quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Natal é Jesus nascer no coração?


Tenho pensado na afirmação de que Natal é Jesus nascer em nossos corações. Eu mesmo já disse isso, e participei de uma cantata onde uma das músicas fazia esta colocação. Mas não seria isso algo semelhante a afirmação de Bultmann quando diz que a ressurreição de Jesus se deu no querigma, ou seja, na experiência subjetiva dos discípulos em sua proclamação? Creio que em parte não, mas também em parte sim.
Como disse, eu mesmo já me vali dessa afirmação para apontar a necessidade de conversão das pessoas diante da mensagem de que Jesus nasceu nesse mundo. Que o evento do Natal não pode ser apenas mais uma parte do calendário de festas anuais, mas uma realidade na vida das pessoas pelo milagre da regeneração. De maneira alguma pretendia, e penso que muitos assim também não o fazem, esvasiar a historicidade do Natal em função de algum tipo de subjetividade superticiosa de fim de ano.
Mas, por outro lado, se deixamos de pregar o evento histórico, e suas implicações bíblicas, acabamos por subtrair a essência da mensagem natalina: a encarnação de Jesus, o fato de que veio ao mundo nascido de mulher, pela obra do Espírito Santo, para salvar seu povo dos seus pecados.
Sei que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, e não tenho nenhuma crise quanto a isso. Não vejo escândalo algum em separar um dia do ano para celebrar o fato de que o Filho de Deus veio a esse mundo em conformidade com o que as Escrituras dizem a esse respeito. Mas não posso fazer (como a mídia e o comércio o fazem) dessa data um dia místico no ano. E para isso é preciso afirmar não somente a necessidade individual de crer, como também aquilo em que se deve crer.
Portanto, não quero criticar o uso da expressão "nascer no coração", mas apontar a necessidade conjunta de se afirmar toda a história do nascimento de Jesus, pois do contrário, a fé não nos é outorgada (Romanos 10.17). Afirmar o "nascimento de Jesus nos corações" sem a mensagem bíblica por traz dessa obra regenerativa, é contribuir para a supertição reinante no pensamento moderno, é somar com a mensagem humanista de fim de ano de que o homem é intrisecamente bom. Jesus só pode nascer no coração dos homens quando, pela obra regenerativa do Espírito, eles são levados a fé na Palavra de Deus que, nesse caso específico, descreve o evento histórico da encaranção do Messias anunciado no Antigo Testamento.
Que Deus nos ajude a sermos fiéis em sua proclamação (1 Coríntios 4.2).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Tropeços Mortais


O efeito devastador que escândalos podem causar nas igrejas e sociedade, pode ser comparado aos mortos em um guerra, e as mortes de crianças abortadas criminosamente. Por escândalos aqui, me refiro aos de dois tipos: morais e teológicos.
O escândalo moral, que geralmente se dá em áreas de ordem sexual, financeira e ainda vícios socialmente condenáveis, pode ter o mesmo efeito midiático de uma guerra. Ou seja, sua repercussão é maior, mais detalhada, e de um impacto mais intenso nas pessoas. Mas, não minimizando os horrores de uma guerra, ou desprezando sua malignidade, podemos dizer que os estragos ainda são menores se comparados aos números do aborto.
Falando em números, podemos tomar o parâmetro da Segunda Guerra Mundial, onde cerca de 60 milhões de pessoas foram mortas. A Segunda Guerra durou de 1939 a 1945, ou seja, 6 anos praticamente. O número de abortos por anos gira em torno de 46 a 55 milhões todos os anos. Em outras palavras, quase uma Segunda Guerra Mundial todos os anos em crianças mortas. Mais uma vez quero dizer que não estou desqualificando uma atrocidade em razão da outra, mas apenas demonstrar que apesar da gama das mortes  silenciosas de bebês, a visibilidade daquelas ocorridas em guerras é muito maior. Poderíamos discorres sobre os horrores de ambos os tipos de genocídios, mas não é esse o meu foco aqui.
Quero apenas demonstrar que os escândalos de ordem moral têm proeminência em sua repercussão, na atenção dispensada pela maioria. Seus efeitos são mais facilmente percebidos, e por isso podem causar maior impacto. A palavra  "escândalo" significa literalmente tropeçar em uma pedra, cair por sua causa. Um escândalo moral tem o poder de tornar mais evidente uma queda individual ou coletiva. Tanto o que praticou alguma imoralidade, quanto os que por causa desse ato de outrem, abandonaram a fé.
Mas o escândalo teológica, o abandono da ortodoxia em razão de ensinos e práticas heréticas, é como um veneno que mata aos pouco, silenciosamente. Apesar de estar estampado na cara de muitas denominações, publicado e proclamado por seus proprietários e falsos profetas, nada disso causa tanto impacto. O silêncio ao qual me refiro não é o de seus emissários, os quais tem o microfone nas mãos. Falo a respeito de serem poucas as vozes de contestação a mentira proferida de maneira perversa. Falo do consentimento dos que discordam, mas acham que se trata de um mal menor. Uma coisa não deveria sobrepor a outra, ambas precisam ser tratadas com firmeza bíblica. Tanto o jovem que adulterou com a madrasta (1 Coríntios 5.1-5), quanto os falsos mestres judaizantes (Gálatas 1.8), são tratados com dureza por Paulo.  
De uma forma ou de outra, pessoas mortas espiritualmente são segregadas da Verdade pelos escândalos. Sei que da parte de Deus, soberanamente aqueles que se escandalizam e abandonam a fé (no sentido da verdade bíblica revelada), é porque nunca foram crentes de fato (Hebreus 10.38, 39), nunca foram regenerados pelo Espírito para verem o Reino (João 3.3). Mas, de outra sorte, apesar de serem inevitáveis os escândalos, pesa sobre os que o produzem um ai terrível (Lucas 17.1,2). Devemos nos ater para ambos os escândalos com o entendimento de que são mortais, e igualmente intoleráveis. Não me refiro com isso a ideia de que são imperdoáveis - Deus pode restaurar o faltoso tanto de uma fraqueza quanto da outra - mas que não podemos nunca ser condescendentes com o pecado, seja na carne ou nas palavras.