segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sobre Guerras e Rumores de Guerras

E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Mateus 24.6


Que poder existe no mundo maior que o das guerras? Elas ceifam milhares de vidas, sejam de soldados ou de civis. Abalam a economia, transformam cenários urbanos em ruínas. Ninguém fica indiferente às guerras.
Guerras entre os povos sempre existiram. Para quem está longe do núcleo de conflito é muito difícil entender porque coisas aparentemente tão simples desencadeiam em tamanha destruição. Só pensamos assim porque nos esquecemos do quão corrompido é o nosso coração. Se sozinhos somos capazes de atrocidades pelo que julgamos justo aos nossos olhos, que dizer de um exército. São coisas pequenas, medíocres, dos seres humanos que trazem grande destruição.
Havia paz quando Jesus falou sobre guerras e rumores de guerras. Na Palestina daqueles dias Roma dominava sobre o mundo civilizado, e, pelo preço dos impostos, os judeus viviam pacificamente. Mas a Pax Romana podia ser descrita como na música contemporânea: "paz sem voz não é paz, é medo". Jesus anunciou que daqueles dias em diante, nos Últimos Dias, haveriam guerras e rumores de guerras, e assim se cumpriu.
O domínio romano ruiria em poucos séculos, mas não apenas de César, mas de todos impérios da Terra, conforme Daniel interpretou no sonho de Nabucodonosor (Daniel 2.44, 45). Uma vez que o Reino dos céus se estabelece sobre a Terra, e seu evangelho é anunciado, as guerras são inevitáveis, e propositais. As trevas odeiam a luz, a terra não quer sucumbir aos céus. Mas a luz dissipa as trevas, e a terra é subjugada pelos céus. Ao longo de séculos o mundo tem sido subjugado pelo reino de Cristo, as evidências disso estão não própria reconfiguração sofrida entre os povos. O Cristianismo não só derrubou Roma com auxílio da avidez dos bárbaros por se tornarem "romanos", derrubou as matrizes de um mundo dominado por homens que acreditavam serem deuses. O Cristianismo proclama o Deus-Homem como supremo Senhor de todas as coisas, e chama os homens para crerem nele tornando-se irmãos. O Cristianismo exalta o Senhor do Universo que se fez servo, e chama aqueles que se acham senhores de qualquer coisa para servirem. Uma sociedade mais justa e igualitária em comparação aos séculos anteriores foi edificada sobre esse alicerce. Mas existem aqueles que ainda querem insurgir contra isso.
Que poder há no mundo maior que o das guerras? O poder do evangelho do Senhor Jesus Cristo. O poder de dar a Vida ao invés de tirá-la. O poder que não sucumbe às essas guerras, mas que as tornam necessárias como apontamento de que a verdadeira paz não se encontra sob o governo dos homens, mas no Reino do Filho de Deus. Mais poderoso do aqueles que dominam com terror sobre os demais homens, Jesus domina com amor sobre o coração daqueles que reconhecem seu senhorio. Ele não apenas venceu a morte exterior, mas deu vida em abundância quando nos resgatou do poder do pecado. Esse é o poder triunfou para sempre, e eternamente, amém.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sobre a Parada Gay, Iconoclastia e a Desfiguração da Imagem de Deus

