quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Quando a vida é uma festa...
Na Bahia, as autoridades públicas, de ambos os lados nesse processo de greve, governo e segurança, não estão preocupados se "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu". Já morreram mais de 100, mas o que realmente pesa na decisão final é se haverá ou não Carnaval.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
O Demônio da Verdade.
É patrocinado pela turma do movimento de batalha espiritual a ideia de que os demônios têm suas ações específicas. Com nomenclatura própria (nunca ouvi falar que demônios teria RG ou CPF), os demônios se especializaram em certas ações tais como imoralidade sexual (Pomba Gira); doenças (Exu Caveira); problemas financeiros (Tranca Rua); vícios (Zé Pilintra)... e por ai vai. É claro que nao há respaldo bíblico para todo esse pensamento animista, mas é interessante pensarmos em um demônio a respeito do qual Atos nos fala, e que poderia ser chamados de Demônio da Verdade.
Em Atos 16. 16-18, na cidade de Filipos, Paulo e seus companheiros se deparam com uma jovem escrava possessa de um espírito de Píton, que servia como adivinha, e que por isso dava grandes lucros aos seus senhores. Diz o texto que todos os dias que eles iam para o lugar de oração, esta jovem os acompanhava dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. Nada podia ser mais verdadeiro que as palavras dessa moça. Mas Paulo, voltando-se para o espírito e o expele da jovem pelo nome de Jesus. É certo que ela ficou liberta, pois nunca mais deu lucro aos seus senhores. Isso causou grande tumulto, e acarretou na prisão de Paulo e Silas.
Mas porque o Apóstolo Paulo tomou uma atitude tão drástica uma vez que as palavras do espírito eram verdadeiras? Para entendermos é preciso de um pouco de contexto cultural, bíblico e teológico.
Na mitologia grega (que naqueles dias não era entendida como mito, mas religião) Píton era uma serpente gigantesca que foi morta por Apolo. Ela cuidava do oráculo de Delfos, de onde se podia fazer prognósticos. Sendo assim, alguém que previa o futuro era tido como pitonisa, vidente, e portanto, de grande valor para aqueles que quisessem lucrar em jogos de azar. Mas, pensando assim, segundo a mitologia grega, e, reconhecendo nesse texto a afirmação de que a jovem tinha um espírito de Píton, não estariam os profetas da batalha espiritual corretos? Por isso o texto sem contexto, serve sempre de pretexto.
Devemos lembrar que a ação de Satanás e seus anjos é sempre limitada pelo poder e propósito de Deus. Não se tratam de seres autônomos (e quem o é?) que tudo fazem conforme a sua própria deliberação. Em Jó podemos observar Satanás servindo aos propósitos de Deus imaginando-se livre. Todavia sua "liberdade" é condicionada aos limites impostos por Deus (Jó 1.11, 12; 2.5, 6). É Deus quem ao mesmo tempo atiça e impõe limites para Satanás agir na vida de Jó para cumprir o Seu propósito (Jó 42.1-6). O próprio Deus envia um espírito maligno para atormentar Saul (1 Samuel 16.23); e também de mentira para enganar Acabe (1 Reis 22. 19-23). E ainda mais contundente com o texto em questão é o paradigma de Deuteronômio 13.1-3:
Em algum momento todos precisam dizer a verdade, até porque a mentira não subsiste sem a ela. O engano precisa do que é verdadeiro para em certo ponto ganhar confiança, e só depois desviar-se para o seu propósito. Portanto, não basta que se diga alguma verdade, é necessário que proceda da Verdade, do Espírito da Verdade que nos conduz a toda verdade.
Em Atos 16. 16-18, na cidade de Filipos, Paulo e seus companheiros se deparam com uma jovem escrava possessa de um espírito de Píton, que servia como adivinha, e que por isso dava grandes lucros aos seus senhores. Diz o texto que todos os dias que eles iam para o lugar de oração, esta jovem os acompanhava dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. Nada podia ser mais verdadeiro que as palavras dessa moça. Mas Paulo, voltando-se para o espírito e o expele da jovem pelo nome de Jesus. É certo que ela ficou liberta, pois nunca mais deu lucro aos seus senhores. Isso causou grande tumulto, e acarretou na prisão de Paulo e Silas.
