terça-feira, 21 de novembro de 2017

Calvinistas de Grife


É fato que uma roupa pode dar uma impressão muito errada a respeito de uma pessoa. Lembro-me de um roubo à uma joalheria em que os bandidos entraram trajando ternos caros. Os funcionários não desconfiaram da intenção daqueles homens até que anunciaram o assalto. Essa camuflagem de panos já era utilizada nos dias de Jesus pelos fariseus, pois que, ao alongarem as franjas de suas túnicas, transpareciam mais santidade que os demais mortais. Mesmo muito antes disso, nossos pais no paraíso acreditaram que remendos de folhas poderiam esconder o seu verdadeiro caráter.
Nesses casos em que nos referimos literalmente às roupas, é mais fácil descobrir que a indumentária de uma pessoa muitas vezes não corresponde ao seu verdadeiro eu. Alguém que se veste bem não é necessariamente uma pessoa de bem, e vice-versa. Mas alguns, de maneira mais sutil, vestem-se de um discurso que pode muito bem lhes conferir uma aparência conveniente ao ambiente onde se encontram, mas isso, todavia, não confere com o que realmente são.
No tempo do seminário eu percebia alguns colegas com um discurso calvinista engajado. Eram entusiastas no ambiente acadêmico, na frente dos professores. Mas, no convívio do dia-a-dia, esses mesmos colegas revelavam-se na prática avessos à teologia Reformada. Muitos encobriam suas tendências pentecostais, outros mostravam-se incrédulos quanto a Providência divina. Para estes, o Calvinismo é apenas uma grife que possibilita sua inclusão entre os reformados, como se fosse uma marca muito apreciada, e necessária para sua aceitação. Contudo, essa mesma marca não lhes caia bem.
Previ que a maioria destes, ao saírem do seminário para seus respectivos ministérios, se despiriam daquela grife ao verem-se livres em suas igrejas. Como alguém que chega em casa e quer por tudo ficar bem à vontade, longe dos olhos dos professores e colegas, eles poderiam trajar a teologia que bem lhes parecesse. Mas, ainda assim, em ocasiões especias, a grife John Calvin seria tirada do guarda roupas teológico, e mais uma vez lhes conferiria uma aparência muito diferente do que são ou creem.
No último ano do seminário, conversando com um pastor que chegava ao nosso presbitério falamos sobre predestinação, eleição, Calvino e outros assuntos que empolgariam qualquer reformado. Apesar daquele impressionante primeiro contato, ao longo do tempo que esteve em nosso presbitério, o que se revelou a seu respeito é que ele podeira ser tudo na vida, menos calvinista. No discurso livre, é fácil sustentar conceitos circunstancialmente convenientes, mas na lida do ministério; no púlpito ou nos aconselhamentos, frente à decisões conciliares, é que as pessoas revelam quem são e no que creem de verdade.
Os Calvinistas de Grife revelam sua incompatibilidade com a teologia Reformada não meramente porque negam a soberania e a graça de Deus na salvação. Os que assim o fazem, são simplesmente arminianos. Os que negam a segurança eterna da salvação dos eleitos, o quinto ponto da Tulip, chamo-os de Calvinistas de quatro patas, e também não me refirmo a estes aqui. Mas muitos que conservam parte da soteriologia calvinista, contudo não aplicam-na à eclesiologia. Esses, ao meu ver, revelam-se embusteiros fardados de Reformados.
Mesmo adotando um discurso onde se afirme a soberania de Deus na salvação do homem, o que se vê em alguns casos é uma incongruência entre mensagem e formato. Se cremos que Deus soberanamente salva os seus eleitos, devemos crer também que Ele o faz pelos meios estabelecidos em sua Palavra, a saber que "a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus" (Romanos 10.17). Ao colocar em segundo plano a exposição bíblica, recorrendo à logística humana das mais variadas, evidencia-se que Deus não é tão soberano assim, e que precisa da criatividade dos homens para alcançar seus propósitos sobre a sua Igreja. Como se diz "o formato da mensagem já é uma mensagem em si".
