sexta-feira, 16 de abril de 2010

Conte o sonho... como sonho.


Apesar do meu blog não ser um diário de sonhos, aqui vai mais um (acho que terceiro). Faço isso em razão do sentimento que alguns sonhos me trazem. Não creio que o sonho seja algum tipo de revelação, mas considero digno de registro alguns que de alguma forma são interessantes. Um colega de ministério e blogueiro até me criticou por isso, mas não vou dizer o seu nome por que seria algo "dantesco" e "noutético" (rsss).

Pois bem, vamos ao sonho. Nele eu cheguava na igreja onde pastoreio para o culto de domingo, porém tudo estava completamente diferente. Primeiro que o templo não era nem o novo e nem o antigo, mas uma casa de esquina com varada de fora a fora. As pessoas tiraram os bancos de dentro do salão para o culto acontecer no quintal ao redor dessa varanda. Havia muita gente, mais do que minha pequena igreja possui em número de membros. Era mais estranho ainda a proposta de liturgia, onde ao invés de um culto simples, sendo eu o pregador, haveriam "atrações" diversas. Vi uma senhora de aparência emburrada e vi muitos jovens preparando-se para o que seria a "apresentação" do culto. Até então eu me contive e deixei acontecer para ver onde ia parar.

Começou então o suposto culto, e o que se viu foi um desfile apresentações artísticas. Não me lembro dos detalhes dessa parte do sonho, mas sei que ninguém pregava a palavra, eram apenas "performances". Um presbítero da minha igreja virou para mim e disse: vou para o cinema que eu ganho mais. Disse-lhe que tínhamos que enfrentar aquilo juntos.

Quando pela primeira vez tentei impedir a continuidade do "show", uma senhora da minha igreja tomou o microfone do sujeito que mais parecia um contador de causos que um pregador, mas passou para outra pessoa. A essa altura eu já estava no "púlpito" (que na verdade era a quina da varanda), e fique ali esperando para eu mesmo tomar o microfone e falar. Fechei os olhos e orei para que Deus falasse àquele povo que eram muitos. Quando abri os olhos dois jovens estavam indo em direção ao púlpito com um saco de pancada e vestido com roupas de luta. Peguei o microfone e disse que podiam se sentar.

Passei a falar para todos ali que não tinha nada contra artes marciais, e que até treino muay thai (o que não é sonho). Falei também que o púlpito não é lugar para tudo aquilo que estava acontecendo. Parafrasendo Paulo em Atenas (Atos 17.22), disse a todos que em tudo pareciam gostar muito de histórias, e que a Bíblia é um livro com muitas histórias. Disse ainda que a Bíblia e suas histórias eram diferentes dos demais livros de história por alguns motivos. Mencionoei então um texto do Evangelho de João onde ele diz:

Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. (20. 30-31)

Nesse momento minha voz começou a falhar, e o sonho foi interrompido. Acordei pensando na diferença entre os registros históricos da Bíblia e dos demais livros. Considerei então dois pontos:

1. As narrativas históricas da Bíblia são fidedignas - podemos confiar em sua veracidade pois não se trata de "uma versão da verdade".
2. Estas narrativas foram registradas conforme a Verdade, de maneira que crendo nela, estamos crendo no Filho de Deus, para que assim tenhamos vida em seu nome. Nenhum outro registro histórico pode salvar o pecador.

Depois de pensar nessaa implicações do texto, pensei também no que poderia ter influenciado para a existência desse sonho. Pela manhã eu tinha conversado com alguns amigos pastores, e falávamos sobre a disposição dos jovens atualmente em transformar programações da igreja em festas que nem de longe apresentam um espírito cristão de comunhão, louvor e edificação para suas vidas. Basta um som alto e um ajuntamente até altas horas da madrugada para o evento ser uma benção. Um outro fator que acredito ter influenciado foi ter assistido essa semana o video de Davi Silva, integrante do ministério Casa de Davi, onde confessa que muito do que ele testemunhou e profetizou até hoje nas igrejas era mentira.

Pois bem, meu sonho foi apenas um sonho que achei interessante registrar. Não tenho nenhuma pretensão de que ele seja entendido como profecia ou que se lhe faça uma alegoria. Conforme determinou o SENHOR, conto o sonho como sonho.

Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, proclamando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei.
Até quando sucederá isso no coração dos profetas que proclamam mentiras, que proclamam só o engano do próprio coração?
Os quais cuidam em fazer que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu companheiro, assim como seus pais se esqueceram do meu nome, por causa de Baal.
O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? -diz o SENHOR.
Não é a minha palavra fogo, diz o SENHOR, e martelo que esmiúça a penha?
Portanto, eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro.
Eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que pregam a sua própria palavra e afirmam: Ele disse.
Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o SENHOR, e os contam, e com as suas mentiras e leviandades fazem errar o meu povo; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e também proveito nenhum trouxeram a este povo, diz o SENHOR.
(Jeremias 23. 25-32)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Silas Malafaia, o novo Tetzel


É claro que nos dias da Reforma existiram outros pregadores itinerantes que propunham a compra do céu aqui na terra. A venda das indulgências, recurso usado pela Igreja romana para angariar fundos para a edificação do seu reino do céu na terra, custou a milhares de pessoas o pão de suas mesas. Afirmava-se que os sacerdotes de então, tinham poder para conceder perdão sobre os pecados. Ainda que livres do castigo eterno pelo uso dos sacramentos, os pecadores podiam ainda sofrer alguma pena temporal no purgatório. As indulgências existiam justamente para diminuir ou remover esse sofrimento a partir de penitências praticadas. Estas começaram a ser negociadas a peso de ouro, tornando-se um mercado extremamente rentável para os papistas do século XVI.

Todavia, a figura de João Tetzel (1465- 1519) tornou-se emblemática para aqueles dias. Incubido de angariar fundos para a construção da Basílica de São Pedro pelo papa Leão X, "trombou" no território alemão com Martinho Lutero e suas Noventa e Cinco Teses. Graças a Deus pelo reformador, que não somente refreou essa imundícia, como também alavancou um processo pelo qual o mundo inteiro seria impactado pela pregação da Palavra de Deus. Como uma das partes da antítese da Reforma, Tetzel tornou-se memorável até os dias de hoje. Ele foi o agente maligno mais próximo do "epicentro" da Reforma. Como Satanás na vida de Jó, participou involuntariamente do mover de Deus naquilo que marcaria toda a humanidade a partir daquele século.

Hoje os "Tetzel's" modernos encontram-se mais dentro das igrejas descendentes da Reforma, que necessáriamente na Igreja romana. Centenas de vendedores de indulgência surgem com suas banquinhas trocando bençãos por dinheiro. Trata-se de uma verdadeira "feira da fé", tanto nas ruas como na mídia. É bem verdade que o chamariz não é mais o livramento das penas temporais sobre o pecado, mas a simples compra de bençãos terrenas emitidas do céu.

Aliás, pecado é um tema que não tem mais o mesmo peso de séculos atrás. Com uma igreja altamente secularizada, falar em punição sobre pecados não assusta quase ninguém, e nem é um bom recurso de marketing para atrair fiéis clientes. Fala-se diretamente de posses, bens e produtos adquiridos para o uso nesta vida. Vender o céu na terra tem hoje o significado de traze-lo para o "aqui e agora" nas mais variadas ambições que alguém pode ter. Para os mercadores da benção, a verdadeira pena temporal da qual os "santos" devem escapar é viver abaixo do padrão de riqueza estipulado pela sociedade consumista, ou em outras palavras, não ter menos poder aquisitivo que o "vizinho ímpio".

Destaco nesse texto, dentre os vários modernos vendedores de indulgências, a figura de Silas Malafaia. Fora outras cretinices teológicas já afirmadas (como seu namoro com a teologia relacional), sua sede por dinheiro recentemente parece não ter mais limites. Pouco antes do fim do ano passado, juntamente com o falso profeta Morris Cerullo, foi feito um desafio de R$ 900,00 para que Deus liberasse todas as benção ainda não dadas. Agora, como num recall (parece que a benção do Cerullo não funcionou como o esperado), com a ajuda de outro falso profeta, Mike Murdock, foi lançado o desafio de libertar 1 milhão de almas a partir da doação de mil reais de mil "parceiros" voluntários. Trata-se de um montante final de 1 milhão de reais, e a incrível conclusão que se pode chegar por esse calculo - R$ 1.000.000,00 divididos por 1.000.000 almas = uma alma por 1 real, o que indica que o sangue de Jesus vale menos que uma moeda. A promessa, praticamente a mesma de Cerullo, é a liberação de bençãos que o fiel cliente da banquinha de Malafaia ainda não possui. Pode ser desde um jatinho particular a uma tv LED.

