sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Sobre Riva e corrupção na política e do cidadão comum
Ontem foi indeferida no TSE a candidatura de Riva ao governo de MT. Ele é o maior ficha suja do Brasil, mas ainda acreditava na possibilidade de ser eleito. Creio que o que faz ele acreditar nisso seja um certo pensamento corrente entre os que o defendem.
Muitos que defendem Riva partem de dois pilares: (1) "Ninguém na política é santo" - assumindo assim que Riva é só mais um corrupto como todos. E também, (2) "Ele ajuda as pessoas, não deixa os companheiros na mão". Vamos analisar isso, não só para com o ficha suja em questão, mas para com a mentalidade política do brasileiro em geral.
Quanto ao primeiro pilar, penso que quem defende isso já admitiu a corrupção como modus operandi da política, e que este é um mal necessário. Como se fosse da natureza política a corrupção e a desonestidade. Tal falta de fé e entendimento é muito triste, é como admitir (como de fato já acontece hoje) que o banido tem direito a ser bandido, e assim, direito de praticar atrocidades.
Mas se todos são corruptos, o que faria com que Riva sobressaísse aos demais políticos que são como ele? Partimos então para o segundo pilar.
"Não deixar os companheiros na mão" é legislar então em causa própria, e isso deixa o defensor na mesma condição do corrupto, só que passivo. Pois se mesmo sabendo que o corrupto é corrupto, ainda assim recebe dele algum benefício, se alia a ele na causa da corrupção. Isso fortalece o primeiro pilar, o de que "ninguém é santo", com a conduta do próprio proponente. De fato, isso torna a corrupção na política como um vírus, onde o corrupto ativo infecta o passivo.
É sabido e notório que na política há muita corrupção (especialmente no Brasil). Mas ainda é preciso se pautar pela razão da existência da política, ou seja, das relações entre cidadãos, da organização e do governo dos mesmos. Não pode ser admitido como instrumento de corrupção, mas de ordem. E se não vemos muitos exemplos de políticos honestos por ai, não sejamos nós mesmo mais exemplos de corrupção.
domingo, 20 de abril de 2014
Jesus não se encontra entre os mortos
As mulheres que foram ao encontro do corpo de Jesus para embalsamá-lo após sua morte se depararam com uma grande surpresa: Ele não estava mais em seu túmulo. Estas mulheres, seguidoras de Jesus e que serviam seu ministério com seus bens (Lucas 8.2-3), não o abandonaram em suas últimas horas, como a maioria de seus discípulos, sendo João a exceção. Elas acompanharam a tudo, até o seu sepultamento na sexta-feira a tarde, e guardaram o sábado para no domingo muito cedo ir terminar o serviço de preparação de seu corpo (Lucas 23.49,55- 24.1). José de Arimatéia e Nicodemos já haviam provido lençóis com óleos aromatizados (João 19.38-40), mas provavelmente não houve tempo para que o corpo fosse preparado para abrandar o processo de decomposição. Por isso, muito cedo, e sozinhas, essas mulheres foram ao sepulcro.
A disposição delas é notável, uma vez que sabiam que a pedra era pesada, e que não poderia ser removida se não por homens (Marcos 16.3), mas ainda assim seguiram sua missão para com seu Mestre que lhes parecia estar morto. Ao chegarem lá, não só a pedra estava removida, mas também dois anjos estavam sobre ela, e o corpo já não se encontrava mais ali. Lucas registra a fala dos anjos em um tom mais áspero, ainda que não conflitante com os demais relatos. Eles questionaram a ida daquelas mulheres ao túmulo justamente por pressuporem que elas deveriam saber que Jesus não poderia ser encontrado entre os mortos: Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não esta aqui, mas ressuscitou.
De fato, a intenção daquelas mulheres era altamente nobre, mas revelava ao mesmo tempo sua incredulidade para com as palavras de Jesus sobre sua morte e ressurreição (Lucas 24.5-7). Em uma aspecto prático, elas ainda estavam melhor que os discípulos, que sequer foram ao túmulo auxiliar na remoção da pedra. Mas mesmo assim elas buscavam agora servir a Jesus como a um morto, quando na verdade ele estava já vivo.
