sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Otimismo sobre o Pessimismo

Hardy Har Har - hiena pessimista

Dizem que um pessimista é um otimista experiente. Sei que parece um pensamento duro, intragável, mas pode-se ponderar sobre isso. Para dizer a verdade, nunca me vi como um ser otimista, na maioria das vezes sempre olhei para as coisas por uma perspectiva mais negativa. Mas, paradoxalmente, era mais otimista assim, por perceber depois que os fatos não eram tão ruins quanto aparentavam. Logo, minha questão não chega nem a querer ser otimista ou pessimista, mas admitir que as circunstancias ainda não são tão ruins quanto pode vir a ser. E, sendo assim, é bom salientar que a Palavra de Deus é quem diz que elas vão piorar. Contudo, não digo com isso que a Bíblia é pessimista.
A perspectiva escatológica até a volta de Jesus é de que o mundo caminha literalmente para a Grande Tribulação. Os sinais que antecedem a vinda do Senhor não são nem de longe animadores - falsos Cristos e profetas, guerras, terremotos, fomes, perseguição aos cristãos, escândalos, traições, ódio e iniquidade. Esses sinais, como ressalta Jesus, ainda não são o fim, mas apenas o princípio das dores (Mateus 24.3-13). Em outras palavras, estes dias não são tão ruins quanto ainda serão. O que virá após esses sinais é um tempo tão terrível como nunca antes e nem depois haverá (Mateus 24.21).
Isso pode parecer desesperador, imaginar que por pior que as circunstâncias já se encontram, elas se tornarão mais terríveis ainda. Mas, há um dado neste último versículo que já é alentador. Quando se diz "e nem haverá jamais" entendemos que esse tempo de tribulação ímpar não se estenderá perpetuamente. Encontra-se ai uma promessa de que por pior que seja a Grande Tribulação para a qual a humanidade caminha, ela será final para os crentes em Cristo, pois antecede a nossa redenção derradeira. Lucas 21.28 nos diz nesse mesmo contexto que devemos "exultar e erguer nossas cabeças, pois nossa redenção se aproxima." De fato, por piores que sejam as circunstâncias, hoje ou depois, temos uma Palavra de vitória de que o Cristo que ressuscitou voltará para buscar o seu povo, aqueles que nele esperam. Ele já venceu a morte, e disse que nos prepararia lugar junto ao Pai. Assim, apesar de sua aparente demora, devemos ter em mente o seu propósito para com os eleitos se cumprindo até sua vinda (2 Pedro 3.9).
Assim, ao invés de pessimistas, devemos estar certos e confiantes diante de tudo que se encontra em nosso derredor. O mal que tem se avolumado sobre o mundo não está solto, entregue a si. Sabendo que estas coisas já eram previstas pelo Senhor Jesus, de maneira que ninguém pode dizer-se pego de surpresa. E ainda, que todas estão sob o controle e o propósito de Deus, para anteceder a sua vinda.
Que Deus nos ajude!