Aqueles que pretenderam "ajudar" Deus como se tivesse necessidade de alguma coisa, não tiveram um final feliz. Penso eu que Nadabe e Abiú tinham boas intenções ao trazerem em seus incensários fogo estranho para o altar. Alguns versículos antes eles viram o fogo de Deus promovendo a Sua glória, trazendo júbilo e temor ao mesmo tempo sobre o povo. Na imaginação deles, com suas próprias mãos, podiam produzir o mesmo efeito, supostamente para glória de Deus. Mas Deus não divide a sua glória, e por isso foram fulminados.
Calvinistas de grife também não confiam na soberania de Deus quanto ao governo da Igreja. O sistema presbiteriano não corresponde meramente à uma forma de governo mais prática e segura quanto às decisões tomadas em conselho. Antes de tudo, significa a confiança na providência divina sobre todo e qualquer processo, mesmo quando as decisões tomadas não correspondem às nossas expectativas. Quando burlam o sistema através de manobras incompatíveis com a nossa Constituição (ainda que esta não seja inspirada, e que por meio do devido processo possa sofrer alterações), desconsideram o senhorio de Cristo sobre a sua Igreja. Usar de recursos irregulares nos processos eclesiásticos é o mesmo que desacreditar a doutrina da Providência. É pretender usurpar de Deus o domínio dele sobre todas as coisas. 
Um exemplo de algo aparentemente menos pretensioso aconteceu com Uzá quando a Arca da Aliança era trazida de volta (1 Crônicas 13.9,10). Apesar de se tratar de um carro novo, o transporte da Arca não foi feito conforme o prescrito na Palavra de Deus (Êxodo 25.12-15), e Uzá ao tocá-la mostrou-se irreverente para com a Santidade de Deus (Números 4.15). Seu reflexo, ainda que de forma não intencional, revelou sua falta de temor para com Deus, o que já esta latente na desobediência às instruções sobre o transporte da Arca.
Muitos tentam dar uma mãozinha para Deus como fez Uzá. Outros trazem fogo estranho para a Igreja como os filhos de Arão. Não me atenho ao chamado foro íntimo, pois deste cada um prestará contas a Deus. Como disse a respeito das personagens bíblicas supracitadas, creio que talvez não tivessem más intenções no que fizeram. Mas ainda assim, não foram poupadas em suas transgressões. Desta sorte, não julgo a intenção de quem quer que seja, mas a incoerência de um discurso Calvinista seguido por práticas que não levam a sério a soberania de Deus. Se Ele atenta às mínimas coisas, aos fios de cabelo de uma pessoa, aos pardais que quase nenhum valor tinham (Lucas 12.6,7), como pode alguém pretender saber mais que Ele. A coerência para com Deus é confiarmos em sua Palavra, e em sua providência, nunca lançando mão de recursos escusos. Assim como Ele disse, assim Ele fará.
Os homens podem ser enganados pela aparência, por pouco ou muito tempo. Podem ser induzidos por discursos carregados de assertivas verdadeiras, mas desacompanhadas de posturas e condutas coerentes com a verdade. Uma vez que SENHOR atenta ao coração (1 Samuel 16.7), aqueles que acreditam que podem enganar os demais com um verniz de teologia Reformada deveriam temer e tremer em sua presença. Ainda que não vejamos hoje o juízo de Deus manifestar-se como com Uzá, Nadabe e Abiú, certamente Deus não deixará passar impune aqueles que maculam sua Noiva e obscurecem sua glória. Os fariseus, com seus largos filactérios e longas franjas, usavam a Lei para sua própria Glória, e não foram condenados por Jesus por aquilo que diziam, e sim pela incongruência de vida (Mateus 23.3). As folhas cerzidas por nossos pais não puderam encobrir o pecado aos olhos de Deus. Fora necessário que o Senhor provesse para eles vestes de peles de animais. Assim, ou confiamos cabalmente em Deus, em sua Palavra e Providência, ou nos enganamos a nós mesmos, e certamente não seremos tidos por inocentes. 
         