Mas porque o Apóstolo Paulo tomou uma atitude tão drástica uma vez que as palavras do espírito eram verdadeiras? Para entendermos é preciso de um pouco de contexto cultural, bíblico e teológico.
Na mitologia grega (que naqueles dias não era entendida como mito, mas religião) Píton era uma serpente gigantesca que foi morta por Apolo. Ela cuidava do oráculo de Delfos, de onde se podia fazer prognósticos. Sendo assim, alguém que previa o futuro era tido como pitonisa, vidente, e portanto, de grande valor para aqueles que quisessem lucrar em jogos de azar. Mas, pensando assim, segundo a mitologia grega, e, reconhecendo nesse texto a afirmação de que a jovem tinha um espírito de Píton, não estariam os profetas da batalha espiritual corretos? Por isso o texto sem contexto, serve sempre de pretexto.
Devemos lembrar que a ação de Satanás e seus anjos é sempre limitada pelo poder e propósito de Deus. Não se tratam de seres autônomos (e quem o é?) que tudo fazem conforme a sua própria deliberação. Em Jó podemos observar Satanás servindo aos propósitos de Deus imaginando-se livre. Todavia sua "liberdade" é condicionada aos limites impostos por Deus (Jó 1.11, 12; 2.5, 6). É Deus quem ao mesmo tempo atiça e impõe limites para Satanás agir na vida de Jó para cumprir o Seu propósito (Jó 42.1-6). O próprio Deus envia um espírito maligno para atormentar Saul (1 Samuel 16.23); e também de mentira para enganar Acabe (1 Reis 22. 19-23). E ainda mais contundente com o texto em questão é o paradigma de Deuteronômio 13.1-3:
Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio,
e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los,
não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.
Era previsto que alguém que se achegasse aos israelitas e fizesse sinal ou previsão, que uma vez confirmada, e dissesse vamos após outros deus, que serviria isso de armadilha para desviar o povo do seu culto ao verdadeiro Deus. Numa perspectiva escatológica, é exatamente isso que fará a Besta que emerge da terra (Apocalipse 13. 11-14). Logo, a menina possessa de Píton, em última instância serve ao propósito de Deus de provar o seu povo. Não estou negando a possessão demoníaca, apenas ajustando-a a ortodoxia bíblica, de que a jovem não estava ali por acaso, nem simplesmente a mercê de seus senhores (Satanás inclusive). Os sinais por ela operados ali podiam enganar os gentios, mas não o povo de Deus. Logo, os sinais de premonição podiam ser autênticos, ela de fato podia prever o futuro, mas por determinação divina, e não por algum poder satânico intrínseco. O espírito de Píton não era senão mais um escravo de Deus, como o próprio Satanás o é.
É necessário considerar ainda, teologicamente falando, a intolerância de Paulo para com a palavra propagada pela moça. Afinal, a verdade é a verdade, e nada do que a escrava dizia era mentira. Todavia, sendo sua fonte imunda, que a muitos escravizava no engano, o apóstolo não podia admitir tal associação. Se num momento a pitonisa se presta ao engano com seus prognósticos, teria o espírito que nela estava mudado de ideia? É certo que não. Seria como misturar as palavras em seus propósitos.
Quando Jesus chega a Gadara e encontra ali um possesso de Legião (pois eram muitos demônios), e este o adorou chamando-o de Filho do Altíssimo, nem por isso ele aceitou aquela "adoração" (Marcos 5.1-17). As semelhanças entre os dois textos não são coincidência. Paulo, assim como Jesus, repele o demônio pois ainda que dizendo a verdade, ele não pode ser fonte para nada que senão o engano. Também assim como Jesus, o Apóstolo causa prejuízo financeiro àqueles que lucravam com o pecado. Satanás não tem outro propósito que não este: enganar, roubar e matar desde o princípio (João 8.44). A mentira é algo que lhe é própria, e por isso mesmo, quando diz a verdade, sua real intenção é confundir.
Não se pode aceitar nenhuma outra fonte de testemunho confiável senão a do Espírito da Verdade (João 16.13). E seu modus operandis são as Escrituras. Diante da abordagem da possessa, Paulo está deixando claro que nenhum reconhecimento outro lhes serve a não ser a Palavra de Deus. E a pena para aqueles que se aventurarem a cruzar este procedimento é a expulsão.