sábado, 13 de abril de 2013

Um Caso de Simples Coerência - Homossexualismo e Pedofilia

"Um abismo chama outro abismo..." Salmo 42.7

Vivemos no cenário mundial uma profunda crise de valores morais, acentuadamente em relação a sexualidade. Práticas outrora segregadas ao mundo pagão, dos dias da Roma antiga, são cada vez mais reafirmadas como legítimas e dignas de aceitação popular. O homossexualismo, tão enaltecido por filósofos gregos, hoje conta com os mesmos argumentos de sustentação e os louros da aclamação do povo.
Já foi dito recentemente que os héteros tem esse "comportamento conservador" por uma simples convenção social, ou seja, por uma estabilidade familiar, ao passo que os homossexuais se lançam à paixão, em um tipo de verdeiro amor, por se relacionar com quem não se espera nenhum tipo de estabilidade social, mas tão somente o sentimento que se nutre um pelo outro. Ironica e incoerentemente, com essa fala, eles buscam junto ao Congresso, benefícios de uma relação amparada pela Constituição, a saber, o casamento, ou a recente união estável.
No passado, o pensamento de alguns filósofos era de que a relação entre um homem e uma mulher tinha apenas a função fisiológica de procriação, e que o verdadeiro amor se dava entre homens, posto que estes eram mais evoluídos e confiáveis entre si. A mulheres, segregadas nessa relação, buscavam consolo em relações igualmente homossexuais. Tudo muito parecido com os nossos dias.
Mas há um outro dado tenebroso daqueles tempos, que por enquanto ainda é passível de resistência de uma parte maior da população: a pedofilia. A iniciação de meninos na prática homossexual era algo igualmente aceitável na cultura da Roma antiga. Hoje, ainda existe uma certa resitência da sociedade quanto a pedofilia, uma vez que ultraja os valores tradicionais quanto a integridade das crianças. Mas a caminhada para se chegar a sua aceitação já começou à décadas, e vem se firmando às sombras dos movimentos homossexuais por intermédio de seus argumentos e alguns militantes. Uma simples leituras das descrições de associações como a NAMBLA - North American Man/Boy Love Association (Associação Americana pelo Amor entre Homens e Meninos), e a Martijn, já evidencia essa parceria entre homossexualismo e pedofilia, tanto quanto a seus representates e argumentos, como em seus alvos.
O código de ética proposto pela Martijn nega qualquer intenção de abuso, enumerando quatro regras que devem norter a relação entre adultos e menores. Tais regras e a proposta de não haver abuso é um grande embuste filosófico. Ao considerar que o abuso seria apenas de natureza física, perde-se de idéia que o ser humano é constituido com algo mais que o seu corpo. Mas antes, me proponho a analisar as regras para depois voltar a esse ponto.
  1. O consentimento da criança é uma falácia, uma vez que ela não tem discernimento suficiente para julgar seus próprios atos e respectivas consequências.
  2. A abertura para os pais pressupões pessoas igualmente sucetíveis a esse tipo de prática descabida. Nesse caso, nada mais natural entre estes, uma vez que o incesto está altamente relacionado a pedofilia.
  3. A suposta liberdade de uma criança para sair da relação é tão faláciosa quanto a idéia de consensualidade da primeira regra, ou seja, uma vez aliciada, dificilmente a criança se retira da relação.
  4. Não tenho certeza quanto a última regra, "harmonia com o desenvolvimento da criança", mas tenho a impressão que diz respeito as limitações físicas, e de supostamente respeitá-las. Quanto a este último, volto a minha premissa maior, não se trata de mero abuso físico, mas igual e necessariamente psicológico.
O ser humano como um todo, precisa tanto da proteção de seu corpo, como também de sua alma. Ainda que de maneira consensual, uma criança não tem discernimento das consequências físicas e psicológicas que envolvem uma relação sexual. Seu corpo não está pronto para isso, ainda que dê sinais de aptidão sexual. Ela não têm estrutura social para arcar com suas escolhas, e por isso também deve ser tolhida de qualquer envolvimento nesse sentido.
Os argumentos com respeito a liberdade que uma pessoa tem, de fazer com seu corpo o quem bem entender, junto de outra pessoa, ainda que do mesmo sexo, atende em pariedade ao apelo para que adultos e crianças tenham liberdade consensual de relacionarem-se. Não se trata exatamente da mesma coisa, uma vez que adultos tem, em tese, condições de julgar entre o certo e o errado, e ao mesmo tempo responsabilidade sobre suas escolhas. Mas, ainda assim, partindo do parâmetro do Criador, nenhum deles têm liberdade para fazer o que bem quiserem de si, e que agindo assim, contrarios a criação, escolhendo pelo que é errado, sofrerão o devido dano por isso. Nem homossexuais e nem pedófilos estão livres para fazer o que bem entendem. Ninguém está livre para isso. Pelo contrário, são escravos do pecado nessas condições. Suas escolhas são e estão pautadas em seu estado de depravação moral, rebelados contra Deus, e que portanto deverão prestar contas a Eles.
Já disse anteriormente que nem todo homossexual é pedófilo, e que nem toda pedofilia é homossexual. Casos de pedófilos, homens ou mulheres, que abusam de crianças de outro sexo não pode ser posto na conta do homossexualismo. Mas homossexualismo e pedofilia estão intimamente associados em seus representantes e ideias, bem na maioria de suas práticas. Seus argumentos servem as suas causas diante da sociedade, a saber, a liberdade a e a consensualidade de se fazer com o próprio corpo o que bem entender. É só uma questão de tempo para que a pedofilia saia do armario. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Entre o RUIM e o PIOR. Ou ainda... O que representa Marco Feliciano e Jean Wyllys?

