos, como os demais. Já não
se encontra mais sob os rudimentos desse mundo, não são mais contados entres os
escravos, mas são filhos, e tem parte em sua casa.
Só são convidados da festa aqueles que têm parte
com o Filho. A herança que recebem em Cristo é a comunhão imperdível com Deus, que podemos também chamar de Vida Eterna. Os demais podem usufruir das benesses da vinda do Filho de Deus a esse mundo, mas não são contados como da
família, nem são seus amigos. Como incontáveis penetras, podem até participar de
toda a alegria e comemoração, mas não tem parte na herança e não são filhos de
Deus.
Que o seu Natal seja não apenas uma festa, a mera
comemoração de uma data no calendário junto aos amigos e familiares, mas seja
antes de tudo a comunhão com o Filho e o com o Pai, e o gozo de sua herança
para pela eternidade.
Nasceu Leon, nosso segundo filho.
Há exatamente duas semanas, no dia 10 de dezembro nasceu Leon Barros do Amaral Taques, nosso segundo filho. Nasceu forte como seu nome, que significa obviamente Leão. Os dias que se passaram desde então pareciam ter menos de 24 horas, mas sobrevivemos. Minha linda Candice está mais radiante quem nunca.
Sendo o segundo filho, muita coisa já não é novidade, mas, ainda assim, tudo que é novo é revestido de um amor maior, de um amor que se soma. Agora experimentamos a grandeza de amar dois filhos, e desejar que eles se amem. Se com Benício pude vislumbrar um pouco do amor de Deus por seus filhos, agora penso no amor que Ele deseja que seus filhos tenham uns pelos outros. Graças a Deus Benício tem demonstrado sempre carinho e cuidado para com seu irmãozinho.
Leon se parece muito com Benício em seus primeiros dias. Sei que serão diferentes quando crescerem, e até importa que seja assim. Mas sempre serão criados no mesmo amor, debaixo da graça do nosso único Senhor e Salvador. Desta sorte minha família cresce sob a benção de Deus, mantendo-se uma com Ele.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
A Suposta Dupla Inspiração de Paulo
É possível que alguém sustente ao mesmo tempo a autoridade das Escrituras enquanto regra de fé e prática, e a falibilidade de algumas passagens, supostamente marcadas pelo pensamento de seu autor? Seria racional uma doutrina da "Dupla Inspiração" na Bíblia? Isso é antagônico, mas para alguns parece aceitável.
Li recentemente um texto no blog de Sarah Sheeva, filha de Baby Consuelo, onde se argumentava a favor do ministério pastoral feminino. Pior do que contrariar as Escrituras no que tange ao texto de 1 Timóteo 2.9-15, é a leitura que se faz de Paulo enquanto escritor inspirado. Desta forma, em conformidade com o Liberalismo, a fim de fazer a Bíblia falar o que é interessante para cada um, vale tudo, até jogar o autor contra si mesmo em algumas passagens. Já me deparei antes com esse tipo de leitura seletiva do apóstolo, e quero discorrer sobre ela em algumas passagens.
Na hermenêutica dessa turma, Paulo é inspirado quando fala algo que agrada a maioria, e retrógrado quando contraria o pensamento vigente desse século. No caso do ministério pastoral feminino, sua sustentabilidade acompanha a evolução social, tornando sua admissão um fruto do pós-modernismo. Hoje em dia é inaceitável que se diga "A mulher aprenda em silêncio, com toda submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio". Aceitável ou não, é o que está escrito há séculos, e para negar isso e extrair o que bem se quer do texto, é preciso uma manobra uma tanto quanto desonesta. Não tenho tempo aqui para me ater a cada texto sublinhado, mas quero apenas levantar a falta de coerência dos argumentos para com a doutrina da inspiração. Minha intenção aqui não é rechaçar biblicamente o ministério pastoral feminino, mas mostrar o quanto custa sustenta-lo com base em contradições bíblicas. Em um outro post posso fazer isso.
