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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Pai, Pão e Perdão


“Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai tem pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Vou me levantar, e irei me encontrar com meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado seu filho, trata-me como um de seus trabalhadores”. (Lucas 15. 17-19)

A Parábola do Filho Pródigo é uma das mais conhecidas da Bíblia. Muitas pessoas se impressionam com esse filho desnaturado que exigiu parte da herança de seu pai, quando este ainda estava vivo. E como se não bastasse tamanha afronta, depois de receber o dinheiro, deixou sua casa para trás, seguiu seu próprio coração para curtir a vida em país distante. Tudo seria apenas uma grande aventura, mas as coisas não saíram conforme o planejado.
Em um primeiro momento, enquanto durou o dinheiro, tudo foi festa. Mas tão logo seus recursos acabaram, também aquele país entrou em crise quando “houve grande fome”. O rapaz ainda conseguiu trabalho, mas era o pior emprego que um judeu podia imaginar: cuidar de porcos. Esses animais eram cerimonialmente falando imundos conforme a sua lei. Mesmo trabalhando com porcos, ele ainda passava fome, chegando ao ponto de querer comer a comida daqueles animais. A que ponto chegou o pobre menino rico! Em um dia, vivia na ostentação, no outro, invejando ração de porco. Porém, foi nessa equação de sua vida que ele chegou a fórmula de seu verdadeiro tesouro.
Ele poderia ter dito assim: Eureca! Meu pai é rico, justo e trata muito bem os seus empegados. Sei que pequei contra Deus e contra meu pai, amando mais o seu dinheiro que ele mesmo, e que por isso nem mereço mais ser chamado de seu filho. Mas também sei que sendo justo e bondoso, meu pai irá me aceitar como um de seus empregados, e então não sentirei falta de pão. Isso é o que chamamos de arrependimento. Ele não somente reconhece seu pecado, mas, reconhece também, que voltar para casa de seu pai é o melhor caminho para se trilhar agora. Ele sabe que apesar do seu grave pecado, de uma forma ou de outra, seu pai o receberá em sua casa.
Ele voltou e foi se encontrar com seu pai, e de fato foi perdoado. Não foi tratado como um empregado, mas recebido de volta em sua casa como o “filho que estava perdido e foi achado, que estava morto, e reviveu”. Não recebeu só comida, mas também casa e roupa lavada. Houve festa com muita alegria. Além de rico, justo e benevolente, aquele pai o amava profundamente. Ele amava seu filho mais do que o dinheiro desperdiçado. Ele amava aquele filho apesar de todo desprezo que havia recebido antes.
Essa parábola não conta a história de um “vida loka” que se arrependeu e achou o caminho de volta pra casa. Não narra uma aventura que no final termina bem. Essa parábola conta a história do Deus que é Pai, rico, justo, e ao mesmo tempo amoroso. Nos fala de um tesouro que não se encontra nas festas, no sexo, na ostentação, nem em nada desse mundo, mas no Pai que sustenta generosamente até os que não são seus filhos.

Longe de Deus existe uma grande fome em nosso coração, que não encontra satisfação em nada que o mundo oferece. Sobreviver da ração de porcos não é vida, mas comer o pão dado por Deus, é Vida. Jesus, o Filho de Deus, é o Pão da Vida (João 6.35), e nele nosso coração é saciado de toda fome. Sem Jesus, estamos perdidos e mortos, mas nele somos encontrados e ressuscitados. Deixe a comida dos porcos para trás, e segue até a casa do Pai, onde não há falta de pão. O Caminho descrito em João 14.6 é verdadeiro. Certamente lá você será tratado como seu filho.      

domingo, 25 de julho de 2010

Sombra do que está por vir







Ontem, sábado , dia 24, tive pela primeira vez uma experiência de tato com meu filho. Ele já está com quase cinco meses, é um menino, e é muito agitado. Candice disse que começou a senti-lo mexendo nessa semana, e antes de dormirmos disse para eu colocar a mão em sua barriga. Pude senti-lo mexer também. Essa sensação de seus movimentos, ainda que incompleta, é maravilhosa.


Minha mulher além de ginecologista e obstetra, também é formada em ultrassonografia. Pelo menos duas vezes por semana ela tira um tempo em seu expediente no ultrassom para dar uma olhada em nosso filho. Na sexta-feira, no fim do seu expediente pude dar uma espiada nele. Manejei com muita dificuldade o aparelho de ultrassom, seguindo as orientações da "doutora-mãe-e-paciente". Tirando os aspectos rotineiros de saúde, o que mais me faz desejar vê-lo (se fosse posssível todos os dias) na ultrassom é o anseio por suas formas. Tentar enxergar o seu rosto, seus pezinhos, mesmo em imagens tão distorcidas e escuras é um sinal do quanto estamos ansiosos por sua vinda.


