segunda-feira, 5 de março de 2012

Ídolos de pau, de ouro e de carne.



O artífice funde a imagem, e o ourives a cobre de ouro e cadeias de prata forja para ela.

O sacerdote idólatra escolhe madeira que não se corrompe e busca um artífice perito para assentar uma imagem esculpida que não oscile.
(Isaías 40. 19, 20)

É com ironia que Deus descreve a fabricação da imagem de um ídolo. Ainda que produzido com metais preciosos, e com madeira escolhida, é preciso perícia para que a imagem não oscile. Além de ser feita por mãos de homens, ainda precisa ser bem confeccionada, pois do contrário pode cair e quebrar. É diante de uma imagem como essa que outros homens se prostrarão e buscarão auxílio. É em um pedaço de pau coberto de ouro ou prata que se apegarão para sua salvação. Certamente seria mais proveitoso se buscasse socorro no próprio artífice.
Mas não só de pau, gesso ou metais precisos vivem os ídolos. Em nossos dias, ídolos de carne e osso se apresentam em pedestais midiáticos. Seu andor é a televisão, onde são beijados com gordas ofertas para o seu programa de salvação mundial e universal. Assim como os ídolos mortos, os vivos também não se sustentam sozinhos. Sem as contribuições financeiras oscilam e podem cair e quebrar-se. Os mesmos que prometem riquezas sem fim, ao mesmo tempo atestam sua carência apelando para os recursos alheios. Isso não é irônico?
Fato é que de pau, de gesso ou de carne, os ídolos atestam sua fraqueza e incompetência na provisão das necessidades dos homens. Eles mesmos dependem da boa vontade do artesão para sua sustentabilidade, ou dos pagãos (no sentido dos que pagam suas indulgências... rssss) para sua sobrevivência na mídia. 
Somente o Deus que criou toda as coisas pode ser nosso auxílio. Somente aquele que não é servido por mãos humanas, que é o doador e mantenedor da vida pode nos socorrer (Atos 17.24, 25). E mais do que a vida, ele nos dá vida eterna em seu Filho, que longe de um andor ou de uma tela de televisão, morreu na cruz para nos salvar. Ele ressuscitou, está vivo e deve ser adorado. Ele é Deus que se fez homem, e não um deus feito por homens. 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lloyd-Jones falou, Lloyd-Jones avisou...



Dr. D. Matyn Lloyd-Jones em sua obra Pregação e Pregadores afirma o seguinte nas páginas 21 e 22:

Pior ainda tem sido a incrementação do elemento entretenimento no culto publico – o emprego de filmes e uso de mais e mais cânticos; a leitura da Palavra e a oração foram drasticamente abreviadas, porém, mais e mais tempo foi sendo consagrado aos cânticos. Já existe um “especialista em musica” como se fora uma nova espécie de oficial eclesiástico, e ele conduz os cânticos, e supostamente compete-lhe produzir o ambiente próprio. Porém, ele gasta tanto tempo para produzir o ambiente próprio que não resta tempo para a pregação nesse ambiente! Tudo isso faz parte da depreciação da mensagem.
Então, como se não bastasse, há a apresentação de testemunhos. É interessante observar que à medida que a pregação como tal vem declinando, os pregadores mais e mais têm se utilizado das pessoas para que dêem seus testemunhos; principalmente se são pessoas importantes em qualquer outro ramo da vida. Dizem que isso atrai as pessoas para o Evangelho, persuadindo-as a dar-lhe ouvidos. Quando se puder encontrar um almirante, um general, ou qualquer outra pessoa que tenha um título especial, ou um jogador de futebol, ou um ator, atriz ou estrela de cinema, ou cantor de música popular, ou qualquer outro personagem bem conhecido do público, então que se dê a tal pessoa a oportunidade de dar seu testemunho. Isso é reputado como algo muito mais valioso do que a pregação e a exposição do Evangelho. Vocês já notaram que classifiquei tudo isso sob o termo “entretenimento”? Acredito que todas essas coisas não passam disso. Mais é isso que a Igreja vem procurando, ao mesmo tempo em que tem voltado as costas para a pregação.

Esses "ministros de louvor", por vezes auto intitulam-se "levitas". Acreditam realmente que o louvor liberta, ou até mesmo que ministram ao coração de Deus. Os testemunhos, como um peso de comprovação do poder de Deus, respaldam-se mais na história do indivíduo, do que na história da salvação (historia salutis).
Escrito em 1971, esse livro já considerava os desajustes entre a proposta de culto e a pregação. A análise neste primeiro capítulo intitulado "A Primazia da Pregação" é analisar o descaso para com a exposição bíblica. É uma pena que sua observação tão pertinente não foi ouvida.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sonhos sem explicação

Quando comecei a escrever.