Antíoco Epifânio 215- 162 a.C 
Vejo multiplicar-se na rede as fotos da Parada Gay desse último fim de semana em São Paulo, com imagens de um transexual caracterizado como Jesus crucificado. Com essa e outras imagens iconoclastas, observo também as manifestações de indignação de muitas pessoas. Percebo o quanto isso ofendeu a muitos, tanto evangélicos como outros seguimentos religiosos. Apesar do repúdio a essas práticas agressivas a fé, questiono a natureza da indignação a essas coisas.
Quero que fique claro de início que não defendo nenhuma anistia aos crimes de intolerância religiosa. Creio que os que praticaram tais ultrajes devem enfrentar os rigores da lei sobre seus feitos. Existe uma evidente incoerência entre o que exigem e o que praticam. Falam em respeito e tolerância às pessoas e suas práticas, mas não demonstram nenhum respeito ou tolerância a fé das outras pessoas. O que fazem em eventos como os da Parada Gay, e em outras ocasiões semelhantes, não somente é crime, como também de uma estupidez sem tamanho.
O que questiono mais incisivamente aqui é o sentimento que verdadeiros cristãos devem ter sobre tais manifestações dos movimentos homossexuais. Como devemos encarar tais ofensas e provocações de grupos sexualmente invertidos?
Parto de uma primícia simples: Nada que um homossexual faça em suas performances iconoclastas, ou seja, com o intuito de ofender a religiosidade cristã, é mais grave que o próprio homossexualismo em si. Homens ou mulheres homossexuais que se amarram em uma cruz, que se caracterizam aparentemente como Jesus, ou como santos católicos, não ofendem mais a Deus do que quando entregam seus corpos a desonra (Romanos 1. 26,27). Ao ofenderem a religiosidade alheia, o fazem somente aos sentimentos que alguns nutrem sobre ícones de sua fé. O que quero dizer com isso?
Não sou católico, e por isso não tenho nenhuma relação com qualquer imagem que se possa confeccionar de algum de seus santos. Com isso, tenho que ressaltar o que já disse: não endosso nenhum tipo de crime de intolerância e desrespeito a religiosidade de outrem. Como disse, isso merece o rigor da lei.
Mas o que dizer do uso da "imagem" de Jesus e da cruz? Cabe aqui algum tipo de indignação pessoalNão seriam símbolos da fé cristã vilipendiados? Não.
Um homem com barba e cabelo cumprido representa tanto Jesus quanto um punhado de algodão pode representar uma nuvem. Em outras palavras, você imaginar alguma semelhança entre ambos, mas simplesmente isso não faz com um represente o outro. Concebemos que Jesus tinha essa aparência por uma sacramentação histórica, mas isso não faz dessa caracterização a imagem de Cristo. A representação de Cristo que temos, e isso como ordenança dele próprio, é no pão que simboliza seu corpo, e no cálice, que aponta para seu sangue. Não posso por isso me sentir ofendido em lugar de Deus com alguém que se vista assim, ainda que sua óbvia intenção seja a de ultrajar Jesus Cristo.