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Castelo Forte é nosso Deus... e... A Força do homem nada faz

Uma das colocações mais notáveis do Dr. Martinho Lutero, a qual sempre recorro nesta ocasião do Dia da Reforma Protestante é a seguinte:

Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; não fiz nada. E então, enquanto eu dormia, ou bebia cerveja de Wittenberg com meu Felipe e meu Amsdorf, a Palavra enfraqueceu tão intensamente o papado que nenhum príncipe ou imperador jamais fez estrago assim. Não fiz nada. A Palavra fez tudo. (grifo meu)

Hoje, quando 500 anos se passaram desde que as 95 teses foram fixadas às portas da Igreja do Castelo de Wittenberg, faz-se necessário considerar a essência da Reforma Protestante. Muitas coisas excelentes afluíram com e a partir da Reforma. O mundo foi agraciado com uma nova perspectiva política, social e econômica que tornou melhor a vida das pessoas. Mas a Reforma, antes de qualquer reformulação externa da sociedade, é o entendimento de que "A força do homem nada faz/ sozinho está perdido/ Mas nosso Deus socorro traz/ em seu Filho escolhido".
Toda luta interna de Lutero para aplacar a ira do Deus Justo, mostrou-se ineficaz. Ainda que não pagando com moedas pelo perdão divino, o antigo monge agostiniano aplicava a sua própria carne as penitências que ao seu ver podiam redimir sua dívida. Mas quando Romanos 1.17 se destravou em sua mente, quando Verdade conhecida o libertou, viu-se salvo pela graça, justificado pela fé.
Devemos olhar sempre para o âmago da Reforma, para que não retrocedermos em seu propósito. Se não compreendermos que o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo o que crê, a revelação da justiça de Deus para ser concebida e vivida pela fé, nos conformaremos à tudo quanto a Reforma se opôs.
Ressaltando mais uma vez o que propôs Lutero em termos práticos, chegamos às seguintes palavras: "Se você perguntar a um cristão qual é a sua tarefa e por que ele é digno do nome cristão, não pode haver nenhuma outra resposta senão que ele ouve a Palavra de Deus, isto é, a fé. Os ouvidos são os únicos órgãos do cristão". Eis a razão de se dizer: "A Palavra fez tudo".


