" When you dance with the devil, never fool yourself into thinking that you're leading. "Essa é velha: Se não podemos com eles, juntemo-nos a eles. Mas é possível que esse dizer tenha outra conotação que não a de aderência, ou mudança. Pode ser uma estratégia não de rendição, mas de aniquilação do inimigo.
Pense no clássico Cavalo de Troia. Um presente de aparente rendição dado pelos gregos aos incautos troianos. Estes levaram para dentro de seus "intransponíveis" muros o monumento que carregava dentro de si a derrocada daquele povo. Essa história todos conhecem.
Mas o que parece que muitos crentes (ou crédulos) não reconheceram até agora é que trata-se de um cavalo de troia a recente abertura da mídia, em especial a da Globo, de uns meses para cá, para os "evangélicos". Muitos dos que "conquistaram" (ou foram conquistados) a emissora de maior audiência do Brasil respondem as críticas como se os que estão de fora fossem meros invejosos.
Bem, eu diria que as críticas que Silas Malafaia fazia há cerca de 15 anos atrás contra a Globo, quando era subsidiado pela Record no programa 25 hora, era um baita dor de cotovelo. Hoje a prova disso é que longe de seu benfeitor da década de 90, encontra abrigo naquela que mais atacou durante muito tempo. Quem desdenha quer comprar, ou ser comprado.
O que dizer daqueles que durante muito tempo criticaram novelas e seus temas, que de fato são geralmente imorais em suas leituras e defesas, mas que agora capitalizam músicas em cenas dessas mesmas novelas? Que eu saiba, as novelas não mudaram, a não ser para pior. Mas para estes, suas músicas tornaram o solo sagrado onde antes havia apenas imoralidade. Assim como querem converter o carnaval, querem converter as novelas, apenas ao som da música gospel.
Há 10 anos atrás seria muito difícil imaginar evangélicos sendo bajulados em programas da Globo, o que hoje está acontecendo toda semana. A pergunta que faço é simples: Quem mudou, a Globo ou os evangélicos? Assim como as novelas, se a Globo mudou foi para pior, e os evangélicos idem.
Por maior que seja a exposição dos evangélicos, pouco (ou nada) se expõe das Escrituras. Pouco se fala de Jesus, sua vida, morte e ressurreição. Do pecado, da vergonha e da necessidade de arrependimento dos homens. O que mais se fala é em glória (de Deus? nunca), vitórias, sonhos, conquistas e felicidade. Quem não quer ouvir mensagens como essas, tão positivas? Os gurus do pensamento positivo curtiram isso.
Em uma semana vi o Festival Promessas com uma miscelânea ídolos gospel, depois no youtube um tal de Pregador (não sei de que?) Luo e Diante do Trono no Caldeirão do Huck sacudindo as assistentes de palco, ouvi Aline Barros no show da virada cantar após Michel Teló. Vi, finalmente (quem dera), uma "pastora" Ana Lúcia esquentar o Esquenta da Regina Casé. Todos esses "crentes" poderiam dizer que, como Jesus, ali estavam com publicanos e pecadores. Mas a diferença entre eles e Jesus, que de fato andou com esse povo, é que o Filho de Deus veio para salvar o perdido, para curar o doente, e não para animá-los e dizer que a vitória é certa.
Jesus era seguido, e não seguia ninguém. Jesus disse a adúltera, depois de marretar a consciência de seus acusadores hipócritas: vá, e não peques mais. Ele não massageou o ego daquela "injustiçada", não disse "está tudo bem". Hoje, o máximo que um destes "pregadores" diriam é: Deus não deixará seus sonhos morrerem. Os sonhos de uma adúltera e de tantos outros, não fazem parte dos planos de Deus de santidade. Certamente a oportunidade na presença dos ímpios era a de testemunhar os propósitos de Deus em sua Palavra, e não afagar o ego dos pecadores com palavras de encorajamento.
Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. Nem Globo, nem mídia alguma pode deter o avanço do evangelho. Certamente, assim como Satanás acorrentado no abismo, o mundo não pode impedir o avanço do testemunho de Jesus, mas irá se opor de todas maneiras possíveis. Uma delas é justamente essa, estrategicamente juntar-se aos evangélicos. Inserir seu cavalo de troia dentro da igreja evangélica do Brasil. Os evangélicos que assim se venderam podem pensar o contrário, podem sonhar que eles é que estão invadindo a Globo (as portas do inferno?) e de lá saqueando milhares de vidas. Podem pensar que eles é quem são o cavalo de troia. O problema é que a Palavra é muito simples quanto a isso: Prega o evangelho. Uma vez que isso não esta sendo feito, nada feito.
Há tempo, nunca me esqueço de uma frase de efeito do filme 8 milímetro, com o Nicolas Cage. Uma filme pesado sobre um detetive que entra no submundo da pornografia. Alertado por um atendente de sex-shop (Joaquin Phoenix), ele ouviu: Quando você dança com o Diabo, o Diabo não muda, ele muda você. A Globo não mudou, quem mudou?


