quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Calvinistas, Eleitos e Predestinados


Voltando a falar sobre predestinação, soberania de Deus, eleição, calvinistas, arminianos, etc...

Honey Leão, um amigo dos tempos do seminário, disse certa feita que até para crer na predestinação é preciso ser predestinado. Concordo! Só isso explica como alguém, mesmo já tendo nascido de novo, e sendo conhecedor da Palavra, desconsidera o axioma da soberania divina. Deus é o que é, e por ser assim, soberanamente determina e sustenta todas as coisas segundo a sua justa, santa e perfeita vontade. Ainda que não entendamos seus propósitos, e por vezes venhamos (inconscientemente ou não) duvidar de sua sabedoria no curso da história, somos chamados para sermos justos pela fé. Mas, como diria Herbert Viana, fé em que? Fé na justiça daquele que faz todas as coisas com retidão segundo o conselho de sua vontade (Efésio 1.11).

A soberania de Deus não é apenas a base para a predestinação, mas de toda amplitude da vida humana e da existência cósmica. Negar a soberania divina na salvação, pela lógica implica em nega-la na criação. Ou seja, como em meio a sua criação, soberanamente Ele decidiu chamar a existência um ser a sua imagem e semelhança, muitos séculos depois, Ele mesmo chamou este ser de volta a sua condição de original para a qual foi criado. E não só ao homem, mas também a toda a sua criação, uma vez criada e posteriormente por Ele amaldiçoada, chamou de volta ao estado de perfeição. Desta feita, não é por acaso que a Nova Criação e a Criação estão tão intimamente ligadas a soberania de Deus que nos concede a vida: E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas (Ap. 5). Ele fez a primeira vez, sem consulta ou auxilio externo algum, e da mesma forma o faz na segunda.

Todavia, quero ainda deixar bem claro que o fato de se crer na predestinação não significa ser necessariamente salvo. Ou seja, não podemos alicerçar a eleição sobre o conhecimento humano. O fato de se crer na predestinação é consequência da obra do Espírito conduzindo o eleito por toda a verdade, e não uma condição para que o mesmo seja guiado a mesma. Crer na predestinação deve ser uma das consequências da eleição e nunca a sua causa. A eleição é fundamentada unica e exclusivamente no amor de Deus (Efésios 1.4). Este é o limite do que podemos concluir, que Deus nos escolheu em amor. Talvez nunca chegaremos além desta verdade, mas creio que ela é suficiente para que sejamos eternamente gratos.

Muitos que se proclamam calvinista não entrarão no reino dos céus. Particularmente eu nem chamaria estes tais de calvinistas, uma vez que existe uma designação para eles: hipercalvinistas. Algumas pessoas dizem crer na soberania de Deus, mas desprezam completamente a responsabilidade humana. É imprescindível que aqueles que assimilam a graça manifesta no excelso amor de Deus que nos elegeu, igualmente reconheçam a necessidade de se submeterem a vontade soberana para suas vidas. Assim como Deus cumpre sobre a vida dos eleitos sua vontade de salvá-los, Ele também cumprirá nos mesmos a sua vontade de santificá-los, e a isso demanda de submissão. Na obra Soberania Banida, Wright deixa claro que Deus determina tanto os fins quanto os meios. Dentre esses meios, podemos incluir a obediência do homem ao que Deus determina em sua Palavra. Uma dessas determinações é que aqueles que foram alcançados pela graça salvífica preguem essa mesma dádiva amorosa a fim de que a mesma venha atingir outros eleitos.

Finalmente, é bom esclarecer que se crer na predestinação não é condição para ser um eleito, logo, nem todos os eleitos crerão na predestinação. Mesmo alguns que não aceitam a bíblica doutrina da eleição entrarão sim no reino. Apesar de crerem que em alguma medida fora dada uma "ajudinha" para graça de Deus salva-los, fato é que o amor de Deus cobre essa ideia arrogante. Se a graça se respaldasse sobre o quanto compreendemos a Palavra de Deus, ninguém seria salvo, e já a graça não seria graça e sim mérito. Por mais que um verdadeiro calvinista possa ter uma visão mais nítida da Palavra de Deus, respaldada na fé sobre a soberania divina, este nunca poderá exaurir ou responder infalivelmente a todos os questionamentos que existem ou que possam surgir. Por mais ou por menos que um calvinista possa conhecer a Bíblia, ele nunca poderia se dizer se intitular como tal se acreditasse que seu conhecimento pode exercer algum peso sobre a graça. Aos cada um dos eleitos será dada uma medida de conhecimento, mas a todos é necessário o dom da fé (Efésio 2.8).

Conta a história que George Whitefield foi duramente atacado por seu amigo Jonh Wesley por ser calvinista. Quando perguntado se no céu veria Wesley, Whitefield respondeu que não, pois o amigo arminiano estaria tão perto do trono de Deus que ele, distante como imaginava que estaria, não o poderia ver. Essa resposta não foi hipócrita e nem irônica, pois o grande pregador calvinista pediu que o amigo arminiano pregasse em seu funeral, o que de fato aconteceu. Creio que segundo a graça, tanto George quanto John estão hoje na presença de Deus, assim como estarão todos aqueles que Ele, em amor, soberanamente elegeu.

3 comentários:

Mis. Alessandro Vieira disse...

Olá.
Gostei muito do seu blog.

e já tomei a liberdade de segui-lo.

se possivel de uma passadinha no meu blog: http://refletirteologico.blogspot.com

O PENSADOR disse...

Infelizmente, as questões envolvendo Wesley e Calvino dividem as igrejas ao meio!

Gostaria de estar errado, mas creio que temos perdido muito tempo procurando defender estes dois pensadores, cada um ao seu tempo.

Pois bem, fugindo completamente das questões que envolvem Wesley e Calvino segundo linha doutrinária, gostaria de contribuir com o último parágrafo da postagem!

Quanto as discordâncias entre Whitefield e Jonh Wesley, o que li a respeito foi que Whitefield pregava abertamente contra Wesley tendo em vista ter considerado o amigo, quase, um herege.

Consta,ainda, que no fim cada um fez o que era correto e pregou a palavra e pararam de brigas a esmo. Na realidade o referido livro, trata-se de uma biografia sobre a vida de Wesley ("Vida e Obra de Jonh Wesley"). A primeira vista pareceu-me uma obra livre de "endeusismos" pois demonstrou friamente os problemas de Wesley em suprir as necessidades familiares em detrimento da palavra, uma falha que lhe prejudicou o casamento...

Pois bem, pode ser que o livro não seja assim, tão livre de posicionamentos, uma vez que o referido parágrafo entra em conflito com a narrativa do livro! Na realidade, quem o saberá? No fim, só aqueles que participaram dos eventos ocorridos e Deus têm a ciência dos fatos conforme aconteceram.

No mais, estou conhecendo o seu blog hoje! Um abraço e fica com Deus.

P.S.: Um abraço de um carioca campineiro para um carioca cuiabano, ..., contudo, vascaíno não praticante, rs,...

Cristo Somente disse...

MARAVILHOSO POST!!! Gosto muito, também, do Charles H. Spurgeon!! Acho que a eleição é algo real e a soberania de Deus traz a existência ao evangelho. Grande Abraço! Deus continue te abençoando!