As citações feitas aqui encontram-se na obra Teologia do Reformadores, de Timothy George, no capítulo 3 "Ansiando pela Graça: Martinho Lutero, bem como no hino Castelo Forte.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Pedofilia - do discurso à prática


A mídia recentemente tem direcionado sua atenção para vários casos relacionados ao tema pedofilia, bem como denúncias de abuso sexual de crianças e mulheres em vias e transportes públicos. A repercussão dos museus de arte, tanto na amostra Santander no Rio Grande do Sul, bem como no MAM em São Paulo, parece até mesmo orquestrada com um propósito maior. Não sou adepto de teorias da conspiração, mas também não acredito na coincidências desses acontecimentos. Como as coisas tendem sempre a piorar, como que em uma corrente do mal, em Paris o museu d'Orsay traz uma amostra onde o apelo publicitário é para que as crianças sejam ali levadas para ver gente nua.
Paralelamente aos debates iniciados sobre essas pretensas questões artísticas, no mundo real notícias sobre casos de abusos sexuais e ataques à mulheres e crianças em transportes e vias públicas repercutem todos os dias. Um menino deixado pelos pais em um presídio na cela de um estuprador "amigo" da família. e uma menina assediada em um ônibus na presença de outros passageiros são manchetes que ainda chocam as pessoas hoje em dia. Ainda que em circunstâncias distintas entre o "debate" e "realidade" literalmente nua e "crua", estamos falando de questões entrelaçadas, ou seja, a exposição e viabilização do sexo às crianças. Isso é novo? Isso é despretensioso?
É fato que que a sexualização de crianças não começou recentemente. Eu fui criança e adolescente nos anos 1980 e 1990 e sei que naqueles dias tudo isso foi tolerado e visto de uma forma mais "inocente" pela sociedade. Havia pouca polarização quanto à essas questões, pois mesmo já existindo a militância favorável às liberdades sexuais, sua agenda não era abertamente apresentada. Minha geração cresceu assistindo a Xuxa com suas roupas minúsculas de manhã, e filmes eróticos de madrugada. Antes da internet, pornografia era um material comprometedor, difícil de se adquirir. Era necessário se expor pessoalmente indo a uma banca de revistas ou locadora de filmes. Mas, com o advento da internet tudo isso mudou radicalmente.
Desde o final do século passado, o acesso à pornografia já não dependia mais de algum estabelecimento comercial fora de casa. O consumo dessa droga virtual passou a acontecer com toda liberdade e privacidade possível no recesso de um quarto fechado. Essas condições favoráveis ao pecado tornaram-se nas duas últimas décadas uma silenciosa e imensurável pandemia entre crianças e adolescentes que hoje, já adultos, sofrem em maior ou menor grau com as sequelas dessa maldição em suas vidas. Uma sociedade ativa e passiva quanto aos abusos sexuais propostos e praticados é o produto dessa panela de pressão sexual em que fomos cozidos nesses últimos anos.
Assim, não é despretensiosa toda essa suposta "arte", psicologia, ciência e políticas públicas favoráveis a sexualização das crianças. Há muito a mente dessa geração foi sendo fertilizada com pornografia, apresentada inicialmente como "entretenimento" apenas. Mas agora, o que antes era um passatempo promíscuo, vadiagem, revelou-se a plataforma para a perversão sexual de toda sociedade em teses científicas e teorias comportamentais. E além da mera teoria, na prática, aqueles que protagonizam casos de abuso sexual, seja em público ou não, são evidentemente consumidores vorazes de pornografia.
Nesse cenário maior, a pornografia é um rio de escórias do qual a sociedade atual vem bebendo a largos sorvos. Alguns direto da fonte, outros pelo encanamento. A exposição a ela não se dá apenas em sites ou materiais explicitamente voltados para o seu fim, mas na própria mídia em geral, especialmente no marketing. Os males que decorrem desse consumo voluntário ou involuntário é a frouxidão moral que se vê em parte dessa sociedade. A pretensão orquestrada de se contaminar a próxima geração de forma mais substancial e patente é de fazer sucumbir completamente qualquer conceito do que verdadeiro, justo e santo. Os assédios e abusos sexuais que hoje ainda são repudiados pela maioria, tendem a serem aceitáveis no futuro.
A essa altura do campeonato não teremos êxito nessa luta medindo forças em questões de ordem filosóficas simplesmente. O mero debate de ideias é inútil enquanto a outra parte incuba a imoralidade de anos, sem se dar conta disso. Sua cosmovisão hedonista busca hoje a legitimidade e seriedade que nunca lhe foram outorgadas no século passado. É necessária uma voz profética que chama de pecado a transgressão da Lei, de imoralidade o que transgride a boa conduta, de impiedade tudo que se opõe ao Criador e sua criação. Não me refiro com isso um ataque irrefletido, irracional, mas a denúncia da real dimensão do problema, que já se enraizou no coração das pessoas, e já se espalhou pelo globo. O que não podemos permitir é que o discurso aparentemente filosófico seja desassociado das práticas noticiadas que por enquanto ainda causam indignação. Para que a prática seja refreada, a teoria tem que ser denunciada e combatida. O machado precisa ser posto à raiz, e não meramente nos galhos.