E quanto a cruz? Afinal ela é parte vital da mensagem cristã. Sim, o madeiro é o lugar da expiação dos nosso pecados, é a prova do amor de Deus para com o seu povo. Mas não podemos tomar o objeto cruz como algo sacramentado em nós. O "escândalo da cruz" é outro (1 Coríntios 1. 18,23). Uma cruz ou um crucifixo em si não comunicam o evangelho. E, sendo assim, não imagino que Deus se ofenda com seu uso indevido.
A história nos conta de Antíoco Epifânio  em 167 a.C profanou o Templo em Jerusalém, sacrificando animais imundos e introduzindo ali imagens de Zeus. Isso evidentemente era uma afronta ao Deus de Israel, mas ainda assim, era não só previsto (Daniel 11.31; 12.11), como também proposto para apontamento dos Últimos Dias (Mateus 24.15). Se Deus não entrou em "crise" com o sacrilégio praticado em seu Templo, que foi estabelecido por ele mesmo em toda sua estrutura, será que Ele estaria indignado pelas performances porcas praticadas por homossexuais em seus desfiles para a morte? Imagino que não.
Creio que a justa indignação do Criador se volta contra a homossexualidade em si, sendo isso afirmado nas Escrituras (Romanos 1.18, 28-32; 1 Coríntios 6.10; Apocalipse 22.15). Essas pessoas estão de fato desfigurando a semelhança de Deus, uma vez que foram criados macho e fêmea, à imagem do Criador foram criados assim (Gênesis 1.27). A homossexualidade é uma afronta nevrálgica a ordem da criação, e, por isso, passível do juízo de Deus. Penso assim que não podemos nos indignar mais com caracterizações ultrajantes, do que com as ofensas diretas a Deus em sua imagem e semelhança. Parafraseando o ditado repulsivo: O que é um pingo d'água para quem já está encharcado?
Um outro ultraje maior, e passível de repulsa daqueles que amam a Deus é a torção das Escrituras. Sejam aqueles que justificam seu pecado pela Palavra, tornando o mal em bem, as trevas em luz, e o amargo em doce, bem como aqueles que se autopromovem como semi-deuses (Isaías 5.20). Usar Bíblia distorcidamente é uma afronta ao Senhor, é a quebra do terceiro mandamento "Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão" (Êxodo 20.7). Sinto uma grande ojeriza por esses que o fazem assim, sejam os militantes gays ditos evangélicos, sejam os pastores mercadores da Palavra. Para mim são inimigos de fato (Salmo 139.22). Vejo estes como os judeus descritos em Romanos 2.24, sendo eles a causa de blasfêmia contra o Nome de Deus.
Devemos assim ter maturidade a luz da Palavra para tratar com movimentos invertidos como esses. Devemos ter o foco no que realmente tange a Deus e sua Palavra. O que simplesmente ofende aos homens, pode até ser tratado na esfera jurídica, mas não pode causar tanta indignação quanto ao que afronta o Criador. 
A Palavra nos conclama a vencer o mal com o bem (Romanos 12.21). A arma poderosa que temos contra toda perversão, inclusive a sexual, é a pregação do evangelho, anunciando o amor de Deus em Cristo, o chamado ao arrependimento, e a anunciação do justo juízo sobre todo pecado. Nosso zelo deve estar sobre a Palavra e o que ela nos diz a respeito de Deus e do ser humano. E é dela que também devemos depender na guerra contra esse mundo que jaz no Maligno (1 João 5.19).   