Esse é mais um sonho contado como sonho. Ainda nem bem amanheceu, e nessa madrugada já acordei duas ou três vezes. Primeiro com a forte chuva que me fez ir a sala fechar a porta da sacada e me deparar com meu netbook sendo borrifado de água. Graças a Deus ele passa bem.
Em seguida, mesmo acordado fui despertado novamente pela noticia da morte do Bispo Robinson Cavalcanti e de sua esposa. Sua morte me fez refletir sobre a misericórdia e o amor de Deus. Pensei que por mais que tenha servido um homem, com todos os seus conceitos pessoais, a entrada na vida é tão somente pelo único e estreito caminho da Verdade. Não compartilhava de alguns de seus pensamentos, mas creio que adentramos a mesma porta estreita que conduz a salvação.
Dormi mais uma vez e sonhei, e como a maioria dos sonhos, coisa sem pé nem cabeça. Mas o tronco desse corpo sem pé e cabeça era algo mais ou menos assim. Conheci alguns missionários, ou pastores americanos de uma igreja racionalista, como se apresentaram. Perguntei-lhes no criam, e me disserem que em tudo que podia ser apreendido pela razão, pelos sentidos, o que consideravam real. Perguntei o que adoravam nessa igreja, e então ficaram sem resposta. Disse-lhes que algumas coisas você simplesmente não pode explicar. Que Deus não contraria a razão, mas é maior que ela. Que seu Filho se encarnou na historia, mas existe antes dela. Que isso não era contrario a razão, mas além dela. Na seqüência do sonho, me via procurando por açaí para servi-los, e então descobri que o pote tinha ficado fora do freezer e descongelado. Acordei sem conseguir achar nada para oferecer-lhes.
Benício começou a chorar e o levei para cama às 5:30 para dormir conosco. Mas não voltei a dormir mais.

Quando terminei.

"O que me faz viver, vai além da lógica. É maior do que a amplitude cósmica. Que o meu pensar." (VPC)

"Something you just can't explain."

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Os Crentes e o Carnaval


O Carnaval é uma época esperada por muita gente. Para alguns "o melhor período do ano". Para outros, o pior. E em vários casos, os últimos dias de vida. O número de mortes, acidentes e outros tipos de mazelas costumam se amontoar nessa época. Para mim, no período de Carnaval de 1993 eu morri e ressuscitei.
Foi em um retiro de Carnaval da Igreja Presbiteriana de Cuiabá que fui decisivamente alcançado por Cristo. Nascido e criado nessa igreja, eu não conhecia pessoalmente o meu salvador, mas apenas de ouvir falar. Pela graça de Deus, em circunstâncias de profunda humilhação e quebrantamento, em uma das noites de retiro, o Senhor matou o velho homem e me fez nascer filho de Deus. Desde então tenho crescido nessa mesma graça e sido alimentado por sua Palavra.
Sei que assim como eu, milhares de pessoas foram e são alcançadas em retiros na época de Carnaval. Apesar dos retiros serem programados para os membros da igreja, sabemos que muitos que se dizem "crentes" (como eu  até então), não nasceram de novo ainda. Há também os visitantes que acompanham amigos para os retiros, e esse é também um tempo muito propício para que conheçam a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.
Todavia, de tempos para cá, grupos de evangelismo de impacto têm deixado as fileiras dos acampamentos e entrado no território inimigo para ali anunciar a Palavra. Já fiz isso no tempo de seminário. Por dois anos evangelizei em Brasília na Micarecandanga, e em Caldas Novas no Carnaval de 2001. Sei de pessoas que foram alcançadas por Cristo nesse contexto. Creio que trata-se de um trabalho necessário também.
O que não pode existir entre os crentes é uma disputa destas duas frentes de trabalho. São ambas necessárias no seu âmbito de atuação. Ambas devem servir ao Reino e não a satisfação pessoal dos crentes. Nisso é possível observar distorções no propósito.
Creio que os retiros servem para que os irmãos tenham um tempo maior de comunhão, crescimento nos estudos bíblicos e intensa evangelização daqueles que ali estão mas que ainda não são crentes verdadeiros - sejam os visitantes, assim como os membros meramente nominais. O foco é perdido quando o retiro se torna um refúgio, um tempo apenas para nos afastarmos do mundo. Nos esquecemos que o próprio Senhor Jesus orou para que não fossemos tirados do mundo (João 17.15). O mundo decaído pelo pecado não se encontra do lado de fora das portas da igreja, mas na vida e no proceder de cada pessoa que não é nova criatura. Imaginar que em um acampamento é possível ficar longe da carnalidade por um simples deslocamento geográfico é muita ingenuidade. A iniquidade das pessoas as acompanham onde quer que estejam. Os acampamentos não estão imunes a carnalidade das pessoas, e quem já trabalhou em retiros sabe disso. Assim, mesmo "retirados", precisamos de ofensiva bíblica na vida dos acampantes, não mero entretenimento.
O evangelismo nas festas de Carnaval é ao mesmo tempo simples e difícil por uma série de fatores. É simples porque a mensagem do evangelho é uma só onde quer que estejamos: A vida, a morte e a ressurreição de Jesus como cumprimento do plano de salvação de Deus. A necessidade de arrependimento e fé nessa palavra para termos vida eterna em Jesus. Quando pregamos em meio a uma festa de Carnaval é necessário salientar que a vida em Cristo exclui a vida na carne (Romanos 8.1). É compatibilização entre o Reino e o Mundo dizer: "vamos mostrar as pessoas que podemos ser feliz sem drogas e sexo. Vamos mostrar as pessoas que somos feliz com Jesus."  O foco da mensagem passa a ser a alegria dos crentes, e não do senhorio de Cristo. Acreditam que o foco do evangelismo é o seu estilo de vida - uma vida alegre, sem vícios, sem imoralidade, com Jesus como adicional. Isso não passa de um farisaísmo recauchutado. Em alguns casos, procura-se até mesmo "converter" o Carnaval, tornando-o em algo aceitável aos padrões evangélicos, como se tenta fazer com outras festas. Se esquecem assim de que é impossível servir a dois senhores (Mateus 6.24). Ou estão ali para servir a Jesus ou a carne.
É bom que se faça desse período de Carnaval como todos do ano: tempo para servir ao Senhor de nossas vidas. Seja no acampamento, seja evangelizando no Carnaval, o evangelho da salvação em Cristo deve ser anunciado.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Quando a vida é uma festa...