Aplicando aos nossos dias, é visível (e audível) muitos espíritos de Píton, que até dizem a verdade, mas que não são fontes confiáveis. São emissoras de TV que abraçam o movimento gospel, filosofias de auto-ajuda que falam em nome do amor, religiões antropocêntricas que se propõe a salvar, e muitos outros que se prestam como o espírito da pitonisa a afirmarem alguma ou outra verdade. Mas em seu todo, tem servido a mentira da Antiga Serpente.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Se não podemos com eles... quem disse que não podemos?
" When you dance with the devil, never fool yourself into thinking that you're leading. "Essa é velha: Se não podemos com eles, juntemo-nos a eles. Mas é possível que esse dizer tenha outra conotação que não a de aderência, ou mudança. Pode ser uma estratégia não de rendição, mas de aniquilação do inimigo.
Pense no clássico Cavalo de Troia. Um presente de aparente rendição dado pelos gregos aos incautos troianos. Estes levaram para dentro de seus "intransponíveis" muros o monumento que carregava dentro de si a derrocada daquele povo. Essa história todos conhecem.
Mas o que parece que muitos crentes (ou crédulos) não reconheceram até agora é que trata-se de um cavalo de troia a recente abertura da mídia, em especial a da Globo, de uns meses para cá, para os "evangélicos". Muitos dos que "conquistaram" (ou foram conquistados) a emissora de maior audiência do Brasil respondem as críticas como se os que estão de fora fossem meros invejosos.
Bem, eu diria que as críticas que Silas Malafaia fazia há cerca de 15 anos atrás contra a Globo, quando era subsidiado pela Record no programa 25 hora, era um baita dor de cotovelo. Hoje a prova disso é que longe de seu benfeitor da década de 90, encontra abrigo naquela que mais atacou durante muito tempo. Quem desdenha quer comprar, ou ser comprado.
O que dizer daqueles que durante muito tempo criticaram novelas e seus temas, que de fato são geralmente imorais em suas leituras e defesas, mas que agora capitalizam músicas em cenas dessas mesmas novelas? Que eu saiba, as novelas não mudaram, a não ser para pior. Mas para estes, suas músicas tornaram o solo sagrado onde antes havia apenas imoralidade. Assim como querem converter o carnaval, querem converter as novelas, apenas ao som da música gospel.
Há 10 anos atrás seria muito difícil imaginar evangélicos sendo bajulados em programas da Globo, o que hoje está acontecendo toda semana. A pergunta que faço é simples: Quem mudou, a Globo ou os evangélicos? Assim como as novelas, se a Globo mudou foi para pior, e os evangélicos idem.
Por maior que seja a exposição dos evangélicos, pouco (ou nada) se expõe das Escrituras. Pouco se fala de Jesus, sua vida, morte e ressurreição. Do pecado, da vergonha e da necessidade de arrependimento dos homens. O que mais se fala é em glória (de Deus? nunca), vitórias, sonhos, conquistas e felicidade. Quem não quer ouvir mensagens como essas, tão positivas? Os gurus do pensamento positivo curtiram isso.
Em uma semana vi o Festival Promessas com uma miscelânea ídolos gospel, depois no youtube um tal de Pregador (não sei de que?) Luo e Diante do Trono no Caldeirão do Huck sacudindo as assistentes de palco, ouvi Aline Barros no show da virada cantar após Michel Teló. Vi, finalmente (quem dera), uma "pastora" Ana Lúcia esquentar o Esquenta da Regina Casé. Todos esses "crentes" poderiam dizer que, como Jesus, ali estavam com publicanos e pecadores. Mas a diferença entre eles e Jesus, que de fato andou com esse povo, é que o Filho de Deus veio para salvar o perdido, para curar o doente, e não para animá-los e dizer que a vitória é certa.
Jesus era seguido, e não seguia ninguém. Jesus disse a adúltera, depois de marretar a consciência de seus acusadores hipócritas: vá, e não peques mais. Ele não massageou o ego daquela "injustiçada", não disse "está tudo bem". Hoje, o máximo que um destes "pregadores" diriam é: Deus não deixará seus sonhos morrerem. Os sonhos de uma adúltera e de tantos outros, não fazem parte dos planos de Deus de santidade. Certamente a oportunidade na presença dos ímpios era a de testemunhar os propósitos de Deus em sua Palavra, e não afagar o ego dos pecadores com palavras de encorajamento.
Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. Nem Globo, nem mídia alguma pode deter o avanço do evangelho. Certamente, assim como Satanás acorrentado no abismo, o mundo não pode impedir o avanço do testemunho de Jesus, mas irá se opor de todas maneiras possíveis. Uma delas é justamente essa, estrategicamente juntar-se aos evangélicos. Inserir seu cavalo de troia dentro da igreja evangélica do Brasil. Os evangélicos que assim se venderam podem pensar o contrário, podem sonhar que eles é que estão invadindo a Globo (as portas do inferno?) e de lá saqueando milhares de vidas. Podem pensar que eles é quem são o cavalo de troia. O problema é que a Palavra é muito simples quanto a isso: Prega o evangelho. Uma vez que isso não esta sendo feito, nada feito.
Há tempo, nunca me esqueço de uma frase de efeito do filme 8 milímetro, com o Nicolas Cage. Uma filme pesado sobre um detetive que entra no submundo da pornografia. Alertado por um atendente de sex-shop (Joaquin Phoenix), ele ouviu: Quando você dança com o Diabo, o Diabo não muda, ele muda você. A Globo não mudou, quem mudou?
sábado, 24 de dezembro de 2011
O Natal Presente

É sempre muito chato falar em Natal contrastando-o com o consumismo oportunista da época. Fazer oposição à figura de Papai Noel, denunciar sua malignidade ao desvirtuar o significado do Natal, é enfadonho. Todo ano é assim. O consumismo e seu patrono configuram o "espírito natalino" que leva incontáveis pessoas a imaginar que o sentido do Natal é ser uma pessoa um pouco melhor, anda que por poucas horas, e as custas de presentes trocados. Tudo isso é muito triste e cansativo.
Mas em um certo sentido, a temática do presente não é de toda ruim para esse dia escolhido como lembrança do nascimento do Filho de Deus. O Natal não é tempo de presentes, mas em si mesmo é o próprio presente. Considerando os homônimos da palavra presente, podemos considerar a preciosidade do nascimento de Jesus em dois sentidos.
Primeiro é importante lembrar que o nascimento de Jesus é uma dádiva do Pai. João 3.16 diz que Deus amou o mundo e deu seu Filho para a salvação de todo aquele que nele crê. O nome Jesus já nos anuncia o quão poderoso é esse presente dos céus, pois ele veio salvar o seu povo dos seus pecados (Mateus 1.21). O próprio Jesus se dá para nós, uma vez que ele mesmo entregou sua vida por amor de nós (João 10.17,18). Receber esse presente só é possível pela fé em sua pessoa e obra: Crer que ele é o Filho de Deus que viveu e morreu para nos salvar e dar vida eterna. É preciso ao mesmo tempo confessá-lo assim (Romanos 10.10).
O Natal também é presente pois para sempre o Filho de Deus veio habitar conosco. O Eterno se fez temporal, mas ao mesmo tempo nos introduziu a eternidade. Deus se fez homem para sempre, ele tabernaculou conosco como a glória do Pai (João 1.14), para nos estabelecer eternamente em seu reino. Mesmo que por pouco ausente fisicamente, ele disse que estaria conosco pelos séculos dos século (Mateus 28.20). E, quando no Novo Céu e Nova Terra, vivermos sempre com ele, isto é, aqueles mesmos que o receberam e foram feitos filhos de Deus (João 1.12), poderemos então contemplá-lo com nossos próprios olhos. Nada é maior que isso, que a comunhão com nosso Senhor. Nossa fé hoje deve nos lançar a essa promessa. Nossa esperança maior deve estar nessa comunhão, mais do que em qualquer outra coisa.
Portanto, antes de pensar em qualquer outro presente perecível nesses dias, é bom louvar a Deus pelo presente eterno e mais valioso que já foi dado a alguém: Jesus Cristo, o Filho de Deus. Também não devemos fazer isso uma única vez ao ano, mas todos os dias, pois Ele é sempre digno de adoração. Faremos isso na eternidade, comecemos pois desde hoje.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Vítima de nós mesmos... ou, o "Viticismo"

Nao sei se já falei sobre isso nesse blog, se sim, vamos lá outra vez: As vítimas que vitimizam os outros. Algumas pessoas, passando-se por vítimas, tornam outras pessoas também suas vítimas com defesas que são verdadeiros ataques. Passando-se por coitados, lançam a razão de suas mazelas sobre outras pessoas que de alguma forma podem ou não estar relacionadas a elas. Onde quero chegar com tudo isso?