terça-feira, 25 de julho de 2017

A sementinha do mal


Muitas pessoas ficam perplexas com o fato de que crianças pecam. Falo de crianças pequenas, que mal sabem falar ou andar. "Como seria possível uma criaturinha tão nova, inexperiente, ser capaz de fazer o mal"? A dúvida a esse respeito brota da falta de compreensão sobre a condição pecaminosa em que se encontram não apenas as crianças, mas a humanidade como um todo. Para muitos o pecado provém e é alimentado em uma fonte externa ao ser humano, que o corrompe processualmente. Seria como dizer que as pessoas aprendem a fazer o mal. Ou, em outras palavras, a corrupção dos homens advém da prática do pecado. Todavia, as Escrituras nos ensinam justamente o contrário: é a prática pecaminosa que procede da corrupção previamente imputada nos homens desde a Queda.
Quando Davi confessa seu pecado no Salmo 51, ele frisa o fato de que "nasceu na iniquidade, e em pecado foi concebido por sua mãe". Nesta passagem (v.5), o rei não nos diz que o ato sexual de seus pais no qual foi fecundado era algo pecaminoso. Ele simplesmente reafirma com outras palavras o que disse no versículo 3 "o meu pecado está sempre diante de mim". Davi sabia que era pecador desde o ventre de sua mãe, e que ao nascer, mesmo sem ainda ter praticado pecado algum, já era um ser iníquo. Ele não aprenderia o pecado com outras pessoas, apenas manifestaria o que já estava nele desde sua concepção. Esse é o legado de nossos pais, o fútil procedimento que marca a humanidade (1 Pedro 1.18).
Mas a ideia corrente entre a maioria das pessoas é do pecado como algo concebido fora, como que tendo raízes externas a nós mesmos. Esse pensamento serve como justificativa de si ou daqueles que amamos. É mais palatável terceirizarmos a responsabilidade das nossas transgressões para outras pessoas ou circunstâncias. "A mulher que me deste.. ela me deu dá árvore, e eu comi" foi a confissão parelhada do homem quando questionado pelo Criador sobre sua desobediência pela qual entrou o pecado no mundo (Gênesis 3.12). Antes de admitir o que fez, com uma cajadada só acusou Deus e seu esposa. Eva também seguiu os passos de seu marido, e lançou a culpa sobre a serpente. Nesse processo, no final, ninguém acaba sendo culpado, pois tudo passa a ser circunstancial para cada um.
Se as coisas fossem realmente assim, poderiam seguir a receita dos fariseus quanto no tratamento contra o pecado. Bastaria limpar o exterior do copo, e tornar o sepulcro caiado" (Mateus 23.25-28). Contudo, não é assim que nos ensina a Palavra de Deus. Jesus deixa claro que "o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai" (Mateus 15.11). Para os fariseus, as imundícies que contaminam os homens encontram-se em alimentos ou objetos. Simples cerimonialismos, ou ritos externos, podiam purificar as pessoas. Mas o Senhor desloca essa perspectiva de objetos externos para a fonte real das mazelas humanas: o coração (Mateus 15.18). Esta sobre essa figura decantada em versos é terrivelmente enganoso (Jeremias 17.9). Mas o mundo por sua vez insiste em cantar "listen to your heart".
O coração é a parte mais íntima dos homens, o mais profundo do seu ser de onde procedem as fontes da vida (Provérbios 4.23). É a raiz da vida intelectual, volitiva e emocional, não podendo ser separado de nada que pensamos, desejamos ou estimamos. Em suma, nele as pessoas são o que de fato são, é a verdadeira essência de quem somos, é a aparência de Dorian Gray escondida em seu retrato, conforme a obra de Oscar Wilde.
Enquanto Jesus lista os pecados como frutos que brotam do coração, temos a tendência de sempre depositá-los na conta de outros, na qual somos, por assim dizer, meros beneficiários. Esse foi o argumento usado por Eduardo Cunha quando quis justificar sua offshore na Suíça. Sendo sinceras, ao falar de seus pecados, as pessoas poderiam lançar a campanha #SomostodosEduardoCunha. Sempre que não reconhecemo-nos cabalmente responsáveis por nossos pecados, procedemos como qualquer bandido que se vale de manobras jurídicas espúrias para justificar seus crimes. São as "folhas de figueiras" herdadas de nossos pais do Éden. 
É preciso compreender que quando lançamos uma semente no solo, a árvore que esta para germinar não provém da terra, nem da chuva que rega o solo, mas da semente. É verdade que estes elementos externos propiciam à semente condições necessárias para o desenvolvimento da planta, mas tão somente isso. Desta sorte, o que é externo ao coração do homem pode até ser propício ao pecado, mas não poderemos nos enganar pensando que poderemos enxertar a raiz do pecado em outro lugar quando tivermos que prestar contas de nossos atos. A ilustração que Lutero fazia dessa relação entre tentação e pecado serve bem para uma compreensão maior: Você pode não impedir que um pássaro pouse em sua cabeça, mas pode impedir que ali ele faça o seu ninho.
O entendimento verdadeiro da nossa condição pecaminosa não simplesmente informa, mas aponta a transformação que realmente necessitamos. Quando reconhecemos que o mal está, antes de tudo, em nós mesmos, reconhecemos também que o antídoto vem de fora, e precisa, antede mais nada, ser aplicado em nosso coração. Não adianta blindar a "boca contra o que é impuro" quando no coração encontram-se todo tipo de imundície. A purificação não se achará em nós mesmos, em algum tipo de reeducação moral disposta em uma receita farisaica. A raiz do mal é por demais profunda, está muito além do nosso alcance para arrancá-la. É necessário nascer de novo!
Aquele que venceu a morte é quem tem o poder de nos dar Vida Nova. Não é a primeira infância que torna puro o ser humano, e sim a segunda. É crendo que no sacrifício de Jesus que contemplamos o poder pelo qual somos libertos da escravidão do pecado. Mas esse é o tipo de conhecimento também nos humilha, pois lança por terra a terceirização do pecado e, consequentemente, a bondade intrínseca que imaginamos ter. É tão somente quando nos damos conta do quanto realmente estamos perdidos, do quão profunda foi a nossa queda, que admitimos que somente o Filho de Deus pode nos alcançar. É quando reconhecemos o quão pecadores somos, sem terceirizar nossa culpa, é que também reconhecemos naquele que é Santo o poder para nos fazer crianças do seu Reino, concebidas não em pecado, mas no poder do Espírito que nos santifica.

