terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O Caminho até o lugar que Deus plantou no coração dos homens

“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente. E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado”. Gênesis 2. 7,8

Existem lugares por onde passamos, ou que desejamos ir, que nos parecem a solução de todos os nossos problemas. Talvez uma praia paradisíaca, uma casa no campo, ou simplesmente qualquer outro lugar diferente de onde estou agora soa como um lugar perfeito. É como se ali pudéssemos viver o nosso particular “Felizes Eternamente”.
Sou afeito ao mar, às praias de areias brancas com vento e sol. Não posso negar que morar em uma cidade a beira mar, com essas especificações é uma ideia que me atrai. Minhas férias são sempre programadas pensando nesse tipo de itinerário. As vezes tenho a impressão que morar em um lugar assim, “perfeito”, resolveria todos os problemas da vida. Ledo engano.
Essa trapaça do nosso coração começa a ser desmascarada quando olhamos sinceramente para a história. Via de regra, a maioria dos problemas do onde estamos, não brotam do lugar em si, mas das pessoas. É verdade que existem regiões inóspitas no mundo, mas todos os lugares humanamente habitáveis no planeta têm problemas, mesmo aqueles considerados paradisíacos. Isso demonstra que o problema maior não está meramente no “onde”, mas em “quem”.
Deus fez o homem “muito bom” (Gênesis 1.31), e o lugar onde plantou um jardim para que este morasse chamava-se Éden, que quer dizer “delícia ou prazer”. Neste lugar, Deus empregou o homem para cultivar e guardar o jardim (Gênesis 2.15). Também lhe deu a mulher, sua auxiliadora necessária. Eis um homem perfeito em um lugar perfeito, ambos criados pelo próprio Deus, que mais poderia dar errado?
Alguém teria dito que foi aí onde o “trem descarrilhou”. Mas para contrapor essa insensatez é bom lembrar o quão terrível é estar desempregado e sozinho. As catástrofes da história humana não são na maior parte do tempo culpa de nada, nem de ninguém além do próprio homem. Vejamos como as Escrituras nos provam isso.
Deus institui uma aliança com o homem, na qual, diante de tudo que já lhe havia concedido, lhe requeria tão somente a obediência quanto a não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2.17). Um pouco antes, somos também informados da existência da árvore da vida plantada no meio do jardim (Gênesis 2.9). Mais uma vez, alguém pode dizer que Deus não precisava provar a obediência do homem, que isso foi algo mesquinho da parte do Criador. Eu respondo a essa insensatez dizendo que na verdade Deus não precisava sequer criar o homem, quanto mais cerca-lo de todas as delícias imagináveis como o fez. Deus não tinha obrigação de nenhuma para com o homem, mas, ainda assim, bondosamente, o fez habitar em lugar esplêndido, ocupado ao lado daquela a quem declarou ser “osso dos seus ossos e carne de sua carne”. Deus não devia nada ao homem, mas lhe concedeu tudo que desejamos até hoje. Quanto pagaríamos por uma vida assim? Uma fruta poderia valer mais do que tudo isso?
O homem simplesmente devia obedecer a Deus, mas não o fez. Achou-se mais digno que Ele. Pensou que o Criador não era, afinal de contas, tão benevolente assim, pois tinha alguma “carta escondida na manga” (não, não estou dizendo que a fruta em questão era uma manga). Apesar de perfeito, o homem provou-se não tão perfeito quanto deveria ser. A desobediência demonstrou que seu amor por Deus não era tão grande quanto a estima exagerada por si mesmo. Desprezou tudo que o SENHOR Deus lhe havia concedido em troca de uma ideia fixa de que podia ser feliz por seus próprios caminhos (que na verdade eram os de Satanás). Tamanha traição não podia ficar impune. Qualquer um de nós, traídos em condições semelhantes, dificilmente perdoaríamos. A morte enquanto paga para o pecado não era nada mais do que o justo.
Deus não deixou de executar o termo da aliança que dizia que o pecado seria a ocasião da morte entrar em cena no mundo. Nós somos aqueles que desde Adão criamos nossa própria destruição. Mesmo a própria criação, outrora boa, encontra-se corrompida por causa do nosso pecado. Não há lugar onde podemos esconder-nos de nós mesmos. E também não há lugar que possa escapar da nossa presença devastadora. Somos pessoas imperfeitas em um lugar imperfeito, o que poderia dar certo?     
A história poderia ter terminado aí, com num final trágico de uma crônica que começou perfeita. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou...” (Efésios 2.4) traz uma reviravolta nesse enredo. Ao mesmo tempo que Ele fez cair sobre os homens e a criação a maldição por causa do pecado, também anunciou que o descendente da mulher é quem venceria o Diabo, aquele que “contrabandeou” a morte para o Jardim do Éden (Gênesis 3.15, 17-18). Esse descendente da mulher é Jesus (Gálatas 4.4), e para que a morte ocasionada pelo pecado fosse morta, Ele morreu na cruz por nossos pecados. Ele sorveu a maldição da quebra da Aliança feita com Adão, consumiu em sua carne a ira de Deus sobre os nossos pecados. E ainda, em nosso lugar, foi perfeitamente obediente, como nosso pai Adão deveria ser. O mesmo Deus que na Criação nos concedeu todas as coisas, agora, depois de traído, na Redenção nos restaura todas as coisas e ainda mais. Quem poderia amar como Ele?
Jesus disse “na casa de meu Pai há muitas moradas...”, e que iria preparar-nos lugar (João 14.2). Agora, mais do antes no Jardim do Éden, o SENHOR Deus nos prepara um lugar junto do Pai. Esse é o lugar que desejamos no nosso mais íntimo, onde poderemos viver longe de todas as mazelas que nos infernizam por dentro e por fora. Não encontraremos paz em uma praia paradisíaca, ou em uma casa no campo. Não está em ninguém e em nenhum lugar desse mundo o prazer que buscamos. Como quem sente saudade do que nunca conheceu, Deus plantou no coração do homem o desejo pelo prazer nunca experimentado, o verdadeiro prazer só pode ser descoberto quando provamos do fruto da árvore da vida, que é Cristo. Desde o Princípio Ele estava lá para deixar claro que nunca seria por nossos pais, ou por nós mesmos o caminho para a mais perfeita comunhão com Deus. Essa árvore da vida que foi cercada depois da Queda, para que o homem não tivesse vida eterna (Gênesis 3. 22-24) agora é novamente acessível pela fé em Jesus Cristo.   
Assim, uma vez aperfeiçoados naquele que é perfeito, em um lugar perfeito, junto a outros que também foram aperfeiçoados, viveremos eternamente no paraíso melhor do que aquele perdido por nossos pais. No novo céu e nova terra (Apocalipse 21.1), temos o lugar que, preparado pelo SENHOR Deus, é objeto do desejo do nosso coração pelo que é perfeito. Para chegar lá, o único caminho é conhecido, chama-se Jesus, o Filho de Deus. Creia nele, e tenha a vida eterna.

  

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