"... porque os dias são maus." Efésios 5.16b
 Se pudesse acrescentar ou editar textos da Bíblia, como alguns sem nenhum pudor o fazem, diría neste versículo de Efésios que hoje os dias são péssimos. Bem sei que as coisas ainda vão piorar, mas me refiro ao fato que hoje nos dividimos entre o ruim e o péssimo.
O aparente maniqueísmo entre os deputados Marco Feliciano, pastor, dono de igreja própria, e Jean Wyllys, ex-bbb e ativista gay, traz um profundo incomodo para quem busca a verdade e que se fiar por ela em seus posicionamentos. Tenho grande repulsa pela figura dos dois, mas creio que nessa briga de foice no escuro, algumas observações críticas e ponderações precisam ser feitas a respeito de ambos.
Observando primeiro o pastor neopentecostal, posso dizer que em face do que ele prega, que não é nem de longe o evangelho da Cruz, do Cristo que venceu a morte por sua vida e morte, tenho ojeriza ao seu ministério. Não creio que ele seja racista como o acusam, mas um idiota com uma Bíblia na mão. A "exegegue" que ele fez no texto de Gênesis 9.25 não é sinal de ódio aos negros, mas uma leitura completamente desprovida de coerência com os fatos narrados. Canaã, filho de Cão, que foi amaldiçoado por seu avô Noé, nunca seguiu para o continente africano, mas habitou na palestina, lugar para onde os descendentes de Israel foram quando saíram do cativeiro egípcio. Uma simples leitura do texto, e uma noção básica de geografia bíblica é suficiente para enteder isso. Também não penso que ele seja homofóbico, uma vez que nesse quesito ele simplesmente se posiciona contra a união civil gay e considera pecado a prática homossexual. Nesse ponto, penso que caminhamos juntos no que a Bíblia diz. Ele, como um bom pregador neopentecostal que se preze, cobra para pregar nos lugares. Assim como os demais de sua turma, recebem quantias exorbitantes para ensinar as pessoas a ganharem dinheiro as custas de Deus. Não querendo justificar tal prática, mas até onde se sabe, cobrar por serviços religiosos não é crime, pois assim também o fazem outras religiões além dos neopentecostais, tal como a católica, as exotéricas, espíritas e africanas. Na minha opinião isso é pecado, configura a atuação de um falso profeta que serve ao prestígio e interesses de quem paga mais, tal qual Balaão (Números 22.1-21). Mas infelizmente não é pecado apenas de neopentecostais.
Assim, na minha opinião, como pastor, Marco Feliciano é um embuste. Todavia, ainda que eu não separe seus ofícios como pastor e deputado, pois foi eleito para um em nome do outro - para chegar a câmara ele usou de sua plataforma religiosa, de onde deve ter tirado a maioria de seus votos e apoio financeiro para campanha - devemos nos ater ao fato de que toda essa polêmica em torno de seu nome como presidente da CDH (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) é orquestrada pelo ódio ao que a Escritura diz a respeito do homossexualismo. É triste e irônico, mas nesse momento, esse homem que pouco conhece e prega as Escrituras esta sendo perseguido por militantes contrário ao que diz a Bíblia.
Voltando-me agora para Jean Wyllys, penso que ele desenvolve o pensamento coerente com sua cosmovisão, ou seja, sendo uma pessoa sexualmente invertida, quer por isso inverter a ordem da sociedade como um todo. Representando um grupo minoritário, quer pela força da mídia fazer calar todo e qualquer pensamento que seja contrário ao seu, ainda que majoritário. Argumentando sofrer preconceito e perseguição, é preconceituoso e persegue seus desafetos políticos. Valendo-se da democracia, quer fazer prevalecer uma ditadura homossexual, onde todos devem aceitar tal prática e conduta como sendo normal. Em suma, trata-se de eu homem que faz papel de mulher, que faz de uma minoria a maioria, e que faz do governo popular um instrumento de ditadura.
Mas, abrindo um parênteses, não se pode atribuir a ele aquilo que não representa. A campanha difamatória feita em redes sociais, que dava conta de uma palavra sua de apoio a pedofilia, é tentar combater o mal com o mal, vencer a mentira a custo da mentira. Não sei qual o parecer de Jean Wyllys sobre a pedofilia nesse exato momento, mas duvidei desde o princípio de que ele teria dito aquilo. Certamente se o tivesse feito, seria uma bomba maior que as palavras mal interpretadas de Feliciano com respeito ao racismo. Acreditar em textos produzidos em redes sociais, e atribuí-los a certas pessoas, é como acreditar no que é dito dos nomes escritos em paredes de banheiros. Somente os covardes, em seu anonimato produzem esse tipo de notícia, e somento pessoas intelectualmente fracas se deixam levar pelo que dizem.
Como disse inicialmente, tenho asco de ambos, e nisso reconheço também o meu pecado contra o qual luto, e rogo a graça de Deus. A Bíblia me ensina algo contrário ao que sinto por eles. Diz que ambos, como governantes, são pessoas ordenadas por Deus a testa do povo, pelas quais eu devo orar e honrar (Romanos 13.1-7; 1 Timóteo 2.1-4). Ainda que pensando de maneira divergente deles em muitos aspectos, entendendo-os como inimigos da Palavra de Deus, cada um a sua maneira, as Escrituras também dizem que devo orar por eles, bendizê-los e não maldizer (Mateus 5.38-48).
É preciso lembrar que Deus é SENHOR do Universo, que governa a história, e que tem o controle de tudo em suas mãos. Sabendo que se nem uma folha cai de um galho sem que seja de sua vontade, devemos crer ainda mais que a existência de pessoas como estes dois, de tantos outros e a nossa, não se dá a parte de seu decreto. Também devemos nos lembrar que Deus nos prova assim, para que se saiba se nosso coração está nele, e não em nós mesmos. A justiça pertence a Deus e não a mim, e por isso não posso tomar pelo lado pessoal como quem milita em causa própria e pela próprias armar. É em nome de Jesus que militamos, e nossas armas são espirituais, isto é, a Palavra de Deus em nós. Não posso por isso dar vazão a angústia diante de homens asssim, tão avessos e invertidos em seus papéis e pensamentos. Devo me lembrar que sou pecador também, e que o único motivo para não ser consumido, é a graça e a misericórdia de Deus em Jesus. É sob este governo que me encontro, daquele que venceu a morte e me ortogou vida, e com ela o ministério da reconciliação (2 Coríntios 5.17-21).
Desta sorte, nem Feliciano e nem Wyllys representam o meu pensamento de mundo, mas representam o governo de Deus sobre a minha vida, me intimando a orar por eles, rogar e demonstrar a mesma compaixão que o Senhor teve para comigo, que sou pecador, a fim de que o nome de Deus seja exaltado como SENHOR e Salvador, e não o meu, ou o deles.