Muitas pessoas tem uma visão semelhante de Jesus, como se ainda estivesse entre os mortos. Fala-se nele como um vulto histórico, alguém de grande impacto por suas lições e exemplo de vida, mas que, ainda assim, em nada interfere pessoalmente em nossas vidas hoje. Jesus nessa perspectiva não ressuscitou de fato, mas entrou para história como um símbolo, estaria vivo tão somente naquilo que se pode apreender de sua passagem por esta vida.
Mas as palavras contundentes dos anjos nos dizem que ele não podia ser encontrado entre os mortos, que ele não estava ali: ele ressuscitou! Cremos nisso porque a sua própria Palavra assim já havia predito. Cremos assim porque Ele é Deus, e tem todo poder para vencer a morte. Cremos assim porque Ele é a própria Vida, e por isso não podia ser contido pela morte (Atos 2.24).
Ele ressuscitou de fato, não como um símbolo. Considerá-lo assim seria o mesmo que dizer que a mensagem cristã é um grande embuste histórico. Ele ressuscitou fisicamente, e esteve diante das mulheres que o seguiam, dos apóstolos, seus discípulos e Paulo (1 Coríntios 14.4-8). Sua ressurreição é a nossa esperança sobre a morte, pois se não tivesse ressuscitado de verdade, viveríamos não somente na mentira, mas ainda na morte. Somente os que ainda estão mortos na incredulidade, buscam a Jesus entre os mortos. Aqueles que dele receberam Vida Eterna, creem que Ele ressuscitou, e que vive para sempre.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
A Páscoa de Jesus
A Páscoa dos Israelitas foi a sua libertação da escravidão no Egito (Êxodo 12.11,26-27). Os cordeiros sacrificados naquela ocasião proveram o sangue para as famílias de Israel como sinal, para que o SENHOR quando passasse por suas casas não os ferisse de morte como às famílias egípcias. Desta sorte, a Páscoa para Israel era vida nova, uma nação livre, enquanto que para os cordeiros ali, foi a morte.
Sabemos que Jesus é o Cordeiro de Deus, o Cordeiro Pascal. Sua Páscoa foi sofrimento, traição, abandono e condenação à morte. Ele não foi vítima das circunstancias, pois sabia desde o princípio todas estas coisas (Lucas 9.44; 22.22; João 6.64,70-71). Ele entregou a sua própria vida, pois ela não podia ser tirada dele (João 10.17-18).
Mas este sacrifício não foi recebido com gratidão ou olhos benevolentes. A Páscoa de Jesus foi o amargo gosto do desprezo e escárnio, quando na cruz foi instigado a provar que era o Filho de Deus (Mateus 27.39-44). Satanás já havia proposto algo semelhante quando lhe disse para transformar pedras em pães no deserto (Lucas 4.3). Aos olhos do povo, a prova de que aquele homem na cruz era o Filho de Deus seria justamente se ele abandonasse a cruz. Certamente não o poderia fazer de maneira natural, uma vez que estava pregado no madeiro por pregos que traspassavam suas mãos e pés, e também havia sido torturado, estava exausto. Mas em conformidade com a compreensão que tinham do que seria ser "Filho de Deus", Jesus deveria de alguma maneira extraordinária sair daquele estado humilhante.
Porque Jesus é o Filho de Deus, o Cordeiro Pascal, é que não desceu da cruz. Sim, ele tinha poder para tanto, uma vez que afirmou ter autoridade sobre os anjos para não ser entregue aos homens (Mateus 26.53). Mas se assim o fizesse, como cumpriria o que a seu respeito estava escrito (Mateus 26.54)?
Seu poder se revelou ali de maneira infinitamente maior, pois sair da cruz era relativamente fácil, mas suportá-la, o que na verdade era suportar a ira de Deus, por nossa causa, revela um poder que só ele tinha: o de amar até o fim (João 13.1).