Tenho acompanhado uma novela virtual que me fez pensar em tudo isso. Imagine um pastor que foi desligado do campo onde estava por razões que cabem ao seu presbitério, e que por esse motivo se sente vítima do "sistema de homens que querem tão somente prejudica-lo". Em um site de relacionamento o indivíduo torna-se uma metralhadora giratória, lançando ataques e ameaças contra a IPB, seus concílios e pastores. Sobre esse cenários, consideremos duas possibilidades.
A primeira é que o pastor não estava a altura para o trabalho, sendo por justa causa despesado do campo. Essa seria uma excelente oportunidade de reavaliar seu ministério, onde errou, no que precisa melhorar e acertar, ou se realmente é vocacionado. É uma oportunidade de autocrítica, e de reconhecermos que nem sempre (e muitas vezes) podemos estar aquém do que o ministério pastoral exige de nós. É melhor sofrer uma dispensa assim, do que fazer perecer a obra do Reino.
A outra é que a dispensa se dê por motivos injustos. Pode ser o caso de política do conselho ou do presbitério, um puxão de tapete por motivos pessoais, e não pelo mau desempenho do obreiro. Pessoas que sofrem tal injustiça têm nessa situação a oportunidade de se dizerem realmente perseguidas por causa do Reino. Uma vez que o indivíduo desemprenha bem o seu trabalho, e isso é manifestação da graça e do poder do Senhor Jesus, aqueles que se levantam contra ele estão na verdade perseguindo a Cristo (Mateus 5. 10,11; Atos 9.4). E nesse caso, a Palavra nos ensina a orar e bendizer nossos algozes (Mateus 5.44). Devemos nos humilhar como fez Davi ao fugir pelos fundos do palácio e suportar a afronta de Simei (2Sm 16.5-14). Crer que a paga para destes perseguidores pertence a Deus (2Tm 4.14).
O que percebo em ambos os casos, sendo justa ou injusta a dispensa, é que o obreiro pode vir a achar-se dono do campo, e por isso sente-se furtado. Igreja nenhuma é nossa, por mais tempo que estejamos em um lugar, por mais que tenhamos servido ali, tudo é de Cristo (1Co 3.21-23). De uma forma ou de outra, iremos passar, mas em Cristo nosso trabalho nunca é vão (1Co 15.58). Devemos dar-nos por satisfeitos simplesmente por ter tido a oportunidade de servir. E sendo esse o desejo maior do servo, agradar ao seu Senhor, deve seguir e buscar outro campo onde seja útil.
Em meio a tudo isso o nome de Cristo é desonrado. Igrejas sofrem e pessoas são inflamadas pelo ódio. E agora, com a inclusão digital, a maledicência corre à velocidade da banda larga. Um mal que deveria ser pessoal, torna-se uma novela virtual. Que Deus trate daqueles que semeiam contendas, gere em seus corações arrependimento, e console o coração dos injustiçados.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Benício... um ano depois.
Hoje meu filho Benício comemora um ano de idade. É o nosso primeiro filho, e nem preciso dizer que foi um ano completamente diferente dos demais. Se bem que, todo ano é diferente dos demais. Mas de certa forma, até uma certa idade, os anos são diferentes, mas sempre os mesmos. Isso é algo que não se experimenta quando mais jovem, anos diferentes e completamente diferentes.
Assim como o primeiro ano de casado, quando se descobre que existe uma vida além da sua própria, agora, eu e a minha esposa descobrimos que existe uma vida além da nossa. O egoísmo não se conjuga com amadurecimento. Uma boa fração do amadurecimento é deixar o egoísmo para trás. Grande é esse paradoxo, mas com a vinda dos filhos, estes nos ensinam o que devemos ensinar a ele.