Paulo aqui é identificado pelos inimigos do texto como um refém dos seus dias. A cultura, tanto judaica como grega era avessa as mulheres, sempre as desqualificando e menosprezando. Isso é fato, sabemos que desde a queda o mundo é em sua maioria machista, e perverso para com as mulheres, mas não podemos admitir que um autor inspirado encontrava-se aqui reproduzindo um pensamento secular altamente maligno como esse. Paulo passa a ser contestado com outras passagens das Escrituras, como da criação em Gênesis, e também pelo trato que Jesus dispensou às mulheres. Os seus próprios textos são lançados contra si a partir de 1 Coríntios 11.5; Gálatas 3.28; Tito 2.3,4. É dito ainda, talvez para não desacreditá-lo ao extremo, que sua intenção não era contrariar o ensino de Jesus, mas apenas aconselhar de forma particular esse caso. Ou seja, não se tratava de doutrina, mas de um parecer pessoal que Paulo estaria dando sobre algo muito específico, sem qualquer valia maior para as demais igrejas.
Paulo escreve sim a luz das circunstâncias da Igreja de Éfeso, onde Timóteo pastoreava, mas tendo em mente a Criação e a Queda. "Porque, primeiro, foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão". Tanto a Criação quanto as circunstâncias da Queda nos apontam para uma ordem hierárquica na qual Deus criou e instituiu a relação macho e fêmea, sendo o primeiro o cabeça e a segunda sua auxiliadora idônea. Assim, Paulo não fala em nome do machismo vigente, e nem circunscrito a Éfeso, mas para toda Igreja, pautado nas Escrituras.
Paulo escreve sim a luz das circunstâncias da Igreja de Éfeso, onde Timóteo pastoreava, mas tendo em mente a Criação e a Queda. "Porque, primeiro, foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão". Tanto a Criação quanto as circunstâncias da Queda nos apontam para uma ordem hierárquica na qual Deus criou e instituiu a relação macho e fêmea, sendo o primeiro o cabeça e a segunda sua auxiliadora idônea. Assim, Paulo não fala em nome do machismo vigente, e nem circunscrito a Éfeso, mas para toda Igreja, pautado nas Escrituras.
Já vi argumento semelhante em Efésios 5.22-24, onde a submissão da mulher ao marido também é um ranço machista em Paulo. É incrível que quando em seguida o apóstolo diz aos maridos que amem suas esposas, para esses leitores seletores tudo passa a ficar bem. Ou seja, a submissão feminina é Paulo falando, o amor dos maridos é o Espírito falando. Seria como se o apóstolo se desprendesse da inspiração divina por alguns versículos, sendo logo em seguida resgatado. A visão de submissão proposta nesse tipo de leitura é conforme o mundo, e o amor dos maridos também. Para fazer esse tipo de manobra, despreza-se o padrão em Cristo e a Igreja, bem como a ideia de submissão mútua no verso 21.
Outro texto que conheço em Paulo é usado contra é em 1 Coríntios 8.4, onde se diz que "o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo, e que não há senão um só Deus". Por essa afirmação relacionada aos sacrifícios, fora dito que não existem demônios. Questionei trazendo a luz o texto seguinte de 10.20,21, onde Paulo fala sobre sacrifícios e associação com demônios, bem como seu cálice e mesa. Nessa mesma hora o apóstolo que antes havia negado "corretamente" a existência de demônios, tornou-se um refém das super tições daqueles dias. Ou seja, o apóstolo sofria de esquizofrenia, pois ao mesmo tempo que afirmava uma coisa, via outra. Paulo ali esta dizendo ao mesmo tempo que os ídolos que nada são de fato, e que nenhum direito tinham sobre a carne dos sacrifícios, eram na verdade demônios, em cuja associação os crentes em Coríntios não deviam se encontrar. Ou seja, as carnes sacrificas aos ídolos não tinham nenhum poder sobre os crentes, mas suas festas e ofertas, feitas regadas a banquetes e bebidas, não podiam fazer parte do expediente dos membros da Igreja.