A Páscoa de Jesus nos traz o seu Reino e sua Vida. Esta páscoa contraria a expectativa daqueles que acreditam que o poder do Filho de Deus contorna o sofrimento, a humilhação, o desprezo e morte. Somente temos acesso a seu Reino e sua Vida Eterna, se realmente cremos que naquela cruz ele pagou o mais alto preço pelos nossos pecados, o que ninguém mais o poderia fazer. Para que a nossa páscoa hoje seja libertação da escravidão do pecado, e de seu salário - a morte eterna - temos um Único Caminho, e Ele passa pela Cruz do Calvário.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Deus enviou seu Filho para que fossemos feitos seus filhos
Nunca
passei pelo constrangimento de entrar em uma festa como penetra. Penso que o
mais triste num caso como esse é que o bicão vai a uma comemoração nessas
condições ou não é conhecido do anfitrião, ou não é benquisto ali. O Natal é a
festa que talvez mais acumule penetras em todo o mundo. Milhões de pessoas
comemoram o nascimento do Filho de Deus, sem sequer o conhecer, quanto mais
relacionar-se com ele.
Em Gálatas 4.1-7, Paulo argumentando contra a tendência
judaizante que estava levando os crentes a retrocederem-se para Lei, como se
esta os pudesse salvar (Atos 15.1,5). Paulo já havia dito que a Lei funcionou
como uma prisão (3.23) e também como aio (pedagogo 3.24), pois sem Cristo, a
mesma evidenciava o domínio do pecado, e ao mesmo tempo os conduzia a ele para
a justificação. Agora, após identificar a descendência de Abraão pela fé, e também
os chamar de herdeiros da promessa (3.29), o apóstolo chama a atenção para
realidade deles enquanto menores que sob a tutela de um escravo que geria esta
herança. A lei assim também, ante da graciosa vinda de Cristo, separava os
herdeiros da promessa, fazendo-os assim como todos os demais viventes da terra.
Foi tão somente pela vinda de Jesus que os filhos de Deus alcançaram a maior
idade, podendo assim apropriar-se graciosamente da justiça de Deus para suas
vidas.
Desta forma, conforme o texto de Gálatas, o
nascimento de Jesus tem um impacto incomparável na história. Primeiro porque
ele nasceu no tempo preparado por Deus – na plenitude dos tempos – conforme já
havia sido anunciado desde o Antigo Testamento. A passagem de Daniel 2.20-45
talvez seja a que melhor expõe isso. O Deus que move os tempos, põe e depõe
reis, Ele mesmo estabeleceu impérios que antecederiam a vinda daquele que como
uma pedra cortada sem auxílio de mãos, iria fazer desmoronar todos os reinos
anteriores e estabelecer o seu próprio, sem que nunca mais este tivesse fim.
Apesar de ser nascido de mulher, ou seja, ser
homem, Jesus antes de tudo é Deus, pois é enviado por Deus. Ele sempre existiu,
pois foi enviado por Deus, e ele também fez homem, pois nasceu de mulher.
Assim, ele é o cumprimento de Genesis 3.15, quando se disse que o descendente
de Eva esmagaria a cabeça da serpente, ainda que esta lhe ferisse o calcanhar.
Jesus é Deus encarnado, que veio a esse mundo salvar o seu povo de seus
pecados, e habitar conosco para sempre (Mateus 1.21,23).
Ele veio sob a lei, ainda que fosse o seu
legislador. Foi posto debaixo da lei como seu devedor, mas nunca a transgrediu.
Fez isso para remir os que se encontravam debaixo da maldição do pecado,
morrendo a morte que não era sua, mas do seu povo que veio salvar.
Assim, somente por causa do irmão Jesus, é que os
homens são adotados por Deus, e são reconhecidamente herdeiros da promessa.
Para atestar isso, o Pai também enviou o Espírito de seu Filho, para que em
seus corações se tornasse ainda mais manifesta a sua paternidade, pois clamam
intimamente: Abba Pai. Estes já não são mais escravos, como os demais. Já não
se encontra mais sob os rudimentos desse mundo, não são mais contados entres os
escravos, mas são filhos, e tem parte em sua casa.