Ps.: A fim de uma visão mais politizada de tudo isso, recomendo o blog de Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja. E em especial esse texto sobre o aspecto macro desta história.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Nova Páscoa... Nova Vida


A Páscoa de Israel tipifica a Páscoa de Jesus. O povo de Deus naqueles dias era escravo dos egípcios, e tão somente pelo Braço Forte do Senhor puderam ser libertos do cativeiro. Apesar das primeiras nove pragas, o coração do Faraó ainda continuava endurecido, conforme a Palavra de Deus (Êxodo 7.3-5). Deus institui então a Páscoa, quando então passaria pela terra do Egito, e feriria de morte os primogênitos dos egípicios, bem como de seus animais também. Nessa Passagem - pacach quer dizer "passar por cima" - o livramento dos israelitas se daria pelo sangue aspergido em suas portas. Logo, a passagem de Deus sobre aquele país seria de juízo sobre os egípcios e de misericórdia sobre os israelitas, conforme a sua Palavra.
A libertação dos israelitas foi visível e imediata. Deus não somente os livrou-os do juízo que trazia sobre a terra, como também os livrou das mãos deles. E dali foram encaminhados para o deserto, para a terra prometida a descendência de Abraão. Sem sombra de dúvida Deus fez grandes sinais aos olhos daquele povo, desde as pragas derramadas sobre o Egito, como também no caminho até Canaã. Mas como diz o hino 33 (HNC) "No céu, na terra, que maravilhas vai operando o poder do Senhor! Mas seu amor, aos homens perdidos, das maravilhas é sempre a maior." Algo muito maior Deus reservou para esses últimos dias, quando manifestou seu amor em Cristo.
O Pai nos deu seu Filho como cordeiro pascal (João 1.29). Nós, ainda que gentios éramos também escravos, não de um povo, ou em algum país, mas do pecado, sentenciados a morte pela própria justiça de Deus. Ele mesmo derramou seu sangue, e os aspergiu no madeiro. Passou sobre Jesus a ira que nos era devida, de maneira que fomos livrados do cativeiro da morte. Uma vez salvos da ira vindoura, recebemos também vida eterna, que é a comunhão imperdível com Deus na herança de seu Reino. E a prova de que esta nova vida é real, é a ressurreição de Jesus, pois seu sacrifício foi aceito pelo Pai.
Assim, a grandeza da Páscoa do Senhor é maior que a de Israel. Eles foram libertos há mais de tres mil anos, de um cativeiro de trabalhos forçados, e levados a uma terra vizinha. Tudo isso aponta para algo maior, e por isso ainda era incompleto. Nós, tanto gentios como judeus, que creêm na salvação pelo sacrifício do Cordeiro, hoje somos libertos da condenação da morte. Recebemos assim também vida em abundância e cidadania no Reino de Deus, e temos conosco a presença eterna do Cordeiro que morreu e ressuscitou.

sábado, 16 de março de 2013

Dos males o menor? Não sei quem é pior.