Segundo essa hermenêutica do "bem me quer, mal me quer", Paulo não é um autor confiável. É preciso saber onde ele é inspirado, e onde ele é simplesmente um porta-voz de seus dias e suas tradições. Penso que se assim o fosse, certamente a passagem de Filipenses 3.1-9 também não poderia ser considerada verdadeira. Ele diz que não conservou seu currículo como hebreu, mas o considerou como refugo, algo a ser perdido, para ganhar Cristo. Paulo tinha diante de si a perfeição, cujo alvo é Jesus, na direção da qual ele corria. Seus escritos tinham essa proposta, não de confiar na sua própria carne, em sua experiência, mas na obra mediante da ressurreição em Cristo.
Assim, um problema maior se instaura quando um autor bíblico pode ser lido seletivamente. O liberalismo trata as Escrituras não como Palavra de Deus, mas como contendo a Palavra de Deus, e cabe ao leitor selecionar aquilo que lhe serve como tal. Como já disse anteriormente, ou a Bíblia é Palavra de Deus para nós, ou somos deuses para ela, e podemos assim dizer o que procede e o que não procede. Ou nos submetemos pronta e sinceramente a ela, com nossos corações dispostos a nos sujeitarmos a sua sabedoria, ou abraçamos o conhecimento deste século, e julgamos as Escrituras por seus critérios. Parafraseando Jesus: Não podemos ouvir dois senhores, ou nos submetemos a um e menosprezamos o outro, ou relativizamos tudo conforme o outro, desacreditando em um. Não se pode ouvir a Bíblia e ao mundo ao mesmo tempo.
Outro texto que conheço em Paulo é usado contra é em 1 Coríntios 8.4, onde se diz que "o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo, e que não há senão um só Deus". Por essa afirmação relacionada aos sacrifícios, fora dito que não existem demônios. Questionei trazendo a luz o texto seguinte de 10.20,21, onde Paulo fala sobre sacrifícios e associação com demônios, bem como seu cálice e mesa. Nessa mesma hora o apóstolo que antes havia negado "corretamente" a existência de demônios, tornou-se um refém das super tições daqueles dias. Ou seja, o apóstolo sofria de esquizofrenia, pois ao mesmo tempo que afirmava uma coisa, via outra. Paulo ali esta dizendo ao mesmo tempo que os ídolos que nada são de fato, e que nenhum direito tinham sobre a carne dos sacrifícios, eram na verdade demônios, em cuja associação os crentes em Coríntios não deviam se encontrar. Ou seja, as carnes sacrificas aos ídolos não tinham nenhum poder sobre os crentes, mas suas festas e ofertas, feitas regadas a banquetes e bebidas, não podiam fazer parte do expediente dos membros da Igreja.
Segundo essa hermenêutica do "bem me quer, mal me quer", Paulo não é um autor confiável. É preciso saber onde ele é inspirado, e onde ele é simplesmente um porta-voz de seus dias e suas tradições. Penso que se assim o fosse, certamente a passagem de Filipenses 3.1-9 também não poderia ser considerada verdadeira. Ele diz que não conservou seu currículo como hebreu, mas o considerou como refugo, algo a ser perdido, para ganhar Cristo. Paulo tinha diante de si a perfeição, cujo alvo é Jesus, na direção da qual ele corria. Seus escritos tinham essa proposta, não de confiar na sua própria carne, em sua experiência, mas na obra mediante da ressurreição em Cristo.