O toque através da barriga da mãe, as imagens de um ultrassom, tudo isso traz sensações limitadas, mas mesmo assim são gratificantes. É pouco, mas nos faz saber que nosso filho está perto e bem. Não é nada perfeito, mas é o que temos até o dia em que ele deixar o seu mundinho no ventre da mãe para adentrar o nosso aqui fora. Quando isso acontecer, não fará sentido ficar em frente a um monitor com imagens nada nítidas. Não ficaremos mais esperando seus movimentos ocultos na barriga de sua mãe. Nós o teremos em nossos braços, poderemos vê-lo, beija-lo, cheira-lo, e ouvi-lo. Enfim, teremos o nosso filho conosco, disponível a todos os nossos sentidos. O que é em parte será deixado para trás.


Depois desses dias me peguei pensando de forma análoga na vinda do Filho de Deus. No Antigo Testamento existiram muitos sinais de sua primeira vinda. A liturgia do povo de Israel, os sacramentos, e o próprio desenrolar da história apontavam para a vinda do Messias. Paulo nos fala em Colossenses 2.17 a respeito do que era sombra das coisas que estavam por vir, sendo os sinais que apontavam para a vinda de Jesus e sua salvação. Na antiga aliança Deus concedeu a circuncisão, tirou Israel do Egito instituindo a Páscoa, alimentou o povo no deserto com o maná, e muito mais. Todas essas coisas e ainda outras, apontavam para Aquele que selaria para si um povo tirado da morte do pecado, e que seria suprido por Ele mesmo, o Pão da vida.


É maravilhoso que hoje possamos contemplar na Palavra o Filho que já veio. Não há necessidade de voltarmos à sombra, uma vez que Ele se fez carne, e habitou entre nós (João 1.14). Mas nesse mesmo sentido, também hoje esperamos a segunda vinda de Cristo. Isso é muito claro todas as vezes que quando tomamos a sua Ceia e "anunciamos a sua morte até que Ele venha" (1 Coríntios 11.26). Cada vez que lemos a Escritura, depositamos nossa fé na obra consumada de Jesus, e lançamos nossa esperança em sua volta.


Os sinais da primeira vinda não mentiam, e assim sendo, podemos ter certeza de que os da segunda também não falharão. Será maravilhoso, uma vez que não o sentiremos mais no pão ou no cálice, mas que estará diante dos nossos olhos, ao alcance de nossas mãos. Sua voz será audivel, como era para Moisés (Deuteronômio 34.10).


Nosso filho deve chegar no fim de novembro. Ele ainda não tem nome. Não sabemos se será mais parecido com o pai ou com a mãe. Mas nós já o amamos, sem nome e sem aparência. Nos alegramos muito com cada sinal que temos dele. Mas é certo que tudo isso ainda é pouco, perto do dia em que o Deus o entregar em nossos braços. Quando Jesus voltar, nenhuma alegria, prazer ou satisfação nessa vida poderá ser comparada com o júbilo que sentiremos. A satisfação que já temos em sua Palavra e sacramentos se tornará infinitamente maior em sua presença. Obrigado Pai pelo nosso filho. Obrigado, pelo seu Filho.

sábado, 3 de abril de 2010

E o filho se torna o pai...


Não é o que parece! A frase acima não é uma afirmação modalista. Apenas compartilho nesse espaço que Deus me concedeu a graça de ser pai. Candice e eu tivemos hoje a confirmação do teste de gravidez: POSITIVO!

Filhos são herança do SENHOR (Salmo 127.3), e por isso sou muito grato a Deus por nos conceder essa benção. É Ele o doador e mantenedor de nossas vidas, e por isso somos seus. Posso aqui inverter os papéis de Lucas 15. 31 - posso dizer ao meu Pai que tudo que é meu é dele. A minha vida é do meu Pai, e o meu filho também pertence a Ele.

Deus já conhece essa criança que até ontem era desconhecida de nós. Deus conhece toda a sua história.

Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe.
Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem;
os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda
. (Salmo 139.13-16)


Pai, obrigado por ser seu filho. Obrigado pelo teu Filho, meu irmão Jesus de Nazaré. Obrigado pelo filho que nos deste. Sejamos todos nós um no SENHOR!