Só são convidados da festa aqueles que têm parte
com o Filho. A herança que recebem em Cristo é a comunhão imperdível com Deus, que podemos também chamar de Vida Eterna. Os demais podem usufruir das benesses da vinda do Filho de Deus a esse mundo, mas não são contados como da
família, nem são seus amigos. Como incontáveis penetras, podem até participar de
toda a alegria e comemoração, mas não tem parte na herança e não são filhos de
Deus.
Que o seu Natal seja não apenas uma festa, a mera
comemoração de uma data no calendário junto aos amigos e familiares, mas seja
antes de tudo a comunhão com o Filho e o com o Pai, e o gozo de sua herança
para pela eternidade.
Nasceu Leon, nosso segundo filho.
Há exatamente duas semanas, no dia 10 de dezembro nasceu Leon Barros do Amaral Taques, nosso segundo filho. Nasceu forte como seu nome, que significa obviamente Leão. Os dias que se passaram desde então pareciam ter menos de 24 horas, mas sobrevivemos. Minha linda Candice está mais radiante quem nunca.
Sendo o segundo filho, muita coisa já não é novidade, mas, ainda assim, tudo que é novo é revestido de um amor maior, de um amor que se soma. Agora experimentamos a grandeza de amar dois filhos, e desejar que eles se amem. Se com Benício pude vislumbrar um pouco do amor de Deus por seus filhos, agora penso no amor que Ele deseja que seus filhos tenham uns pelos outros. Graças a Deus Benício tem demonstrado sempre carinho e cuidado para com seu irmãozinho.
Leon se parece muito com Benício em seus primeiros dias. Sei que serão diferentes quando crescerem, e até importa que seja assim. Mas sempre serão criados no mesmo amor, debaixo da graça do nosso único Senhor e Salvador. Desta sorte minha família cresce sob a benção de Deus, mantendo-se uma com Ele.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
A Suposta Dupla Inspiração de Paulo
É possível que alguém sustente ao mesmo tempo a autoridade das Escrituras enquanto regra de fé e prática, e a falibilidade de algumas passagens, supostamente marcadas pelo pensamento de seu autor? Seria racional uma doutrina da "Dupla Inspiração" na Bíblia? Isso é antagônico, mas para alguns parece aceitável.
Li recentemente um texto no blog de Sarah Sheeva, filha de Baby Consuelo, onde se argumentava a favor do ministério pastoral feminino. Pior do que contrariar as Escrituras no que tange ao texto de 1 Timóteo 2.9-15, é a leitura que se faz de Paulo enquanto escritor inspirado. Desta forma, em conformidade com o Liberalismo, a fim de fazer a Bíblia falar o que é interessante para cada um, vale tudo, até jogar o autor contra si mesmo em algumas passagens. Já me deparei antes com esse tipo de leitura seletiva do apóstolo, e quero discorrer sobre ela em algumas passagens.
Na hermenêutica dessa turma, Paulo é inspirado quando fala algo que agrada a maioria, e retrógrado quando contraria o pensamento vigente desse século. No caso do ministério pastoral feminino, sua sustentabilidade acompanha a evolução social, tornando sua admissão um fruto do pós-modernismo. Hoje em dia é inaceitável que se diga "A mulher aprenda em silêncio, com toda submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio". Aceitável ou não, é o que está escrito há séculos, e para negar isso e extrair o que bem se quer do texto, é preciso uma manobra uma tanto quanto desonesta. Não tenho tempo aqui para me ater a cada texto sublinhado, mas quero apenas levantar a falta de coerência dos argumentos para com a doutrina da inspiração. Minha intenção aqui não é rechaçar biblicamente o ministério pastoral feminino, mas mostrar o quanto custa sustenta-lo com base em contradições bíblicas. Em um outro post posso fazer isso.