Assim, um problema maior se instaura quando um autor bíblico pode ser lido seletivamente. O liberalismo trata as Escrituras não como Palavra de Deus, mas como contendo a Palavra de Deus, e cabe ao leitor selecionar aquilo que lhe serve como tal. Como já disse anteriormente, ou a Bíblia é Palavra de Deus para nós, ou somos deuses para ela, e podemos assim dizer o que procede e o que não procede. Ou nos submetemos pronta e sinceramente a ela, com nossos corações dispostos a nos sujeitarmos a sua sabedoria, ou abraçamos o conhecimento deste século, e julgamos as Escrituras por seus critérios. Parafraseando Jesus: Não podemos ouvir dois senhores, ou nos submetemos a um e menosprezamos o outro, ou relativizamos tudo conforme o outro, desacreditando em um. Não se pode ouvir a Bíblia e ao mundo ao mesmo tempo.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
A sedução enganosa do medo
Recentemente assisti o filme "Invocação do Mal". Não consigo assistir um filme sem me ater às questões teológicas implícitas. Apesar de bastante aterrorizante, e baseado em fatos, este filme não esta entre os mais assustadores que assisti. O que me fez refletir sobre o filme, especialmente nas cenas de manifestações sobrenaturais, é como Satanás usa o medo como uma poderosa arma de sedução.
Neste filme, como em praticamente todos do gênero, manifestações sobrenaturais amedrontam as pessoas dentro e fora da tela. Em frente ao projetor, os espectadores tem a sensação de participar da história, mas apenas virtualmente. No mundo real, um caso de possessão demoníaca não seria acompanhado tão de perto por pessoas sentadas em uma poltrona confortável. O medo que sentem em segurança acaba convertido em diversão. Esse prazer quase masoquista corresponde a satisfação da curiosidade pelo sobrenatural, ainda que acompanhado de incredulidade por muitos.
O sobrenatural tem o poder de seduzir por fugir do é cotidiano. Desde os assombros mais suaves, aos mais violentos, a ideia que se tem é de que os demônios são poderosos, e podem desestruturar da vida de qualquer um. A questão é: Satanás tem todo esse poder de fato? Não sou cético quanto ao que Satanás pode fazer, quanto à manifestações sobrenaturais, e inclusive possessão demoníaca de pessoas não nascidas de novo. Mas a questão a que me refiro é se por trás de tudo que é demonstrado sobrenaturalmente se encontra um ser tão poderoso quanto aparenta.
Satanás mente até quando diz a verdade, e isso é visível em filmes de terror como esse. Muitas pessoas rejeitam a possibilidade de existência de seres espirituais como Satanás e seus demônios. Mas filmes como "Invocação do Mal", ou "O Exorcismo de Emily Rose", são baseados em relatos verídicos de acontecimentos que podem não ter explicação para céticos, mas que ainda assim não são fictícios. Assim, filmes como esses reafirmam a existência de seres sobrenaturais os quais denominamos Satanás e demônios. Mas ao mesmo tempo, conferem a essas entidades um poder quase invencível. As manifestações extraordinárias, ainda que aconteçam, fazem com que as pessoas pensem que se tratam de seres mais poderosos até mesmo que Deus, o qual, quando muito, não passa de mais um espectador nessas histórias. Assim, Satanás é apresentado acertadamente como um ser real e poderoso, mas falsamente como mais poderoso que o próprio Deus.
Esse primeiro engodo é seguido do segundo. Como Deus é completamente passivo nessas histórias, cabe ao homem combater com suas forças os poderes do mal. Satanás sempre é vencido pelo bem que supostamente existe nas pessoas, tal como o amor pela família, ou o de algum sacrifício próprio. Mesmo um ritual de exorcismo nada mais é que uma queda de braço entre o exorcista e o demônio. A ideia deísta de que Deus se ausentou do cenário do mundo permeia o pensamento destas obras cinematográficas. Tudo se resume a luta entre as forças sobrenaturais demoníacas e os sentimentos puros dos homens. No fim, os homens de bem vencem as forças do mal. Certamente essa mensagem também é agradável à platéia.