quarta-feira, 18 de março de 2015

Preparando-se para o pior trocando fraldas.


Se tem uma coisa que "odeio com ódio consumado" é trocar fraldas sujas de cocô. Faço exclusivamente por causa do amor que tenho pelos meus filhos. Se alguém puder me substituir nessa árdua tarefa, por vezes não rejeito a ajuda. Mas, por outro lado, penso que existe algo pessoalmente construtivo nesse "trabalho sujo", além, é claro, da higiene necessária. Tenho aprendido muita coisa desde o nascimento do Benício observando seu crescimento e também desempenhando as responsabilidades que me concernem como pai. Com o Leon não é diferente. Hoje mesmo, trocando sua fralda, me peguei avaliando a importância que isso tem para o nosso futuro relacionamento.
Graças a Deus que as crianças normalmente crescem e começam a desempenhar suas responsabilidades pessoais sozinhas. Ir ao vazo sanitário, tomar banho, e também comer, já não são tarefas que requerem o acompanhamento dos pais. Existe a exceção daquelas crianças que tem alguma deficiência, e que por isso precisam de cuidados por toda a vida. Nisso também é provado o amor de seus pais, pois só quem ama vê a "viabilidade" do que para outros parece inviável. Mas aqui quero me ater a regra pela qual o ser humano cresce e torna-se capaz de por si mesmo cuidar do próprio corpo.
É uma alegria e uma alívio constatar que as crianças seguem o curso natural da vida, e aprendem a se virar. Mas seria essa independência absoluta? Estaríamos livres das "fraldas de cocô" que odiamos para sempre? A verdade é que sempre tem alguma "fralda suja" para ser trocada ao longo da vida. Algo que não gostamos de fazer, mas que o fazemos pelo simples fato de amar nossos filhos. É como diz o ditado "por amor ao santo se beija o andor".
Em cada fase da vida, da infância a idade adulta, até onde formos capazes de acompanharmos com alguma disposição física e mental, testemunharemos atitudes de nossos filhos que nos forçarão a intervir com o mesmo cuidado e amor que dedicamos nos seus primeiros anos ao trocarmos suas fraldas. Todavia, diferente do tipo de sujeira do princípio, as circunstâncias que surgem ao longo da vida, que não são de natureza fisiológica, mas condutas, ideias e comportamentos que não se desfazem de maneira tão simples. Isso tem implicações maiores em seu tratamento.
A primeira implicação sobre isso é que essas questões, em sua maioria de natureza moral, não se solucionam de imediato. Fralda suja e cocô são eliminados facilmente no lixo e com água. Mas, uma vez crescidos os filhos, certamente tomarão algumas decisões erradas, ou pecaminosas com quais precisamos lidar com mais tempo. Faço diferença aqui entre o que chamo de decisões erradas e o que é pecaminoso. O primeiro são escolhas que contrariam a experiência pessoal dos pais, e que entendemo que não são as melhores, mas que ainda assim não são em si mesmas contrárias aos absolutos da Palavra de Deus. O pecado por sua vez não é relativo ao que achamos melhor, mas é a transgressão da Lei, algo a que devemos nos opor veementemente, sem complacência.
Também, devemos considerar que assim como é provável que tais contrariedades não são eliminadas com facilidade, podem não ser eliminadas nunca. Somos pais, não programadores. Ensinamos quando e o quanto é possível, mas isso não quer dizer que os filhos aprendem sempre. E se não aprendem, o que nos resta a fazer quando forem maiores, responsáveis por sua vida? Não vejo nesse espaço condições para responder isso, até porque não é essa minha proposta agora. Isso também não seria possível uma vez que não estamos tratando de nada específico.
Por fim, a dificuldade existe porque é um processo continuo, um treinamento sempre. Somos ensinados a amar nossos filhos desempenhado funções que não gostamos. O amor que temos não é algo pronto, mas sendo provado ao longo da vida, cresce a medida que somos chamados a enxergar o outro muito além daquilo que nos agrada. Lidar com aqueles que nos ferem, ou ferem princípios que defendemos, é relativamente fácil quando se trata de pessoas distantes. Mas quando aqueles que amamos, que comem do nosso pão "levantam contra nós o calcanhar", tudo é mais difícil (Salmo 41.9). Se amamos de fato, precisamos aprender a lidar com as circunstâncias que nos contrariam, sabendo que não se faz como quem joga uma fralda fora. Mas inicialmente treinamos com essas fraldas, com noites em branco. Tudo que hoje nos contraria por questões de ordem natural, amanhã servirá para nos fazer lembrar que o amor não é um sentimento, uma sensação sempre boa, mas um verbo a ser conjugado, e que nem sempre nos faz sentir bem.      

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ora et labora - Orar e denunciar o mal feito pelo governo