Na Bahia, as autoridades públicas, de ambos os lados nesse processo de greve, governo e segurança, não estão preocupados se "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu". Já morreram mais de 100, mas o que realmente pesa na decisão final é se haverá ou não Carnaval.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Demônio da Verdade.

É patrocinado pela turma do movimento de batalha espiritual a ideia de que os demônios têm suas ações específicas. Com nomenclatura própria (nunca ouvi falar que demônios teria RG ou CPF), os demônios se especializaram em certas ações tais como imoralidade sexual (Pomba Gira); doenças (Exu Caveira); problemas financeiros (Tranca Rua); vícios (Zé Pilintra)... e por ai vai. É claro que nao há respaldo bíblico para todo esse pensamento animista, mas é interessante pensarmos em um demônio a respeito do qual Atos nos fala, e que poderia ser chamados de Demônio da Verdade.
Em Atos 16. 16-18, na cidade de Filipos, Paulo e seus companheiros se deparam com uma jovem escrava possessa de um espírito de Píton, que servia como adivinha, e que por isso dava grandes lucros aos seus senhores. Diz o texto que todos os dias que eles iam para o lugar de oração, esta jovem os acompanhava dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. Nada podia ser mais verdadeiro que as palavras dessa moça. Mas Paulo, voltando-se para o espírito e o expele da jovem pelo nome de Jesus. É certo que ela ficou liberta, pois nunca mais deu lucro aos seus senhores. Isso causou grande tumulto, e acarretou na prisão de Paulo e Silas.
Mas porque o Apóstolo Paulo tomou uma atitude tão drástica uma vez que as palavras do espírito eram verdadeiras? Para entendermos é preciso de um pouco de contexto cultural, bíblico e teológico.
Na mitologia grega (que naqueles dias não era entendida como mito, mas religião) Píton era uma serpente gigantesca que foi morta por Apolo. Ela cuidava do oráculo de Delfos, de onde se podia fazer prognósticos. Sendo assim, alguém que previa o futuro era tido como pitonisa, vidente, e portanto, de grande valor para aqueles que quisessem lucrar em jogos de azar. Mas, pensando assim, segundo a mitologia grega, e, reconhecendo nesse texto a afirmação de que a jovem tinha um espírito de Píton, não estariam os profetas da batalha espiritual corretos? Por isso o texto sem contexto, serve sempre de pretexto.
Devemos lembrar que a ação de Satanás e seus anjos é sempre limitada pelo poder e propósito de Deus. Não se tratam de seres autônomos (e quem o é?) que tudo fazem conforme a sua própria deliberação. Em Jó podemos observar Satanás servindo aos propósitos de Deus imaginando-se livre. Todavia sua "liberdade" é condicionada aos limites impostos por Deus (Jó 1.11, 12; 2.5, 6). É Deus quem ao mesmo tempo atiça e impõe limites para Satanás agir na vida de Jó para cumprir o Seu propósito (Jó 42.1-6). O próprio Deus envia um espírito maligno para atormentar Saul (1 Samuel 16.23); e também de mentira para enganar Acabe (1 Reis 22. 19-23). E ainda mais contundente com o texto em questão é o paradigma de Deuteronômio 13.1-3:
Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio,
e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los,
não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.  