As imagens e as palavras reproduzidas nesse vídeo são para quem tem estômago forte contra a idiotice. Volto em seguida.



O pastor que faz (e come) esse papelão é um tal Elvis Breves. Tenho para mim que deve estar seguindo os passos do tal Lucinho Barreto da Lagoinha, o "cheira Bíblia". Penso que esse tipo de esquisitice nem cabe comentário. Na falta de melancia para pendurar no pescoço vale esse tipo de bizarrice.
Mas a fala de Caio Fábio com essa imagem insana ao fundo, pode ser mais perniciosa. Falando resumidamente sobre esse senhor, posso dizer que foi meu ídolo quando adolescente. Sim, confesso que era "caiofabólotra" na década de 90. Sinto muito por sua queda, mas antes mesmo dela ser 
publicada, já achava estranho o seu livro Confissões do Pastor, onde eram visíveis claros indícios de soberba. Creio que as circunstâncias da publicação de seu pecado e acompanhamento disciplinar deu-se em uma esfera extremamente conturbada. Mas ao final de tudo, ou ainda em meio a tudo isso, o que era ruim tornou-se pior. Hoje um ser "ensimesmado", que xinga, fala palavrões e propõe um caminho de graça, que mais abriga o pecado que necessariamente o pecador arrependido. Em fim, sinto muito por tudo isso, mas não posso deixar de pontuar minha opinião sobre essa pessoa antes de tratar de sua fala.
Nesse vídeo, é usado como "texto base" o filme O Livro de Eli. Fala sobre os que querem a Bíblia como instrumento de poder e controle. Fala também dos que amam a Bíblia e lutam por ela, mas que não conhecem seu real significado, pois ficam apenas com sua forma (creio que me incluo nesse segundo grupo aos olhos dele). E finalmente dos que como ele já sabe separar forma e significado no conteúdo bíblico.
De fato algumas pessoas usam a Bíblia como instrumento de poder. Desde a Idade Média quando a ICAR afirmava que apenas os sacerdotes era aptos a interpretar a Bíblia, e que realizavam suas homilias em uma língua inacessível a maioria do povo, tinha-se sim, pela ocultação, um poder sobre as almas para deixá-las em trevas. Hoje isso ainda é praticado por muitos que as custas de uma cortina de fumaça, usam a Bíblia apenas em textos selecionados que convém aos apetites do coração enganoso do homem. Não se empreende uma leitura da Palavra como um todo, a fim de que Deus fale ao homem a respeito de sua real necessidade, a graça salvadora que nos conduz a fé e o arrependimento. Essa prática é bem caracterizada no neopentecostalismo, onde a seletividade da Palavra atende a expectativa de benção do "fiel". Mas não só de neopentecostal vive essa prática.
Caio se refere a um segundo e terceiro grupo, um na pessoa de Eli, o guerreiro, e outro no Eli que entrega o livro. Até mesmo para a interpretação do filme, isso é falacioso. Primeiro porque no filme, e espero que os que estão lendo já o tenham visto (não quero ser spoiler), Eli não mudou, mas apenas usou de estratégia, uma vez que mesmo abrindo mão do objeto livro (papel), não abriu mão da obra, seu conteúdo, uma vez que dita o texto ipsis litteris. Quando Caio fala em pessoas que são basicamente idólatras do livro, mas que não têm a Palavra no coração, é como se dissesse que estes desajustados são amantes do papel. Que o fato de reconhecerem as Escrituras enquanto inerrantes e infalíveis, os torna adoradores do Livro. Ele entende a Bíblia após Cristo deve sofrer uma seleção a partir da pessoa do próprio Jesus. Ele usa indevidamente João 5.39, como se ali o Mestre fizesse uma separação entre a prática do judeus de examinarem as Escrituras e o encontro com sua pessoa. Note o que diz o texto:
Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. 
Neste versículo, a incoerência não está em examir as Escrituras a fim de encontrar a vida eterna e o encontrar a Jesus. Na verdade, está é a verdadeira coerência, uma vez que as Escrituras testificam de sua pessoa. A incoerência segue no versículo seguinte, onde é dito:
Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.
A vida encontra-se em Jesus, é encontramos Jesus nas Escrituras. Portando, é coerente buscar a vida eterna nas Escrituras, mas ela só será achada quando Cristo é testificado nas Escrituras.
Sem sombra de dúvida a chave hermenêutica para toda a leitura bíblica é Jesus, mas isso não significa seletividade de textos. Pelo contrário, signfica que toda a Escritura, conforme Lucas 24.25-27; 44-47, só pode ser entendida a luz da pessoa de Jesus e sua obra. Todo o livro de Hebreus versa sobre isso. Paulo faz isso o tempo todo quando aponta para o novo homem, onde a lei não é banida, mas vivida pelo poder do Espírito que nos conduz a luz da Palavra.
Sim, a Escritura é a escola do Espírito Santo, diz Calvino, é nela, em toda ela, e tão somente nela, que nos é revelado o que é necessário saber a respeito de Cristo. O Espírito que inspirou seus autores, tanto no Antigo como no Novo Testamento, tinha essa designação de revelar o Cristo (João 15.26,27). E quando Jesus diz que a vida eterna pode ser encontrada nas Escrituras, ele está tão somente testificando isso a respeito de si.
Caio Fábio tem aberto sua artilharia raivosa contra a Bíblia de tempos pra cá. É natural, pois boa parte dela desaprova o que ele aprova. Para ele, apenas o que é dito a respeito da graça é válido, e tudo mais que pode ser denotado como lei é condenável. Mas não compreende, ou não quer compreender (João 5.40), que a Lei não é contrária a Graça: a Lei é Graça. Não tenho como me extender aqui a esse respeito, mas sugiro a leitura da obra do Dr. Mauro Meister Lei e Graça, sobre a qual ele versa nesse vídeo.
Um aspecto triste também da fala do Caio nesse video é a falta de originalidade. Assim como o Elvis copia a extravagância de Lucinho, que disse que já comeu a Bíblia também, o pastor pós-bíblico apenas emula a fala da neo-ortodoxia. Ele faz isso como se fosse o primeiro, o proponente original de uma nova leitura onde um cânon é criado dentro do Cânon. Mas, ainda mais ridículo, é que nesse sentido, ele também reproduz a prática que ele condena no primeiro grupo, ou seja, de tentar dominar as Escrituras pelo poder de um existencialismo que supostamente liberta as pessoas da Bíblia. Tanto o neo-ortodoxo quanto o neopentecostal encontram-se nos extremos da mesma ferradura, ambos trabalham para ocultar o que na Bíblia lhes é desconcertante. Portanto, só uma exposição e leitura integral da Palavra pode realmente ser confiável (Atos 20.27).
Enfim, equanto um idiota come a bíblia, literalmente, outro apóstata vomita a bíblica pelo amor a si mesmo.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Poderia ter sido diferente.