Tenho visto algumas pessoas conclamando os irmãos a orarem pela presidente da República, Dilma Rousseff  ao invés de criticarem. Fazem bem estimulando outros a orar, mas creio que a censura a crítica deve ser ponderada. Necessariamente uma coisa não anula a outra. E, ainda, dependendo das circunstâncias, uma coisa leva a outra. O lema beneditino evidencia isso, que a oração não anula o trabalho. A Igreja deve orar, mas também deve laborar.
São as Escrituras que nos conclamam a respeitar as autoridades (Romanos 13.1-6), e também orar por elas (1 Timóteo 2.1, 2). Todo cristão deve se submeter a esses mandamentos, seja qual for a autoridade constituída sobre o povo. Em outras palavras, devemos orar e  nos submetermos a governantes justos ou injustos. Isso é evidente pelo próprio contexto histórico de quando Paulo escreve essas palavras: eram os dias do Imperador Nero. Sem contar que ele não especifica que um governador bom é o único pelo qual se deve orar ou submeter-se. Sempre houve injustiça e corrupção no governo, isso antes de Paulo e depois, e ainda assim ele não faz ressalva a quem se submeter ou por quem orar. A verdade é que devemos orar pelas autoridades, e nos sujeitarmos a elas, mas não a injustiça. Enquanto esses governantes não nos ordenam nada contrário a Palavra de Deus, devemos prestar-lhes obediência.
Mas seria somente esse o nosso papel enquanto cristãos? Orar nos impede de denunciar o pecado? A Igreja deve servir também como consciência do Estado, chamando-o ao arrependimento de seus pecados.
Desde o Antigo Testamento os profetas desempenhavam esse papel. Mesmo o último dos profetas da Velha Aliança, João Batista, não se furtou de chamar ao arrependimento o rei Herodes, denunciando seus pecados. A obra de anunciar o Cristo não o impediu de denunciar pecados, tantos das autoridades como do povo.
Os evangelista Marcos e Mateus fazem uma observação indiretamente crítica às autoridades da época, dizendo que o povo era como "ovelhas que não têm pastor" (Mateus 9.36; Marcos 6.34). Esta expressão emprestada do A.T aponta para a falta de liderança, ou, ainda pior, líderes corruptos.
Os apóstolos Pedro e João, diante das autoridades do povo, não se deixaram de denunciar o pecado de assassinarem a Jesus, como o fizeram com o povo (Atos 2.23; 4.10).
Apesar de me opor politicamente ao atual governo do meu país, não me furto de orar pelos governantes, e isso inclui a presidente da república. Ensino isso a minha igreja todas as quintas feiras na reunião de oração. Mas não posso fechar os olhos para os desmandos, os crimes e toda ideologia nefasta que tem vigorado nos últimos anos. A questão é maior que um partido político, trata-se de uma agende para a desconstrução de valores. Trata-se da inversão do certo pelo errado.
Todas as oportunidades que tive de conversar com políticos, falei da necessidade de que entreguem suas vidas a Deus para fazerem um governo justo. Falei que precisavam confiar em Deus, pois não foram homens que os colocaram lá. É a Ele que no fim prestarão contas.
Sei que muitos crentes do estilo "Jesus te ama" não tem coragem de denunciar o pecado, e se escondem por trás do "vamos orar e não criticar". Sei também que muitos criticam e não oram, e isso é igualmente errado. Mas creio que orar e denunciar pecados são igualmente funções da Igreja para com o Estado. Orar sem se posicionar contra o errado é como endossar o pecado, ou até mesmo negar a responsabilidade daqueles que o têm praticado.
Orem pela presidente do país e demais autoridades, mas não fechem os olhos para o que está errado. Orem por eles não só para que governem bem, mas para que se arrependam de seus pecados. Orem pelo povo oprimido socialmente, mas igualmente corrupto, para que seja libertos de seus grilhões, principalmente os da morte, a saber, a iniquidade.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O Natal do Alto ao Baixo