Mas a "verdadeira verdade" é muito diferente do que se apresenta em cena como essas. Deus realizou na história relatada nas Escrituras sinais muito mais extraordinários do que qualquer demônio de filme poderia encenar. Mas ainda assim, a manifestação mais poderosa já realizada se deu em uma circunstância considerada pelo mundo como sinal de fraqueza: A morte de Jesus na cruz. A Palavra diz que na cruz Jesus rasgou nosso escrito de dívida, e despojou principados e potestades expondo-os a vergonha (Colossenses 2.14,15). O que se quer dizer é que na cruz o Senhor triunfou não somente sobre Satanás e suas hostes, mas sobre o maior terror que pode abalar todo homem, a condenação na morte. Jesus venceu na cruz o terror do juízo eterna que o próprio Deus traria sobre os pecadores. Assim, o verdadeiro poder se encontra não em manifestações sobrenaturais, que ainda que possíveis, não devem nos causar temor. O verdadeiro poder se encontra em Jesus Cristo, que morreu, mas ressuscitou, e que tem as chaves da morte e do inferno em suas mãos (Apocalipse 1.18). É em seu trinfo que devemos crer e confiar, para que nenhuma manifestação satânica tire de nós a paz e seduza pelo medo.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Entre ser livre e escravo, e ser um escravo livre
É possível que uma pessoa livre seja escrava? Ou ainda, que um escravo seja livre? Apesar da antinomia, creio que a resposta é sim para ambas as questões. Assistindo ontem ao filme Serra Pelada pensei muito sobre tudo isso. Como uma pessoa livre pode se fazer escrava, e um escravo ser encontrado livre. Como de costume, não quero ser spoiler (alguém que conta o fim de um filme ou livro, um estraga prazer), e com isso me detenho apenas a sinopse do filme.
A trama é simples, dois amigos de infância saem de São Paulo no inicio da década de 80 e seguem para Serra Pelada. Um professor sem emprego, com a esposa grávida, e um fortão sem profissão. Ambos buscam o sonho dourado de ficarem ricos. Ambos se perdem nos barrancos de terra e ouro do maior garimpo a céu aberto que o mundo já conheceu.
O que me chamou atenção é como algo que deveria trazer liberdade pode fazer de alguém um escravo. Em tese, o ouro deveria tornar suas vidas melhores, mas não é o que aconteceu. Todo sonho cultivado vai por água abaixo quando se torna um fim em si mesmo. Como prometi, não falo mais nada sobre o filme a fim de não aborrecer ninguém. Vale a pena assistir não apenas pela obra em si, mas também porque é o retrato da terrível realidade, não só daqueles dias, mas de milhares de zonas de garimpo espalhadas no Brasil e no mundo.
Partindo para a alegorização desta obra (sim, podemos alegorizar um filme, mas não a Bíblia), vejo muitos barrancos de garimpos na vida das pessoas. Vejo gente que em busca de um sonho de tornar sua vida melhor, embrenhou-se em um grande pesadelo. Tornam-se escravos daquilo que supostamente lhes traria felicidade. Não vêem diante de si outra possibilidade que senão a de satisfazerem a si mesmos, ainda que isso lhes custe a própria vida. Como bem pontuou Reverendo Augustus Nicodemus sobre o texto de Romanos 1.18-32: o que buscam como prazer, Deus lhes concede como maldição.
Certa feita, falando de Jesus para uma prostituta, perguntei porque ela estava nessa vida. Ela respondeu que tinha sonhos de consumo; uma casa, carro, móveis. Disse-lhe que estava vendendo algo muito mais precioso para comprar coisas de tão pouco valor. Ou não é a vida mais que a comida, e o corpo mais que as roupas? (Mateus 6.25)
Mesmo pastores têm feito das igrejas verdadeiros barrancos de garimpo. Num desejo desenfreado de garantir-lhes a sobrevivência, escravizam outras pessoas e a si mesmos. Não lhes ocorre uma vida independente da igreja. Essa é uma frase tirada de seu contexto pode sugerir que estou dizendo que um pastor não tem direito ao salário, ou talvez que pode viver alheio ao rebanho. Nada disso! Quero dizer que a verdadeira dedicação ao rebanho do Senhor, é quando não fazemos da Igreja nossa tábua de salvação. É quando pastoreamos não por força, sórdida ganância ou por posse, mas por sujeição e submissão ao Senhor, nosso e da Igreja, na esperança de sua manifestação (1 Pedro 5.1-4).