Como disse em outro texto desse blog, não sei onde isso vai parar. Não sei se Deus levantará outro "Lutero" para deter tamanho mal propagado por esses homens de belial. No caso do Silas, não sei mais o que ele ainda pode pedir aos seus clientes. Entretanto, sei que o mesmo espírito que estava em Tetzel, hoje habita no televisivo vendedor de almas. Sei também que um dia, ele e todos os demais vendilhões do templo, do alto de seus milhões adquiridos do suor alheio, ouvirão: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lucas 12.20)
-------------------------------------------------------
Seguem os links dos videos da banquinha do Silas:

www.youtube.com/watch?v=SdxIRbm3gU8&feature=related

www.youtube.com/watch?v=gajL4e3JlRI&feature=related

www.youtube.com/watch?v=QXyTDsbjsnc

sábado, 3 de abril de 2010

E o filho se torna o pai...


Não é o que parece! A frase acima não é uma afirmação modalista. Apenas compartilho nesse espaço que Deus me concedeu a graça de ser pai. Candice e eu tivemos hoje a confirmação do teste de gravidez: POSITIVO!

Filhos são herança do SENHOR (Salmo 127.3), e por isso sou muito grato a Deus por nos conceder essa benção. É Ele o doador e mantenedor de nossas vidas, e por isso somos seus. Posso aqui inverter os papéis de Lucas 15. 31 - posso dizer ao meu Pai que tudo que é meu é dele. A minha vida é do meu Pai, e o meu filho também pertence a Ele.

Deus já conhece essa criança que até ontem era desconhecida de nós. Deus conhece toda a sua história.

Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe.
Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem;
os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda
. (Salmo 139.13-16)


Pai, obrigado por ser seu filho. Obrigado pelo teu Filho, meu irmão Jesus de Nazaré. Obrigado pelo filho que nos deste. Sejamos todos nós um no SENHOR!

terça-feira, 23 de março de 2010

sábado, 20 de março de 2010

O que ainda falta acontecer nas igrejas?


Eu ainda era seminarista quando pela primeira vez vi um cartaz convidando as pessoas para uma "Sessão de Descarrego" na Igreja Universal do Reino de Deus. Era 1999, eu estava em Goiânia e achei aquilo um absurdo. Cheguei a pensar que se tratava de uma campanha local, tamanho era aquele disparate. Para infelicidade de todos os que amam a Cristo e sua Igreja, aquilo não era apenas local e nem temporário, mas perdura até hoje como uma das coisas mais comuns entre o "povo de Deus".

Mas antes mesmo da Sessão de Descarrego, observando a IURD com seus copos d'agua sobre a televisão (técnica adptada e roubada de Alziro Zarur - fundador da Legião da Boa Vontade) tive uma "visão" de que as coisas não iriam parar por ai. Minha visão é claro não foi exatamente um insight, mas apenas a constatação escatológica de que a tendência até que Jesus venha é quase sempre piorar (Mateus 24.6-12; 1 Timóteo 4.1; 2 Timóteo 3. 1-5). Pois então, de 11 anos pra cá, conforme minha previsão as coisas vêm piorando.


Lembro-me de brincar com alguns colegas sobre as possíveis heresias que ainda podiam surgir. Era o caso da "Igreja do Cabide", ou seja, uma igreja para praticantes do naturismo. Recentemente li um artigo sobre evangélicos que são adeptos de tal pratica (ou filosofia de vida - como preferir).


Considerei igualmente a possibilidade de existirem programações na igreja que serviriam de "trampolins" para encontros sexuais entre os membros. Pois bem, em algumas terapias do amor encontradas por ai, o que se consegue ao fim da programação é justamente isso: sexo fácil. Não poderia ser diferente num encontro entre pessoas carentes e que nada sabem a respeito do temor de Deus.


Sem "prever" isso, mas não me surpreendendo mais, o tema "palavrão" tem gerado grande polêmica a custa de um texto do Pb. Solano no blog O Tempora, O Mores. Trata-se de uma crítica a um texto do Caio Fábio apologético ao uso do palavrão (http://tempora-mores.blogspot.com/2010/03/palavrao-so-pra-garantir-esse-refrao.html). Algo que deveria ser tão básico na vida cristã é motivo de debate e ofensas.