A época do Natal tende a elevar o espírito das pessoas de uma forma especial. É o que chamam "Espírito Natalino". Os homens são tomados de em um tipo de ternura, onde o amor ao próximo parece ser algo intrínseco ao ser humano, e isso faz com que se sintam melhores consigo mesmos. Mas as Escrituras nos dão outra perspectiva do Natal. O Evangelho nos aponta outro sentido para esse evento histórico, que não eleva os homens até Deus, mas que na verdade revela que Deus desceu até os homens.
O Natal, antes de tudo, é Deus fazendo-se homem. É o Filho de Deus se encarnando. Nosso pai Adão, no Éden, pensou que podia torna-se semelhante a Deus, e com isso pecou. Mas o Filho de Deus, por causa do pecado, fez-se homem para nos salvar.O orgulho e o amor próprio de Adão fez acreditar que podia ser divino, mas, com amor e humildemente, Deus Filho fez-se humano.
O Natal também nos conta a história do nascimento do Rei dos reis. Porém, não conforme a ostentação dos reinos da Terra. O Filho de Davi foi a Belém, sua cidade, para nascer, e não foi recebido por nenhum de seus habitantes. O que lhe restou foi uma estrebaria, e seu berço foi um cocho. Os reis da terra são recebidos nesse mundo com honrarias de chefe de Estado, contudo, o Rei dos Céus e de toda a Terra não foi recebido da mesma maneira. As boas vindas e os louvores que lhe foram dados vieram de humildes pastores, instruídos por anjos sobre sua chegada.
O Natal revela que o nascimento de Jesus não foi acompanhado propriamente de paz e alegria, mas de morte e perseguição. Mesmo sendo ainda uma pequena criança, frágil e aparentemente inofensiva, Herodes, o rei dos judeus por arranjo político, temia perder seu trono para ela. A vinda dos magos até Jerusalém trouxe alvoroço, e um eminente conflito político, afinal, o verdadeiro Rei do Judeus, o recém-nascido Jesus, e não Herodes, é que deveria ser adorado. O resultado disso, após frustradas as artimanhas do falso rei em saber o paradeiro do menino por meio dos magos, foi a morte das crianças com menos de três anos. Mas nada disso impediu que aquele gentios adorassem o verdadeiro Rei.
O Natal das Escrituras sempre vai contraria esse chamado "Espírito Natalino. O nascimento de Jesus aponta para o fato de que os homens são pecadores, e que nada podem fazer para salvarem a si mesmos ou a outros. Jesus é o nome dado àquele que veio "Salvar o seu povo do seu pecado". Ele é o Filho de Deus que se fez homem, para que, pela fé em seu Nome, os homens fossem feitos filhos de Deus. Um natal que não aponta essa verdade é apenas um porta-voz da velha mentira da Serpente: Que os homens são autossuficientes, dignos, e que podem se orgulhar de sua própria bondade e justiça. Um natal que promove um espírito diferente daquele que testifica o nosso pecado e a necessidade de salvação no nome de Jesus, não revela o nascimento mas a morte. O Natal descrito na Bíblia fala de Jesus Cristo, o Filho de Deus que nasceu conforme as Escrituras, para cumprir o plano redentor do Pai, Esse Natal exalta Aquele que é digno, e que também é por isso chamado de "Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz”.
Longe de nós um natal baixo, de homens que se julgam melhores e mais dignos de atenção que o próprio Filho de Deus. Seja o nosso Natal Alto e Sublime, de cima, de Deus para a salvação dos homens, pela mediação única e exclusiva do Senhor Jesus, o Messias prometido. Este é o verdadeiro Natal, que nos foi entregue segundo os Evangelhos.

E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sobre Riva e corrupção na política e do cidadão comum


Ontem foi indeferida no TSE a candidatura de Riva ao governo de MT. Ele é o maior ficha suja do Brasil, mas ainda acreditava na possibilidade de ser eleito. Creio que o que faz ele acreditar nisso seja um certo pensamento corrente entre os que o defendem.
Muitos que defendem Riva partem de dois pilares: (1) "Ninguém na política é santo" - assumindo assim que Riva é só mais um corrupto como todos. E também, (2) "Ele ajuda as pessoas, não deixa os companheiros na mão". Vamos analisar isso, não só para com o ficha suja em questão, mas para com a mentalidade política do brasileiro em geral.
Quanto ao primeiro pilar, penso que quem defende isso já admitiu a corrupção como modus operandi da política, e que este é um mal necessário. Como se fosse da natureza política a corrupção e a desonestidade. Tal falta de fé e entendimento é muito triste, é como admitir (como de fato já acontece hoje) que o banido tem direito a ser bandido, e assim, direito de praticar atrocidades.
Mas se todos são corruptos, o que faria com que Riva sobressaísse aos demais políticos que são como ele? Partimos então para o segundo pilar.
"Não deixar os companheiros na mão" é legislar então em causa própria, e isso deixa o defensor na mesma condição do corrupto, só que passivo. Pois se mesmo sabendo que o corrupto é corrupto, ainda assim recebe dele algum benefício, se alia a ele na causa da corrupção. Isso fortalece o primeiro pilar, o de que "ninguém é santo", com a conduta do próprio proponente. De fato, isso torna a corrupção na política como um vírus, onde o corrupto ativo infecta o passivo.
É sabido e notório que na política há muita corrupção (especialmente no Brasil). Mas ainda é preciso se pautar pela razão da existência da política, ou seja, das relações entre cidadãos, da organização e do governo dos mesmos. Não pode ser admitido como instrumento de corrupção, mas de ordem. E se não vemos muitos exemplos de políticos honestos por ai, não sejamos nós mesmo mais exemplos de corrupção.