sábado, 24 de junho de 2017

Como caem os valentes!

Alfred E. Neuman disse que "devemos aprender com os erros dos outros, pois não teremos tempo de cometê-los todos". A Bíblia narra inúmeros erros cometidos pelo povo de Deus, que, segundo Paulo, devem servir de exemplo e advertência para a Igreja desde os seus dias até hoje (1 Coríntios 10.6,11). Esse é um caso que podemos aplicar ao rei Saul.
Ao mesmo tempo trágica e irônica, a derrocada do primeiro rei de Israel adverte-nos quanto a rebeldia e obstinação. Saul desobedeceu as ordens de Deus quanto a sentença de morte ao rei Amaleque e os amalequitas (1 Samuel 15). Desta desobediência veio a sentença de Deus sobre sobre o seu reinado nos seguintes termos: "...a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei". (v.23). Esse era o começo do seu fim.
Ali foi posto o machado na raiz do seu trono, mas só muitos anos depois viria sua ruína final. Já no capítulo 28, cercado pelos filisteus, sendo Samuel já morto, Saul não tinha de Deus nenhuma resposta às suas consultas. Tomado de medo, e sem saber o que fazer, tornou literalmente sua rebelião e obstinação em pecados de feitiçaria e idolatria (1 Samuel 28.8-19). Ele buscou uma médium para consultar o espírito de Samuel a fim de obter direção do profeta morto. Polêmicas a parte sobre a real identidade do espírito que ali se manifestou*, a temática central do texto é a desolação em que se encontrava o rei de Israel frente a sua iminente destruição. Em seu louco desespero, se permitiu àquilo que condenou (v.3,9-10; Romanos 14.22).
Mas sua consulta à "mesa branca" não obteve o resultado esperado. O espírito não lhe deu orientação alguma, apenas mais uma vez lembrou-o da sentença que lhe proferiu no passado, e que, dentro em pouco, tornaria-se o seu presente. Em outras palavras, não havia direção futura para o rei Saul, apenas sua morte e o fim de sua dinastia. O rei literalmente caiu ao chão sem forças para se levantar. Quando conseguiu recobrar as forças com o pão feito pela médium, saiu envolto nas trevas da noite. Dentro em pouco Saul não estaria mais entre os vivos.
Em nenhum momento Saul buscou a Deus quebrantado por causa de seus pecados. Sua relação com o SENHOR era puramente utilitária. Seu sofrimento não era acompanhado de quebrantamento. Isso se evidencia pelo fato de chegar ao cúmulo de consultar os mortos, em obvia desobediência a Palavra de Deus.
A experiência de Saul deve trazer temor e tremor aos nossos corações quanto a maneira como buscamos a Deus. Fazer de Deus um talismã, como os filhos de Eli fizeram com a Arca da Aliança no início do livro (1 Samuel 4.1-5) certamente não passará impune aos olhos do SENHOR. Acharmos que Deus está subjugado às nossas pretensões, planos ou metas, e nos voltarmos a Ele apenas para que nos direcione, sem que nos quebrantemos primeiro, é achar que Deus é como qualquer outro ídolo pagão, manipulável, que pode ser comprado com oferendas. Saul foi feiticeiro antes de ir a casa da médium. Foi idólatra se invocar o nome de nenhum outro deus dos povos vizinhos. Também nós podemos nos encontrar sujeitos a esses pecados sem nos afastarmos do "arraial de nossas igrejas", sem necessariamente abraçarmos o espiritismo. Basta confundirmos obstinação com perseverança. A obstinação dá-se ao que é estabelecido por nós em nosso próprio coração. A perseverança é obediência a vontade de Deus expressa em sua Palavra, e isso requer de nós fé.
Davi, como Saul, pecou contra Deus ao longo de seu reinado. Alguns pecados de Davi poderiam ser considerados até mais escandalosos que o de seu antecessor. Mas Davi, sendo homem segundo o coração de Deus, quebrantava-se diante do verdadeiro Rei, e se humilhava dispondo-se em sua mãos, nunca agindo com manipulação. Nos humilhemos diante de Deus, e nos submetamos a sua vontade e não a nossa, fazendo coro com o Salmo 138.8...
O que a mim me concerne o SENHOR levará a bom termo;
a tua misericórdia, ó SENHOR, dura para sempre;
não desampares as obras de tuas mãos.

(*) Sou da posição de que o espírito invocado pela médium nessa passagem bíblica é de fato Samuel. Compartilho dos mesmos argumentos que o Rev. Augustus Nicodemus, que se encontram nesse link. Contudo, não faço da minha interpretação uma bandeira, não faço essa afirmação com a mesma certeza que tenho quanto a outras passagens bíblicas (Confissão de Fé de Westminster cap. I.7). Apenas entendo que o ponto principal dessa passagem é o juízo de Deus sobre Saul.

sábado, 29 de abril de 2017

Rebelde sem causa (justa)

Desta maneira fazia Absalão a todo Israel que vinha ao rei para juízo e,
assim, ele furtava o coração dos homens de Israel.
2 Samuel 15. 6