Previ mais coisas que ainda não aconteceram, e que sinceramente espero não ver. Não as menciono aqui obviamente para não dar idéias a nenhuma mente perversa. Mas, da maneira como a igreja tem caminhado, fica difícil pensar em mais atrocidades da fé. Depois de tantos escandalos envolvendo igrejas e líderes, fica a pergunta: O que ainda falta aparecer por ai até que Jesus volte?

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Espiritismo Segundo a Verdade




Considerando an passan algumas afirmações do Espiritismo, proponho nesse tópico uma abordagem reflexiva sobre onde eles acertam, mas onde também fatalmente incorrem no engano. Pode haver até um fundo de verdade, mas uma vez que se desencaminha para a mentira, perde-se e põe a perder para sempre.


Dizem os espíritas que todos os caminhos levam a Deus. Isso é uma grande verdade! Por mais que alguns cristãos verdadeiros irreflexivamente queiram negar essa afirmação, não se pode dizer que ela está completamente errada. Todos se achegarão a Deus um dia, e se apresentarão diante dele nesse dia de juízo, e ali serão julgados (Apocalipse 20. 11, 12). O problema da perspectiva universalista do Espiritismo ao falar em "caminhos que levam a Deus" é imaginar que todos estes conduzem o homem em uma condição aprazível, legítima, quando na verdade a realidade é outra. Apresentar-se diante de Deus por qualquer outro caminho é terrível, é caminhar rumo à condenação. Depois da morte não há outra instância na qual o homem se apresenta diante de Deus. (Eclesiastes 12.7; Lucas 16.22 -24). Mas o único Caminho que leva os homens a Deus na condição de filhos remidos e lavados de todos os pecados é Jesus (João 14.6). Esse é vivo caminho não se encontra dentre os demais, e por isso ele é único.


É dito também que sem obras ninguém pode ser salvo. Mas antes de falar mais, um parêntese: Não entendo que idéia de salvação pode existir para os que crêem na reencarnação. Mas relevemos isso e sigamos. Não é de todo errado dizer que o homem é salvo por obras. O que ocorre na verdade é que ele só pode ser salvo pela obra redentiva de Jesus. As obras do homem não têm valor algum para Deus, senão para a sua própria condenação. Mas a obediência de Jesus, sua vida e o que ele fez na cruz, são as obras pelas quais podemos ser salvos. O que é graça (e de graça) para nós, foi lei (e custou tudo) para o Senhor; é o castigo que nos trouxe a paz.


Mas ainda falando sobre obras, é válido lembrar a necessidade das boas obras. Onde se encaixam então as "nossas boas obras" muitas vezes requeridas? Certamente não servem para que sejamos salvos, uma vez que somente pela graça mediante a fé é que podemos ser salvos. Mas devem existir boas obras, uma vez que para elas é fomos salvos. Tratam-se das boas obras que Deus preparou de antemão para que andássemos nelas pelas quais Ele é glorificado entre os homens e não nós (Efésios 2.8,10; Mateus 5.16). Não somos salvos por nossas boas obras, mas somos salvos para as boas obras.


E finalmente, o que dizer a respeito da vida após a morte? Sem dúvida temos que concordar com eles quando dizem que depois da morte há vida, mas parcialmente apenas, pois há uma diferença crucial no conceito de vida aqui. Vida não pode significar a mera existência do indivíduo. De fato, uma vez o homem existindo ele é imortal do ponto de vista existencial. Mas não pode ser apenas isso. Deus pretendeu muito mais para o homem ao criá-lo que meramente fazê-lo existir para sempre. A vida eterna da qual a Bíblia nos fala diz respeito à qualidade relacional com o Criador. A vida eterna que recebemos em Cristo é a comunhão imperdível com Deus, nosso Pai. Por isso, crer na reencarnação é completamente diferente de crer na ressurreição. Crer que randomicamente uma pessoa reencarna para "evoluir" é no mínimo um péssimo gosto para eternidade. Essas idas e vindas de corpo em corpo não é o que a Palavra prescreve para nós. Ao homem foi ordenado viver uma só vez, e depois disso o juízo (Hebreus 9.27). Esse juízo se dará ao homem quando este ressuscitar, o que é para todos no último dia. Por isso é crucial que o homem tenha parte na primeira ressurreição, a saber, o novo nascimento, pois só assim ele será livrado da segunda morte (Apocalipse 20.6).