domingo, 20 de abril de 2014

Jesus não se encontra entre os mortos


As mulheres que foram ao encontro do corpo de Jesus para embalsamá-lo após sua morte se depararam com uma grande surpresa: Ele não estava mais em seu túmulo. Estas mulheres, seguidoras de Jesus e que serviam seu ministério com seus bens (Lucas 8.2-3), não o abandonaram em suas últimas horas, como a maioria de seus discípulos, sendo João a exceção. Elas acompanharam a tudo, até o seu sepultamento na sexta-feira a tarde, e guardaram o sábado para no domingo muito cedo ir terminar o serviço de preparação de seu corpo (Lucas 23.49,55- 24.1). José de Arimatéia e Nicodemos já haviam provido lençóis com óleos aromatizados (João 19.38-40), mas provavelmente não houve tempo para que o corpo fosse preparado para abrandar o processo de decomposição. Por isso, muito cedo, e sozinhas, essas mulheres foram ao sepulcro.
A disposição delas é notável, uma vez que sabiam que a pedra era pesada, e que não poderia ser removida se não por homens (Marcos 16.3), mas ainda assim seguiram sua missão para com seu Mestre que lhes parecia estar morto. Ao chegarem lá, não só a pedra estava removida, mas também dois anjos estavam sobre ela, e o corpo já não se encontrava mais ali. Lucas registra a fala dos anjos em um tom mais áspero, ainda que não conflitante com os demais relatos. Eles questionaram a ida daquelas mulheres ao túmulo justamente por pressuporem que elas deveriam saber que Jesus não poderia ser encontrado entre os mortos: Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não esta aqui, mas ressuscitou.
De fato, a intenção daquelas mulheres era altamente nobre, mas revelava ao mesmo tempo sua incredulidade para com as palavras de Jesus sobre sua morte e ressurreição (Lucas 24.5-7). Em uma aspecto prático, elas ainda estavam melhor que os discípulos, que sequer foram ao túmulo auxiliar na remoção da pedra. Mas mesmo assim elas buscavam agora servir a Jesus como a um morto, quando na verdade ele estava já vivo.
Muitas pessoas tem uma visão semelhante de Jesus, como se ainda estivesse entre os mortos. Fala-se nele como um vulto histórico, alguém de grande impacto por suas lições e exemplo de vida, mas que, ainda assim, em nada interfere pessoalmente em nossas vidas hoje. Jesus nessa perspectiva não ressuscitou de fato, mas entrou para história como um símbolo, estaria vivo tão somente naquilo que se pode apreender de sua passagem por esta vida.
Mas as palavras contundentes dos anjos nos dizem que ele não podia ser encontrado entre os mortos, que ele não estava ali: ele ressuscitou! Cremos nisso porque a sua própria Palavra assim já havia predito. Cremos assim porque Ele é Deus, e tem todo poder para vencer a morte. Cremos assim porque Ele é a própria Vida, e por isso não podia ser contido pela morte (Atos 2.24).
Ele ressuscitou de fato, não como um símbolo. Considerá-lo assim seria o mesmo que dizer que a mensagem cristã é um grande embuste histórico. Ele ressuscitou fisicamente, e esteve diante das mulheres que o seguiam, dos apóstolos, seus discípulos e Paulo (1 Coríntios 14.4-8). Sua ressurreição é a nossa esperança sobre a morte, pois se não tivesse ressuscitado de verdade, viveríamos não somente na mentira, mas ainda na morte. Somente os que ainda estão mortos na incredulidade, buscam a Jesus entre os mortos. Aqueles que dele receberam Vida Eterna, creem que Ele ressuscitou, e que vive para sempre.