Absalão, filho de Davi, depois que voltou do "exílio" da presença de seu pai (2 Samuel 14.28), passou a apresentar-se na porta de Jerusalém com a pompa de um rei (2 Samuel 15.1, conf. 1 Samuel 8.11). Ali, de maneira prática, deu-se início ao seu projeto de usurpar o trono de seu pai. Ele roubava o coração dos homens fazendo parecer que seria um juiz mais justo que seu pai, o rei (2 Samuel 15.6).
É fato que Davi pecou tanto como pai quanto como rei. Seu pecado registrado em "caixa alta" nas Escrituras não se restringiria apenas ao seu adultério com Bate-Seba e, consequentemente, ao assassinato de Urias. Sua falta de trato com seus filhos em meio as sucessivas tragédias ocorridas em sua casa, apresentam um homem duplamente omisso. Tamar, filha de Davi, foi estuprada por Amnom, seu meio-irmão, e Davi nada fez a esse respeito (2 Samuel 13.21). Absalão, irmão de Tamar matou Amnom em vingança por sua irmã, e Davi nada fez eficazmente a respeito (2 Samuel 13.39; 14.21-24, 33). É preciso lembrar que estas tragédias na casa de Davi eram juízo de Deus sobre ele por causa dos pecados descritos: A espada jamais se apartará da tua casa (2 Samuel 12.10).
Por esses motivos Absalão achava-se no direito de tirar o trono de seu pai. Talvez, num misto de vingança pessoal, e de uma pretensa justiça social, o filho do rei achava-se a pessoa mais indicada naquele momento para o trono de Israel. Mas, apesar dos pesares, Davi era o ungido de Deus e não Absalão.
Não quero dizer com isso que Davi tinha licença para matar ou adulterar. O juízo que sucedeu ao seus pecados nos prova que não. O que digo nesse caso, conforme as palavras do próprio Davi quanto a Saul, seu antecessor, é que o juízo que deveria cair sobre o rei cabia a Deus aplicar (1 Samuel 26.9-11). Saul havia pecado contra o Senhor, e procurava tirar a vida de Davi, por saber que Deus o havia escolhido para reinar. Apesar de poder argumentar legítima defesa, e de que também era ungido do Senhor, Davi sabia que a vingança pertencia ao Deus, e por isso não pretendia ser mais justo que Ele.
Absalão não havia sido ungido por Deus para reinar. Ele tinha uma crise doméstica como motivo para procurar tomar o lugar de seu pai. E ainda que essa crise entre pai e filhos fosse seríssima, não justificava um golpe de estado. O que ele não entendia a essa altura do campeonato, é que era tão pecador quanto Davi e Amnom. Em seu curriculum vitae poderemos encontrar o assassinato de seu irmão, e o estupro das concubinas de seu pai, que também configurava adúltero. Essa "maldição familiar" Absalão trouxe sobre si, a violência e o adultério. Mas em sua "justiça" (Isaías 64.6), Absalão não se reconhecia pecador, ao passo que Davi, tão pecador quanto seu filho, reconhecia seu próprio pecado (2 Samuel 12.13).
Vejo na história familiar do rei Davi, algo maior do que uma crise entre pai e filho, ou de Estado. Há uma rebeldia da parte de Absalão contra o próprio Deus. Primeiro quando tenta tomar a justiça em suas mãos. Segundo quando não se reconhece pecador, mas, mais justo que o próprio Deus. Davi era rei em Israel, o ungido do SENHOR naquele dias. A rebelião de Absalão era então contra o próprio Deus. Desta mesma sorte, sempre que nos nos achamos suficientemente justos em nós mesmos, necessariamente desprezamos a justiça de Deus em seu Ungido Filho Jesus. Ele, o Rei do reis, a quem Davi tipificava, é muitas vez objeto da ira dos ímpios, que não reconhecem nele autoridade para governar suas vidas. Davi era pecador, mas a razão maior da revolta de Absalão era se achar mais digno que seu pai. Jesus nunca pecou, e seu trono é maior do que o de Davi. Sua justiça nos humilha, e nos conclama a confiar em Deus, nos submetendo a Ele. Não sejamos pois loucos como Absalão, acreditando que podemos tomar o trono do Senhor do Universo, e governarmos nossa própria vida, ou até mesmo o mundo ao nosso redor. A despeito de toda injustiça que nos cerca, não somos melhores que ninguém. Creiamos na justiça de Deus, e nos submetamos ao Justo Juiz, que reina nos céus e na terra, e é quem pode nos redimir de todo pecado, e nos dá a viva esperança em seu reino de paz.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O Caminho até o lugar que Deus plantou no coração dos homens

“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente. E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado”. Gênesis 2. 7,8