De outra sorte, uma observação quase constante da parte daqueles que já têm filhos crescidos é "aproveite enquanto é pequeno, pois depois que crescem..." ou ainda "quando é pequeno é tão bom, depois que cresce...". Até entendo que existe um aspecto tenro, e seguro na primeira infância. Tê-lo nos braços quando se quer, saber que ele está sob nosso cuidado, pode até gerar um sentimento de controle, segurança, mas se amadurecer é deixar o egoísmo, devemos amadurecer com nossos filhos. O amor deve crescer com os filhos crescidos.
Pensando no que temos experimentado ao longo desse ano, um amor que cresce a cada dia, creio as dificuldades que provavelmente nos esperam podem ser vistas com outros olhos. O amor é aprendizado, e ao mesmo tempo ensino. Não podemos simplesmente amar cada vez mais nossos filhos, sem também ensiná-los a amar. Isso só é possível quando amamos a Deus sobre todas as coisas. Amar a Deus é deixar de lado nosso egoísmo, é caminharmos para o amadurecimento proposto em Cristo, à estatura de varão perfeito (Romanos 8.29; Efésios 4.13).
Por isso, o verdadeiro amadurecimento de nossos filhos passa pelo amor a Deus. Devemos fazer parte desse ensino, tanto pelo nosso testemunho de amarmos a Deus, como também amando nossos filhos, deixando o egoísmo e amadurecendo junto deles. Em todos os casos, procede de Deus o amor e a maturidade necessária para pais e filhos.
Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda tua força.
Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração;
tua as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.
Deuteronômio 6. 5-7
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Importa agradar a Deus. E aos homens?

É desconfortável pensar que não se pode sempre agradar as pessoas. Desagradar é como sentir-se em dívida, deveríamos ter dado, ou prestado algo, e assim não o fizemos. E desagradável sentir-se em dívida, desagradar a outros.
Mas como equacionar o fato também de que a ninguém devemos dever coisa alguma, senão o amor (Rm 13.8)? Como conjugar o amor ao próximo, principalmente aos irmãos, e ao mesmo tempo agradar sempre a Deus?
De fato não podemos agradar as pessoas sempre por alguns motivos naturais. Primeiro que ninguém conhece todos os gostos de todos ao seu redor. E Também ninguém seria capaz de corresponder a todos esses gostos. Somos limitados, e diria também, somos o que somos, e como tais não nos ajustamos a tudo e a todos. Algo sempre vai desagradar o outro.
Mas e quando se trata de algo que decidimos não fazer, conscientemente não agradar? Quando somos conscientemente desagradáveis? Volto a questão anterior: Como conjugar isso ao amor ao outro?
Sabemos que não devemos agradar aos homens em detrimento de Deus. Quando chamados ao Sinédrio, Pedro e João deixaram isso claro as autoridades, quando estas lhes ordenaram não ensinar e nem falar em nome de Jesus (Át. 4.18-20). Quando agradar ao próximo implica em desagradar a Deus, não precisamos ter dúvidas do quanto seremos desagradáveis. Seja por ordem legal, seja em um relacionamento pessoal ou profissional, devemos estar prontos para nos tornarmos persona non grata.
Por outro lado, se realmente considerarmos o amor da perspectiva verdadeira, do prisma de Deus, devemos lembrar que amar não é ser agradável sempre, e ainda mais quando estamos cientes de que os caminhos do outro são caminhos de morte. Não estou dizendo que temos licença para ofender ou atacar, mas que por vezes, quando expressamos a verdade em amor, contra pecado praticado pelo outro, é assim que as pessoas se sentem, atacadas e ofendidas. Estas, se de fato estão em pecado, se esqueceram de que primeiro atacaram e ofenderam a Deus, e que é para o próprio bem delas que estamos acentuando o seu erro.
Não é porque somos perfeitos, ou juízes, mas porque antes de tudo amamos a Deus, e temos zelo pela sua Palavra e o que ela requer de nós. É também porque amamos a outra pessoa, e desejamos que ela esteja em paz com Deus, e sabemos que isso só é possível por meio de Cristo. Por isso confrontamos o pecado com a Palavra, porque ela nos aponta Cristo como imagem perfeita, como devemos ser (Rm 8.29).
Certamente, desagradando tantas pessoas, teremos também a sensação desagradável de nos sentirmos distantes da maioria. Mas se verdadeiramente temos buscados agradar a Deus por meio de sua Palavra, e ela nos incumbe isso, vivamos pela fé de que o que é elevado entre os homens e abominável a Deus (Lucas 16.15).
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