Falando sobre a entrevista no programa da Marília Gabriela desse domingo (03/02/2013), preciso dizer antes de tudo que é cansativo ter que comentar o que foi dito por Silas Malafaia. Mas as postagens de apoio, e e aclamação a essas bobagens na rede, me fazem considerar um apelo, uma reflexão bíblica sobre o que foi tratado ali (Judas 3). Quem sabe mostrar o quão diferente essa entrevista poderia ser se o entrevistado tivesse um direcionamento realmente bíblico.
O programa todo girou em torno de três assuntos basicamente: A fortuna do Malafaia divulgada pela Forbes, o homossexualismo e bem no fim um pouco a respeito de religião e política e da formação de pastores em sua igreja. Todos esses temas direcionados em uma perspectiva apologética poderiam servir ricamente a proclamação do evangelho, mas ele retratou mais a si, sua igreja e ministério, que a pessoa de Jesus e seu Reino. Que me lembro, apenas duas vezes mencionou o nome de Jesus.
Começando pela fortuna do Malafaia, a coisa já fica improcedente, uma vez que sua abordagem é de defesa de si, e não de uma apresentação da verdadeira prosperidade. Até entendo que a Forbes pode ter encorrido em crime por divulgar dados sigilosos, mas é patético que alguém que supostamente vive do evengelho tenha que explicar que ao invés de 300 milhões de reais, seu patrimônio é de 4 milhões. Também em outras palavras, acertadas diga-se de passagem, ele diz que alguém que vive da "credibilidade" de outros, com um fortuna nos montantes divulgados pela revista, deve ser ladrão. Nisso eu concordo, ele, Edir Macedo e os demais, são vendilhões do templo. Mas voltemos ao que proponho aqui. Numa realidade alternativa, onde Sila não fosse um milhonário, mas um verdadeiro pregador do evangelho, ele poderia tranquilamente abordar a verdadeira prosperidade bíblica, que nem é a que ele chama de teologia da prosperidade besteirol, e nem a que ele propaga, que nada mais é que uma variação um pouco menos irresponsável que a primeira. O verdadeiro tesouro que temos encontra-se no céu, na realidade do Reino (Mateus 6.19,20; 13.44-46). Observamos na Bíblia homens de Deus tanto ricos como pobres, mas que igualmente tinha toda sua esperança depositadas em Cristo (Hebreus 11). No Filho somos co-herdeiros de uma fortuna que não pode ser avaliada, nem se desvaloriza, nem roubada. Temos a vida eterna, que é a comunhão imperdível com o Pai. Somos já, em qualquer circunstância, as pessoas mais ricas desse mundo (2 Coríntios 8.9). Ele falou ainda sobre Deus como alguém que trabalha com recompensas, pisando a doutrinha da graça, mas isso pode ser assunto para um outro post.
Na abordagem seguinte, sobre o homossexualismo, ele até mantém um discurso aparentemente bíblico, quando fala do pecado. Mas o alcance é razo, uma vez que ele foca mais na questão social e política por trás de sua cruzada. Entendo que o que a militância gay esta fazendo é injsuto, mas a Palavra diz que nossa luta não é contra carne ou sangue (Efésios 6.12). Podemos até tratar destas questões num ambito político, mas o foco é mais abrangente que sociedade brasileira do século 21.  É preciso voltar os olhos para a Queda e toda sua repercussão na humanidade. A agumentação pautada na psicologia, onde talvez ele nade de braçada, também não pode ser a pedra angular, bem como questões de ordem biológica. Quando Marília Gabriela levantou a questão do homossexualismo entre os animais, Silas patinou e fugiu. Seria justamente ali que poderia mostrar que a Queda atingiu toda a criação, desestabilizando a ordem criada, demonstrando assim que todo esforço político e comportamental da agenda gay é no sentido contrário a natureza. Seria essa mais uma oportunidade de apresentar o Reino restaurado em Cristo, expor os textos que mostram que nEle as pessoas são tornadas nova criatura. Mas como o seu enfoque é em si, as Escrituras foram mais um vez usadas em prol de sua agenda de combate a militância homossexual, como numa queda de braço. A convicção da vitória de Cristo na cruz, e de seu Reino, certamente o lançaria não para uma tentativa de convencer as pessoas do quão injusta é essa militância gay (como qualquer outra fora do cristianismo), mas para a demonstração de que a restauração da ordem se encontra em Cristo e seu Reino.
No fim do programa, muito de passagem falou-se sobre a relação entre religião e política. Concordo também que como cidadãos desta pátria, como em qualquer outra, cristãos têm o direito e dever de participar da política de maneira ativa. Contudo, a forma mais eficaz de atuarmos na política não é pela força política, uma vez que o próprio Jesus não o fez (João 18.36). Como sal da terra e luz do mundo, os discípulos fazem boas obras na terra que glorificam o Pai nos céus (Mateus 5.13-16), e mais uma vez apontam para uma realidade que transcende a vida neste século. O impacto social e político que a igreja sempre teve de maneira positiva, deu-se pela proclamação verbal e prática da Palavra. Basta observarmos os efeitos dos primeiros cristãos no império antes de Constatino, e o efeito no mundo todo a partir da Reforma. Mas para alguém voltado para si, pesa o "aqui e agora" ao inés da eternidade, o prato de lentílha ao invés da primogenitura. Mais uma vez o Senhorio de Cristo e o seu Reino ficam de fora, e entra em cena o homem e o seu domínio linguistico e temporal.
Ao falar brevemente sobre a formação ministerial em sua igreja, deixou claro que a questão gira em torno do bem-estar de seus ministros, e que no "baratinho" tem que ter segundo grau e um curso de dois anos e meio de teologia. Em nada nos fez lembrar os textos de 1 Tomóteo e Tito 1.
No mais, como mencionei sobre as recompensas de Deus, muito mais poderia ser tratado, mas que não cabeira em um único post. Entendo que verdades foram ditas por Malafaia, mas creio que a serviço de si, e não da Verdade em si. Os fariseus e os escribas eram os mais próximos de Jesus teologicamente falando, e por vezes foram descritos como não estando longe do Reino (Marcos 12.34), mas nem por isso deviam ser seguidos, pois além de hipócritas, amavam a glória dos homens (Mateus 23.3-7). Malafaia é só mais um moderno fariseu, que deseja ostentar-se no meio da igreja como um Rabi, coberto de glória e ouro. Para tanto ele é capaz até mesmo de dizer a verdade, mas sempre como lhe convém.      