Existem lugares por onde passamos, ou que desejamos ir, que nos parecem a solução de todos os nossos problemas. Talvez uma praia paradisíaca, uma casa no campo, ou simplesmente qualquer outro lugar diferente de onde estou agora soa como um lugar perfeito. É como se ali pudéssemos viver o nosso particular “Felizes Eternamente”.
Sou afeito ao mar, às praias de areias brancas com vento e sol. Não posso negar que morar em uma cidade a beira mar, com essas especificações é uma ideia que me atrai. Minhas férias são sempre programadas pensando nesse tipo de itinerário. As vezes tenho a impressão que morar em um lugar assim, “perfeito”, resolveria todos os problemas da vida. Ledo engano.
Essa trapaça do nosso coração começa a ser desmascarada quando olhamos sinceramente para a história. Via de regra, a maioria dos problemas do onde estamos, não brotam do lugar em si, mas das pessoas. É verdade que existem regiões inóspitas no mundo, mas todos os lugares humanamente habitáveis no planeta têm problemas, mesmo aqueles considerados paradisíacos. Isso demonstra que o problema maior não está meramente no “onde”, mas em “quem”.
Deus fez o homem “muito bom” (Gênesis 1.31), e o lugar onde plantou um jardim para que este morasse chamava-se Éden, que quer dizer “delícia ou prazer”. Neste lugar, Deus empregou o homem para cultivar e guardar o jardim (Gênesis 2.15). Também lhe deu a mulher, sua auxiliadora necessária. Eis um homem perfeito em um lugar perfeito, ambos criados pelo próprio Deus, que mais poderia dar errado?
Alguém teria dito que foi aí onde o “trem descarrilhou”. Mas para contrapor essa insensatez é bom lembrar o quão terrível é estar desempregado e sozinho. As catástrofes da história humana não são na maior parte do tempo culpa de nada, nem de ninguém além do próprio homem. Vejamos como as Escrituras nos provam isso.
Deus institui uma aliança com o homem, na qual, diante de tudo que já lhe havia concedido, lhe requeria tão somente a obediência quanto a não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2.17). Um pouco antes, somos também informados da existência da árvore da vida plantada no meio do jardim (Gênesis 2.9). Mais uma vez, alguém pode dizer que Deus não precisava provar a obediência do homem, que isso foi algo mesquinho da parte do Criador. Eu respondo a essa insensatez dizendo que na verdade Deus não precisava sequer criar o homem, quanto mais cerca-lo de todas as delícias imagináveis como o fez. Deus não tinha obrigação de nenhuma para com o homem, mas, ainda assim, bondosamente, o fez habitar em lugar esplêndido, ocupado ao lado daquela a quem declarou ser “osso dos seus ossos e carne de sua carne”. Deus não devia nada ao homem, mas lhe concedeu tudo que desejamos até hoje. Quanto pagaríamos por uma vida assim? Uma fruta poderia valer mais do que tudo isso?
O homem simplesmente devia obedecer a Deus, mas não o fez. Achou-se mais digno que Ele. Pensou que o Criador não era, afinal de contas, tão benevolente assim, pois tinha alguma “carta escondida na manga” (não, não estou dizendo que a fruta em questão era uma manga). Apesar de perfeito, o homem provou-se não tão perfeito quanto deveria ser. A desobediência demonstrou que seu amor por Deus não era tão grande quanto a estima exagerada por si mesmo. Desprezou tudo que o SENHOR Deus lhe havia concedido em troca de uma ideia fixa de que podia ser feliz por seus próprios caminhos (que na verdade eram os de Satanás). Tamanha traição não podia ficar impune. Qualquer um de nós, traídos em condições semelhantes, dificilmente perdoaríamos. A morte enquanto paga para o pecado não era nada mais do que o justo.
Deus não deixou de executar o termo da aliança que dizia que o pecado seria a ocasião da morte entrar em cena no mundo. Nós somos aqueles que desde Adão criamos nossa própria destruição. Mesmo a própria criação, outrora boa, encontra-se corrompida por causa do nosso pecado. Não há lugar onde podemos esconder-nos de nós mesmos. E também não há lugar que possa escapar da nossa presença devastadora. Somos pessoas imperfeitas em um lugar imperfeito, o que poderia dar certo?     
A história poderia ter terminado aí, com num final trágico de uma crônica que começou perfeita. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou...” (Efésios 2.4) traz uma reviravolta nesse enredo. Ao mesmo tempo que Ele fez cair sobre os homens e a criação a maldição por causa do pecado, também anunciou que o descendente da mulher é quem venceria o Diabo, aquele que “contrabandeou” a morte para o Jardim do Éden (Gênesis 3.15, 17-18). Esse descendente da mulher é Jesus (Gálatas 4.4), e para que a morte ocasionada pelo pecado fosse morta, Ele morreu na cruz por nossos pecados. Ele sorveu a maldição da quebra da Aliança feita com Adão, consumiu em sua carne a ira de Deus sobre os nossos pecados. E ainda, em nosso lugar, foi perfeitamente obediente, como nosso pai Adão deveria ser. O mesmo Deus que na Criação nos concedeu todas as coisas, agora, depois de traído, na Redenção nos restaura todas as coisas e ainda mais. Quem poderia amar como Ele?
Jesus disse “na casa de meu Pai há muitas moradas...”, e que iria preparar-nos lugar (João 14.2). Agora, mais do antes no Jardim do Éden, o SENHOR Deus nos prepara um lugar junto do Pai. Esse é o lugar que desejamos no nosso mais íntimo, onde poderemos viver longe de todas as mazelas que nos infernizam por dentro e por fora. Não encontraremos paz em uma praia paradisíaca, ou em uma casa no campo. Não está em ninguém e em nenhum lugar desse mundo o prazer que buscamos. Como quem sente saudade do que nunca conheceu, Deus plantou no coração do homem o desejo pelo prazer nunca experimentado, o verdadeiro prazer só pode ser descoberto quando provamos do fruto da árvore da vida, que é Cristo. Desde o Princípio Ele estava lá para deixar claro que nunca seria por nossos pais, ou por nós mesmos o caminho para a mais perfeita comunhão com Deus. Essa árvore da vida que foi cercada depois da Queda, para que o homem não tivesse vida eterna (Gênesis 3. 22-24) agora é novamente acessível pela fé em Jesus Cristo.   
Assim, uma vez aperfeiçoados naquele que é perfeito, em um lugar perfeito, junto a outros que também foram aperfeiçoados, viveremos eternamente no paraíso melhor do que aquele perdido por nossos pais. No novo céu e nova terra (Apocalipse 21.1), temos o lugar que, preparado pelo SENHOR Deus, é objeto do desejo do nosso coração pelo que é perfeito. Para chegar lá, o único caminho é conhecido, chama-se Jesus, o Filho de Deus. Creia nele, e tenha a vida eterna.