Somente somos livres de fato quando por amor nos reconhecemos escravos de Cristo. Os escravos hebreus não podiam ser mantidos assim em Israel por mais de sete anos, a não ser que, por amor a seu senhor, deixassem sua orelha ser perfurada por uma sovela (Deuteronômio 15. 16,17). Pelo alto preço que Jesus pagou, é que uma pessoa é livre de fato, tendo sua orelha perfurada pelos pregos da cruz do Calvário. E se o próprio Filho de Deus, o Senhor do Universo, fez-se escravo quando veio a este mundo, quem sou eu para achar que posso me fazer livre?
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Sobre a bebida alcoólica e a comunhão entre os irmãos
Na escola dominical do dia 22 de setembro, por razões que me foram apresentadas de maneira ríspida e afrontosa recentemente, decidi orientar pastoralmente a igreja onde sou ministro. Me fora dito que nossa igreja encontra-se dividia, e vivendo em pecado, e que por falta de percepção minha, ou em outras palavra, por complacência, é que isto estava acontecendo. Como sei que sou falho, ainda que isso não se justificasse os termos usados pela pessoa que me acusou, resolvi falar a igreja, de maneira panorâmica, sobre 1 Coríntios.
A relevância desta epístola do apóstolo Paulo aponta para a realidade de uma comunidade que, ainda que genuinamente cristã, conforme é descrita em seus primeiros versículos (v. 1-9), apresenta uma série de desvios de conduta moral, problemas doutrinários e partidarismo. É contrastante que palavras assim possam ser ditas de um mesmo grupo de pessoas. Mas não creio que isso seja exclusividade dos crentes de Corinto. Muitas igrejas podem ser descritas assim, e desta forma, se é verdade o que me fora dito, não podia excluir aquela a qual pastoreio a dez anos. Por isso conclui que uma abordagem de todos os problemas descritos ao longo da carta, focando principalmente na questão das divisões, seria salutar para a igreja se auto-avaliar.
Comecei falando sobre o partidarismo em torno de líderes, conforme Paulo descreve a partir do versículo 10 do primeiro capítulo até o quarto. Depois falei sobre o problema moral envolvendo o adultério de um homem com sua madrasta, e a falta de disciplina no capítulo cinco. Passei pelas questões seguintes que enfocava ainda disputa judicial entre irmãos e problemas com respeito a casamento. Cheguei ao capítulo oito, quando o apóstolo passa a tratar da questão do comer carne de animais sacrificados a ídolos, e que era motivo de escândalo entre alguns irmãos. Paulo trata disso até o capítulo dez, esboçando que ao mesmo tempo que o crentes são livres para comer qualquer tipo de alimento, eles não devem causar escândalo àqueles que não aceitam essa dieta. Também ao fim desta abordagem, Paulo deixa claro que essa liberdade de comer não deveria ser acompanhada da ideia de que participar das festas pagãs, onde os animais eram sacrificados, seria algo aceitável. Nesse ponto da exposição aos irmãos, a carne sacrificada transformou-se na questão relacionada a ingestão de bebida alcoólica, e um cenário talvez muito próximo daqueles dias na igreja de Corinto se formou nesse domingo.
Argumentei que a Bíblia em nenhum momento proíbe a ingestão de bebida alcoólica, mas sim a embriagues e o escândalo aos que não compreendem essa liberdade. A igreja se dividiu entre os que concordam, e aqueles que discordavam. O argumento predominante dos abstêmicos do álcool, era de que é praticamente impossível que alguém beba sem ficar bêbado. E também que era impossível beber sem ser pedra de tropeço para outros. Deixei claro que se beber era sinônimo de embriagues, Jesus teria sido um alcoólatra, como de fato o consideravam os de sua geração (Mateus 11.19). Mais triste ainda foi ouvir que ir a um bar era a mesma coisa que ir a um prostíbulo, equiparando a ingestão de bebida a prostituição.