Sendo assim, apesar dos "acertos", naquilo que o Espiritismo está errado ele é fatal. A verdade sustenta-se pela Verdade, e de maneira alguma pode encontra-se relacionada com a mentira. Uma heresia sempre parte do que é verdadeiro, pois do contrário não seria um desvio. É preciso olhar não só de onde parte uma doutrina, mas para onde ela nos leva. Só Jesus nos leva a Deus na condição de filhos resgatados da mentira e da morte.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cristãos e Corruptos - Qual o limite da relação?


Sem dúvida alguma Deus pode converter o coração de qualquer pecador. Seja o do mais perverso, ao mais (aparentemente) inofensivo . No caso de um político corrupto, um ladrão do dinheiro público, não pode ser diferente. Talvez o exemplo bíblico mais próximo dessa realidade seja o de Zaqueu, chefe do publicanos, que em Lucas 19 demonstrou arrependimento diante da "investida" de Jesus em comer em sua casa. Quando disse que abriria mão de metade de seus bens em favor dos pobres, e que restituiria conforme a lei aos que defraudou, Jesus exclama: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Em 1 Coríntios 6. 10, 11 já se dizia que na igreja existiam pessoas marcadas por muitos pecados em sua vida pregressa, dentre eles o roubo, mas que estes haviam se convertido.


Parto então do princípio de que na Igreja de Cristo existem santos lavados e remidos, que um dia viveram atolados no pecado, e dentre estes, podem existir pessoas que um dia se envolveram em corrupção política. Mas, o que se vê nos últimos anos no cenário brasileiro é uma contínua associação de líderes evangélicos com corruptos [praticantes], quando não, protagonizando a própria corrupção.


Em 2005, André Petry, então colunista da Revista Veja, escreveu um artigo chamado "Corruptos de Fé?" (http://arquivoetc.blogspot.com/2005/04/andr-petryos-corruptos-de-f.html ). Nele foi retratada a corrupção do deputado "evangélico" Alessandro Calazans, flagrado em uma filmagem pedindo propina quando presidia uma CPI na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele foi inocentado pelos deputados "irmãos" (cerca de 25). Petry não destacou o fato de se tratar de um evangélico corrupto, o que ao seu parecer, não faz a menor diferença para com um espírita, católico, ou outro grupo religioso. Sua indignação foi com a associação dos irmãos no processo de absolvição, o que demonstra que a que uniu esses deputados estava acima de qualquer valor moral. Nunca gostei muito das posições adotadas por André Petry em seus artigos, mas devo admitir que sua crítica nesse episódio em questão foi bem imparcial.


Pois bem, cinco anos se passaram, outros escândalos relacionados a evangélicos também permearam as colunas da mídia. O mais recente, ocorrido em Brasília, onde a corrupção gospel se destacou através do deputado Rubéns César Brunelli, que orou junto com seus irmão em gratidão pela propina recebida. O distinto deputado é filho de Doriel de Oliveiro, fundador da Igreja Casa da Benção auto intitulado apóstolo. Este deputado tem em seu currículos de projetos de lei, destancam-se muitos projetos favoráveis aos evangélicos, em sua maioria festividades. Neste mesmo episódio também foi flagrado com as meias na mão, ou melhor, dinheiro na meia, o deputado Leonardo Prudente, membro da Sara Nossa Terra, denominação que pertence ao Bispo Robson Rodovalho. Até agora nenhum atitude pública foi tomada quanto a esse distinto membro da Sara. Paulo Otávio, que também têm estreitas relações com a Sara há muitos anos, é o vice-governador do DF, e está por um fio.

Como disse no início, creio no poder de Deus para converter homens atolados nos mais variados tipos de corrupção, e dentre eles o ladrões; mas o que dizer de homens que convivem com a verdade há muito tempo e não se arrependeram? O que dizer da relação entre pastores e esses homens? Onde fica a disciplina, uma das marcas de uma igreja fiel ao Senhor Jesus?

Não creio que a corrupção é como uma doença contagiosa, creio que "boi preto conhece boi preto". Creio que os corruptos se atraem, contrariando a lei da física de que os opostos é que se atraem. Esses corruptos da política encontraram apoio em outros corruptos, que antes de roubarem dinheiro, já assaltavam a verdade bíblica em benefício próprio. Nesse caso, ladrão que ajuda ladrão, tem a eternidade para condenação.