Era previsto que alguém que se achegasse aos israelitas e fizesse sinal ou previsão, que uma vez confirmada, e dissesse vamos após outros deus, que serviria isso de armadilha para desviar o povo do seu culto ao verdadeiro Deus. Numa perspectiva escatológica, é exatamente isso que fará a Besta que emerge da terra (Apocalipse 13. 11-14). Logo, a menina possessa de Píton, em última instância serve ao propósito de Deus de provar o seu povo. Não estou negando a possessão demoníaca, apenas ajustando-a a ortodoxia bíblica, de que a jovem não estava ali por acaso, nem simplesmente a mercê de seus senhores (Satanás inclusive). Os sinais por ela operados ali podiam enganar os gentios, mas não o povo de Deus. Logo, os sinais de premonição podiam ser autênticos, ela de fato podia prever o futuro, mas por determinação divina, e não por algum poder satânico intrínseco. O espírito de Píton não era senão mais um escravo de Deus, como o próprio Satanás o é.
É necessário considerar ainda, teologicamente falando, a intolerância de Paulo para com a palavra propagada pela moça. Afinal, a verdade é a verdade, e nada do que a escrava dizia era mentira. Todavia, sendo sua fonte imunda, que a muitos escravizava no engano, o apóstolo não podia admitir tal associação. Se num momento a pitonisa se presta ao engano com seus prognósticos, teria o espírito que nela estava mudado de ideia? É certo que não. Seria como misturar as palavras em seus propósitos.
Quando Jesus chega a Gadara e encontra ali um possesso de Legião (pois eram muitos demônios), e este o adorou chamando-o de Filho do Altíssimo, nem por isso ele aceitou aquela "adoração" (Marcos 5.1-17). As semelhanças entre os dois textos não são coincidência. Paulo, assim como Jesus, repele o demônio pois ainda que dizendo a verdade, ele não pode ser fonte para nada que senão o engano. Também assim como Jesus, o Apóstolo causa prejuízo financeiro àqueles que lucravam com o pecado. Satanás não tem outro propósito que não este: enganar, roubar e matar desde o princípio (João 8.44). A mentira é algo que lhe é própria, e por isso mesmo, quando diz a verdade, sua real intenção é confundir.
Não se pode aceitar nenhuma outra fonte de testemunho confiável senão a do Espírito da Verdade (João 16.13). E seu modus operandis são as Escrituras. Diante da abordagem da possessa, Paulo está deixando claro que nenhum reconhecimento outro lhes serve a não ser a Palavra de Deus. E a pena para aqueles que se aventurarem a cruzar este procedimento é a expulsão.
Aplicando aos nossos dias, é visível (e audível) muitos espíritos de Píton, que até dizem a verdade, mas que não são fontes confiáveis. São emissoras de TV que abraçam o movimento gospel, filosofias de auto-ajuda que falam em nome do amor, religiões antropocêntricas que se propõe a salvar, e muitos outros que se prestam como o espírito da pitonisa a afirmarem alguma ou outra verdade. Mas em seu todo, tem servido a mentira da Antiga Serpente.
Em algum momento todos precisam dizer a verdade, até porque a mentira não subsiste sem a ela. O engano precisa do que é verdadeiro para em certo ponto ganhar confiança, e só depois desviar-se para o seu propósito. Portanto, não basta que se diga alguma verdade, é necessário que proceda da Verdade, do Espírito da Verdade que nos conduz a toda verdade.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Se não podemos com eles... quem disse que não podemos?