Paulo aqui é identificado pelos inimigos do texto como um refém dos seus dias. A cultura, tanto judaica como grega era avessa as mulheres, sempre as desqualificando e menosprezando. Isso é fato, sabemos que desde a queda o mundo é em sua maioria machista, e perverso para com as mulheres, mas não podemos admitir que um autor inspirado encontrava-se aqui reproduzindo um pensamento secular altamente maligno como esse. Paulo passa a ser contestado com outras passagens das Escrituras, como da criação em Gênesis, e também pelo trato que Jesus dispensou às mulheres. Os seus próprios textos são lançados contra si a partir de 1 Coríntios 11.5; Gálatas 3.28; Tito 2.3,4. É dito ainda, talvez para não desacreditá-lo ao extremo, que sua intenção não era contrariar o ensino de Jesus, mas apenas aconselhar de forma particular esse caso. Ou seja, não se tratava de doutrina, mas de um parecer pessoal que Paulo estaria dando sobre algo muito específico, sem qualquer valia maior para as demais igrejas.
Paulo escreve sim a luz das circunstâncias da Igreja de Éfeso, onde Timóteo pastoreava, mas tendo em mente a Criação e a Queda. "Porque, primeiro, foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão". Tanto a Criação quanto as circunstâncias da Queda nos apontam para uma ordem hierárquica na qual Deus criou e instituiu a relação macho e fêmea, sendo o primeiro o cabeça e a segunda sua auxiliadora idônea. Assim, Paulo não fala em nome do machismo vigente, e nem circunscrito a Éfeso, mas para toda Igreja, pautado nas Escrituras.
Paulo escreve sim a luz das circunstâncias da Igreja de Éfeso, onde Timóteo pastoreava, mas tendo em mente a Criação e a Queda. "Porque, primeiro, foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão". Tanto a Criação quanto as circunstâncias da Queda nos apontam para uma ordem hierárquica na qual Deus criou e instituiu a relação macho e fêmea, sendo o primeiro o cabeça e a segunda sua auxiliadora idônea. Assim, Paulo não fala em nome do machismo vigente, e nem circunscrito a Éfeso, mas para toda Igreja, pautado nas Escrituras.
Já vi argumento semelhante em Efésios 5.22-24, onde a submissão da mulher ao marido também é um ranço machista em Paulo. É incrível que quando em seguida o apóstolo diz aos maridos que amem suas esposas, para esses leitores seletores tudo passa a ficar bem. Ou seja, a submissão feminina é Paulo falando, o amor dos maridos é o Espírito falando. Seria como se o apóstolo se desprendesse da inspiração divina por alguns versículos, sendo logo em seguida resgatado. A visão de submissão proposta nesse tipo de leitura é conforme o mundo, e o amor dos maridos também. Para fazer esse tipo de manobra, despreza-se o padrão em Cristo e a Igreja, bem como a ideia de submissão mútua no verso 21.
Outro texto que conheço em Paulo é usado contra é em 1 Coríntios 8.4, onde se diz que "o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo, e que não há senão um só Deus". Por essa afirmação relacionada aos sacrifícios, fora dito que não existem demônios. Questionei trazendo a luz o texto seguinte de 10.20,21, onde Paulo fala sobre sacrifícios e associação com demônios, bem como seu cálice e mesa. Nessa mesma hora o apóstolo que antes havia negado "corretamente" a existência de demônios, tornou-se um refém das super tições daqueles dias. Ou seja, o apóstolo sofria de esquizofrenia, pois ao mesmo tempo que afirmava uma coisa, via outra. Paulo ali esta dizendo ao mesmo tempo que os ídolos que nada são de fato, e que nenhum direito tinham sobre a carne dos sacrifícios, eram na verdade demônios, em cuja associação os crentes em Coríntios não deviam se encontrar. Ou seja, as carnes sacrificas aos ídolos não tinham nenhum poder sobre os crentes, mas suas festas e ofertas, feitas regadas a banquetes e bebidas, não podiam fazer parte do expediente dos membros da Igreja.
Segundo essa hermenêutica do "bem me quer, mal me quer", Paulo não é um autor confiável. É preciso saber onde ele é inspirado, e onde ele é simplesmente um porta-voz de seus dias e suas tradições. Penso que se assim o fosse, certamente a passagem de Filipenses 3.1-9 também não poderia ser considerada verdadeira. Ele diz que não conservou seu currículo como hebreu, mas o considerou como refugo, algo a ser perdido, para ganhar Cristo. Paulo tinha diante de si a perfeição, cujo alvo é Jesus, na direção da qual ele corria. Seus escritos tinham essa proposta, não de confiar na sua própria carne, em sua experiência, mas na obra mediante da ressurreição em Cristo.