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O ensino proveitoso em meio ao sofrimento


É comum as pessoas pensarem que é possível aprender algo diretamente do sofrimento. Que a dificuldade pode aflorar algo de bom no ser humano, amadurecê-lo. Penso que há um equívoco nisso.
Aqueles que pensam que o sofrimento pode nos ensinar alguma coisa, desconsideram que "a força do homem nada faz, sozinho está perdido" - como afirma o hino Castelo Forte (Hinário Novo Cântico 155). De si mesmo, o máximo que alguém pode extrair no sofrimento é orgulho e raiva. O orgulho brota quando o indivíduo pensa que é capaz de superar sozinho o mal. Ele é entorpecido com a ideia de superação. Não quero dizer com isso que as pessoas devem manter-se inertes diante do sofrimento, sem esforço algum. Apenas constato a luta não deve ser solitária, pois ainda que haja triunfo sobre o sofrimento, o preço da soberba é alto. O orgulho, ou altivez, é acreditar de si mesmo mais do que realmente é, e nisso o ser humano é mestre. E nessa soberba, apenas promove sua ruína (Provérbios 16.18).
A raiva acompanha o orgulho, pois a pessoa se acha injustiçado em tais circunstâncias. Em outras palavras, questiona - como alguém tão bom, tão rico em qualidades, pode, ou tem que passar por tais mazelas? Aquele que pensa com orgulho, contestado com a realidade do sofrimento, acredita que esta sendo injustiçado pelas circunstâncias. Procura algo, ou alguém a quem dirigir sua ira, pois esse é o sentimento de justiça própria. Os outros, ou até mesmo Deus, devem ser culpados pelo que esta passando.
Assim, cruamente falando, do próprio homem que sofre, só se pode esperar um abismo maior que o sofrimento em si. Ele mergulha em seu ser no mesmo tipo de amor próprio que matou Narciso. É preciso enxergar-se em sua mazela com uma nítida visão daquilo que pode fazer. É daí que vem o aprendizado proveitoso em meio ao sofrimento, e este é obtido em humildade, quando visualizamos os dois opostos aos orgulho e a raiva.
É preciso quebrantar-se com a o fato de o homem não é intrinsecamente bom, mas que encontra-se na condição de pecador. O homem esta duplamente arruinado por causa do pecado: ao mesmo tempo que ele é incapaz de consertar o estrago do pecado, também está condenado nele. Ou seja, ao contrário do que faz pensar o orgulho, ele não pode livrar-se do mal, e sofre ainda as suas consequências. Por motivos diretos ou indiretos, o ser humano sempre sofre em função do pecado. Seja pelo que fez, ou o que outros fazem, ele colhe os abrolhos desta plantação desde o Éden, pela desobediência de nossos pais (Gênesis 3.17,18). Todo sofrimento na terra nos faz lembrar de que algo está fora da ordem, não está de acordo com a bondade infusa na criação (Gênesis 1.31). Assim, os filhos de Adão herdaram o sofrimento desestabilizador da ordem do cosmos. Esse reconhecimento contradiz o orgulho humano de achar-se o benfeitor da história.
O que resta fazer, uma vez que o homem esta arruinado no pecado? É então que humildemente nos voltamos a Deus, que é bom, e fez todas as coisas boas, no seu devido lugar. É reconhecendo no Criador o verdadeiro senso de bondade, e sua fonte, que se deve abandonar a "ególatria", o amor a si mesmo, e fugir em sua direção. É amando a Deus que podemos usufruir plenamente de sua bondade. É igualmente válido lembrar que não é porque o amamos que Ele nos ama, mas o contrário, pois em seu amor somos alcançados e libertos do maior de todos os sofrimentos nessa vida, a morte espiritual, a inimizade com Deus (Romanos 5.8; Efésios 2.1-4; 1 João 4.10). 
Deus é justo e bom, e a fonte de toda bondade. Se passamos por sofrimentos, aprendemos que sem Deus estamos perdidos, e somos os mais miseráveis seres da terra. Mas se nos humilharmos, e buscarmos consolo e força em Deus, venceremos. E pela fé sabemos que Ele não nos desampara, nem se nega a nós. Ele rejeita o soberbo, mas dá graça aos humildes (Tiago 4.6).