" When you dance with the devil, never fool yourself into thinking that you're leading. "

Essa é velha: Se não podemos com eles, juntemo-nos a eles. Mas é possível que esse dizer tenha outra conotação que não a de aderência, ou mudança. Pode ser uma estratégia não de rendição, mas de aniquilação do inimigo.
Pense no clássico Cavalo de Troia. Um presente de aparente rendição dado pelos gregos aos incautos troianos. Estes levaram para dentro de seus "intransponíveis" muros o monumento que carregava dentro de si a derrocada daquele povo. Essa história todos conhecem.
Mas o que parece que muitos crentes (ou crédulos) não reconheceram até agora é que trata-se de um cavalo de troia a recente abertura da mídia, em especial a da Globo, de uns meses para cá, para os "evangélicos". Muitos dos que "conquistaram" (ou foram conquistados) a emissora de maior audiência do Brasil respondem as críticas como se os que estão de fora fossem meros invejosos.
Bem, eu diria que as críticas que Silas Malafaia fazia há cerca de 15 anos atrás contra a Globo, quando era subsidiado pela Record no programa 25 hora, era um baita dor de cotovelo. Hoje a prova disso é que longe de seu benfeitor da década de 90, encontra abrigo naquela que mais atacou durante muito tempo. Quem desdenha quer comprar, ou ser comprado.
O que dizer daqueles que durante muito tempo criticaram novelas e seus temas, que de fato são geralmente imorais em suas leituras e defesas, mas que agora capitalizam músicas em cenas dessas mesmas novelas? Que eu saiba, as novelas não mudaram, a não ser para pior. Mas para estes, suas músicas tornaram o solo sagrado onde antes havia apenas imoralidade. Assim como querem converter o carnaval, querem converter as novelas, apenas ao som da música gospel.
Há 10 anos atrás seria muito difícil imaginar evangélicos sendo bajulados em programas da Globo, o que hoje está acontecendo toda semana. A pergunta que faço é simples: Quem mudou, a Globo ou os evangélicos? Assim como as novelas, se a Globo mudou foi para pior, e os evangélicos idem.
Por maior que seja a exposição dos evangélicos, pouco (ou nada) se expõe das Escrituras. Pouco se fala de Jesus, sua vida, morte e ressurreição. Do pecado, da vergonha e da necessidade de arrependimento dos homens. O que mais se fala é em glória (de Deus? nunca), vitórias, sonhos, conquistas e felicidade. Quem não quer ouvir mensagens como essas, tão positivas? Os gurus do pensamento positivo curtiram isso.
Em uma semana vi o Festival Promessas com uma miscelânea ídolos gospel, depois no youtube um tal de Pregador (não sei de que?) Luo e Diante do Trono no Caldeirão do Huck sacudindo as assistentes de palco, ouvi Aline Barros no show da virada cantar após Michel Teló. Vi, finalmente (quem dera), uma "pastora" Ana Lúcia esquentar o Esquenta da Regina Casé. Todos esses "crentes" poderiam dizer que, como Jesus, ali estavam com publicanos e pecadores. Mas a diferença entre eles e Jesus, que de fato andou com esse povo, é que o Filho de Deus veio para salvar o perdido, para curar o doente, e não para animá-los e dizer que a vitória é certa.
Jesus era seguido, e não seguia ninguém. Jesus disse a adúltera, depois de marretar a consciência de seus acusadores hipócritas: vá, e não peques mais. Ele não massageou o ego daquela "injustiçada", não disse "está tudo bem". Hoje, o máximo que um destes "pregadores" diriam é: Deus não deixará seus sonhos morrerem. Os sonhos de uma adúltera e de tantos outros, não fazem parte dos planos de Deus de santidade. Certamente a oportunidade na presença dos ímpios era a de testemunhar os propósitos de Deus em sua Palavra, e não afagar o ego dos pecadores com palavras de encorajamento.
Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. Nem Globo, nem mídia alguma pode deter o avanço do evangelho. Certamente, assim como Satanás acorrentado no abismo, o mundo não pode impedir o avanço do testemunho de Jesus, mas irá se opor de todas maneiras possíveis. Uma delas é justamente essa, estrategicamente juntar-se aos evangélicos. Inserir seu cavalo de troia dentro da igreja evangélica do Brasil. Os evangélicos que assim se venderam podem pensar o contrário, podem sonhar que eles é que estão invadindo a Globo (as portas do inferno?) e de lá saqueando milhares de vidas. Podem pensar que eles é quem são o cavalo de troia. O problema é que a Palavra é muito simples quanto a isso: Prega o evangelho. Uma vez que isso não esta sendo feito, nada feito.
Há tempo, nunca me esqueço de uma frase de efeito do filme 8 milímetro, com o Nicolas Cage. Uma filme pesado sobre um detetive que entra no submundo da pornografia. Alertado por um atendente de sex-shop (Joaquin Phoenix), ele ouviu: Quando você dança com o Diabo, o Diabo não muda, ele muda você. A Globo não mudou, quem mudou?