Assim, um problema maior se instaura quando um autor bíblico pode ser lido seletivamente. O liberalismo trata as Escrituras não como Palavra de Deus, mas como contendo a Palavra de Deus, e cabe ao leitor selecionar aquilo que lhe serve como tal. Como já disse anteriormente, ou a Bíblia é Palavra de Deus para nós, ou somos deuses para ela, e podemos assim dizer o que procede e o que não procede. Ou nos submetemos pronta e sinceramente a ela, com nossos corações dispostos a nos sujeitarmos a sua sabedoria, ou abraçamos o conhecimento deste século, e julgamos as Escrituras por seus critérios. Parafraseando Jesus: Não podemos ouvir dois senhores, ou nos submetemos a um e menosprezamos o outro, ou relativizamos tudo conforme o outro, desacreditando em um. Não se pode ouvir a Bíblia e ao mundo ao mesmo tempo.
Outro texto que conheço em Paulo é usado contra é em 1 Coríntios 8.4, onde se diz que "o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo, e que não há senão um só Deus". Por essa afirmação relacionada aos sacrifícios, fora dito que não existem demônios. Questionei trazendo a luz o texto seguinte de 10.20,21, onde Paulo fala sobre sacrifícios e associação com demônios, bem como seu cálice e mesa. Nessa mesma hora o apóstolo que antes havia negado "corretamente" a existência de demônios, tornou-se um refém das super tições daqueles dias. Ou seja, o apóstolo sofria de esquizofrenia, pois ao mesmo tempo que afirmava uma coisa, via outra. Paulo ali esta dizendo ao mesmo tempo que os ídolos que nada são de fato, e que nenhum direito tinham sobre a carne dos sacrifícios, eram na verdade demônios, em cuja associação os crentes em Coríntios não deviam se encontrar. Ou seja, as carnes sacrificas aos ídolos não tinham nenhum poder sobre os crentes, mas suas festas e ofertas, feitas regadas a banquetes e bebidas, não podiam fazer parte do expediente dos membros da Igreja.
Segundo essa hermenêutica do "bem me quer, mal me quer", Paulo não é um autor confiável. É preciso saber onde ele é inspirado, e onde ele é simplesmente um porta-voz de seus dias e suas tradições. Penso que se assim o fosse, certamente a passagem de Filipenses 3.1-9 também não poderia ser considerada verdadeira. Ele diz que não conservou seu currículo como hebreu, mas o considerou como refugo, algo a ser perdido, para ganhar Cristo. Paulo tinha diante de si a perfeição, cujo alvo é Jesus, na direção da qual ele corria. Seus escritos tinham essa proposta, não de confiar na sua própria carne, em sua experiência, mas na obra mediante da ressurreição em Cristo.
Assim, um problema maior se instaura quando um autor bíblico pode ser lido seletivamente. O liberalismo trata as Escrituras não como Palavra de Deus, mas como contendo a Palavra de Deus, e cabe ao leitor selecionar aquilo que lhe serve como tal. Como já disse anteriormente, ou a Bíblia é Palavra de Deus para nós, ou somos deuses para ela, e podemos assim dizer o que procede e o que não procede. Ou nos submetemos pronta e sinceramente a ela, com nossos corações dispostos a nos sujeitarmos a sua sabedoria, ou abraçamos o conhecimento deste século, e julgamos as Escrituras por seus critérios. Parafraseando Jesus: Não podemos ouvir dois senhores, ou nos submetemos a um e menosprezamos o outro, ou relativizamos tudo conforme o outro, desacreditando em um. Não se pode ouvir a Bíblia e ao mundo ao mesmo tempo.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
A sedução enganosa do medo
Recentemente assisti o filme "Invocação do Mal". Não consigo assistir um filme sem me ater às questões teológicas implícitas. Apesar de bastante aterrorizante, e baseado em fatos, este filme não esta entre os mais assustadores que assisti. O que me fez refletir sobre o filme, especialmente nas cenas de manifestações sobrenaturais, é como Satanás usa o medo como uma poderosa arma de sedução.