O estudo não seguiu bem dai por diante, pois ainda que tenha passado pelos problemas seguintes na carta (mulheres insubmissas, irreverencia na santa ceia, soberba em torno dos dons e incredulidade quanto a ressurreição de mortos), tudo emperrou na questão da bebida. Por mais que explicasse que em si, beber bebida alcoólica não era pecado uma vez que a própria Escritura atesta seu uso não de forma condenatória em alguns textos (Salmo 104.15; Provérbios 9.5; Eclesiastes 9.7). É bem verdade que alguém possa até argumentar que o vinho é uma bebida permitida, mas que outras não. Isso seria um contrassenso, uma vez que o próprio vinho tem teor alcoólico maior que de outras bebidas. Mas há os que podem dizer que o vinho da Bíblia não passava de suco de uva, sendo essa mais uma falácia. Se fosse apensa suco de uva, não havia necessidade de advertências sobre os perigos de embriagues (Provérbios 23.20; Isaías 5.22). A própria ceia em Corinto estava sendo vilipendiada por pessoas que abusavam do vinho que era usado na ocasião (1 Coríntios 11.21).
Sei que a questão relacionada a bebida esta profundamente arraigada em nossa cultura evangélica herdada dos Estados Unidos do período da lei seca, e que por isso trata-se de algo impensável entre os crentes. Ouvi dizer que certa feita Francis Schaeffer observava o debate entre seus alunos sobre essa questão, e que notou que o problema maior era que os abstêmicos queriam convencer aqueles que bebiam a ser como eles, e assim a recíproca também era verdadeira. O grande dilema em tudo isso é perceber que as pessoas não estão preocupadas com o que a Bíblia diz, mas com o que serve para elas. Em nenhum momento disse que as pessoas devem beber pelo simples fato de que lhes é lícito. Em nenhum momento encorajei as pessoas a experimentarem bebida alcoólica. Mas procurei ser fiel as Escrituras, e nada acrescentar a ela como fardo. É nítido que o pecado da embriagues é condenável (1 Coríntios 6.10), assim como o tropeço (1 Coríntios 10.32). É sobre isso que devemos nos ater a fim de admoestarmos os irmãos, e não sobre o uso moderado de bebida alcoólica.
Apesar de não me arrepender do que ensinei, pois até então não fui convencido biblicamente do contrário, me entristeço com algumas pessoas que ainda encontram satisfação em ver a igreja dividida. O mal que procurei combater por meio da pastoral, manifestou-se entre alguns irmãos, de maneira que se não havia facções, surgiram. As divisões sempre ressaltam o que as pessoas acham de si. Tanto aqueles que se alinhavam a nomes, como aqueles que usavam os dons para sua própria exaltação, formam ao seu redor partidos que promovem a si mesmos, e não a Cristo. E se alguém se julga mais santo que outros, seja porque não bebe, ou mais entendido porque ser capaz de beber sem se embriagar, já com isso fragmentou a cruz que une a igreja.
A cruz que salva nos submete uns aos outros, e desta sorte por amor a Deus devemos buscar a unidade da Igreja. Não somos um estado democrático, não podemos causar essa unidade por qualquer tipo de conveniência dos que parece melhor a maioria, mas tão somente o Espírito de Deus pela sua Palavra é que nos une em amor. Assim sendo, que o Senhor da Igreja nos ajude a amá-lo acima de todas as coisas. Que a bebida não sirva de tropeço para os que dela fazem uso, e nem para os que não fazem. Se amamos ao Senhor, amamos ao nosso próximo, seja ele alguém abstêmico ou não.
Assinar:
Postagens (Atom)