Neste filme, como em praticamente todos do gênero, manifestações sobrenaturais amedrontam as pessoas dentro e fora da tela. Em frente ao projetor, os espectadores tem a sensação de participar da história, mas apenas virtualmente. No mundo real, um caso de possessão demoníaca não seria acompanhado tão de perto por pessoas sentadas em uma poltrona confortável. O medo que sentem em segurança acaba convertido em diversão. Esse prazer quase masoquista corresponde a satisfação da curiosidade pelo sobrenatural, ainda que acompanhado de incredulidade por muitos.
O sobrenatural tem o poder de seduzir por fugir do é cotidiano. Desde os assombros mais suaves, aos mais violentos, a ideia que se tem é de que os demônios são poderosos, e podem desestruturar da vida de qualquer um. A questão é: Satanás tem todo esse poder de fato? Não sou cético quanto ao que Satanás pode fazer, quanto à manifestações sobrenaturais, e inclusive possessão demoníaca de pessoas não nascidas de novo. Mas a questão a que me refiro é se por trás de tudo que é demonstrado sobrenaturalmente se encontra um ser tão poderoso quanto aparenta.
Satanás mente até quando diz a verdade, e isso é visível em filmes de terror como esse. Muitas pessoas rejeitam a possibilidade de existência de seres espirituais como Satanás e seus demônios. Mas filmes como "Invocação do Mal", ou "O Exorcismo de Emily Rose", são baseados em relatos verídicos de acontecimentos que podem não ter explicação para céticos, mas que ainda assim não são fictícios. Assim, filmes como esses reafirmam a existência de seres sobrenaturais os quais denominamos Satanás e demônios. Mas ao mesmo tempo, conferem a essas entidades um poder quase invencível. As manifestações extraordinárias, ainda que aconteçam, fazem com que as pessoas pensem que se tratam de seres mais poderosos até mesmo que Deus, o qual, quando muito, não passa de mais um espectador nessas histórias. Assim, Satanás é apresentado acertadamente como um ser real e poderoso, mas falsamente como mais poderoso que o próprio Deus.
Esse primeiro engodo é seguido do segundo. Como Deus é completamente passivo nessas histórias, cabe ao homem combater com suas forças os poderes do mal. Satanás sempre é vencido pelo bem que supostamente existe nas pessoas, tal como o amor pela família, ou o de algum sacrifício próprio. Mesmo um ritual de exorcismo nada mais é que uma queda de braço entre o exorcista e o demônio. A ideia deísta de que Deus se ausentou do cenário do mundo permeia o pensamento destas obras cinematográficas. Tudo se resume a luta entre as forças sobrenaturais demoníacas e os sentimentos puros dos homens. No fim, os homens de bem vencem as forças do mal. Certamente essa mensagem também é agradável à platéia.
Mas a "verdadeira verdade" é muito diferente do que se apresenta em cena como essas. Deus realizou na história relatada nas Escrituras sinais muito mais extraordinários do que qualquer demônio de filme poderia encenar. Mas ainda assim, a manifestação mais poderosa já realizada se deu em uma circunstância considerada pelo mundo como sinal de fraqueza: A morte de Jesus na cruz. A Palavra diz que na cruz Jesus rasgou nosso escrito de dívida, e despojou principados e potestades expondo-os a vergonha (Colossenses 2.14,15). O que se quer dizer é que na cruz o Senhor triunfou não somente sobre Satanás e suas hostes, mas sobre o maior terror que pode abalar todo homem, a condenação na morte. Jesus venceu na cruz o terror do juízo eterna que o próprio Deus traria sobre os pecadores. Assim, o verdadeiro poder se encontra não em manifestações sobrenaturais, que ainda que possíveis, não devem nos causar temor. O verdadeiro poder se encontra em Jesus Cristo, que morreu, mas ressuscitou, e que tem as chaves da morte e do inferno em suas mãos (Apocalipse 1.18). É em seu trinfo que devemos crer e confiar, para que nenhuma manifestação satânica tire de nós a paz e seduza pelo medo.
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