sábado, 16 de março de 2013

Dos males o menor? Não sei quem é pior.

As imagens e as palavras reproduzidas nesse vídeo são para quem tem estômago forte contra a idiotice. Volto em seguida.



O pastor que faz (e come) esse papelão é um tal Elvis Breves. Tenho para mim que deve estar seguindo os passos do tal Lucinho Barreto da Lagoinha, o "cheira Bíblia". Penso que esse tipo de esquisitice nem cabe comentário. Na falta de melancia para pendurar no pescoço vale esse tipo de bizarrice.
Mas a fala de Caio Fábio com essa imagem insana ao fundo, pode ser mais perniciosa. Falando resumidamente sobre esse senhor, posso dizer que foi meu ídolo quando adolescente. Sim, confesso que era "caiofabólotra" na década de 90. Sinto muito por sua queda, mas antes mesmo dela ser 
publicada, já achava estranho o seu livro Confissões do Pastor, onde eram visíveis claros indícios de soberba. Creio que as circunstâncias da publicação de seu pecado e acompanhamento disciplinar deu-se em uma esfera extremamente conturbada. Mas ao final de tudo, ou ainda em meio a tudo isso, o que era ruim tornou-se pior. Hoje um ser "ensimesmado", que xinga, fala palavrões e propõe um caminho de graça, que mais abriga o pecado que necessariamente o pecador arrependido. Em fim, sinto muito por tudo isso, mas não posso deixar de pontuar minha opinião sobre essa pessoa antes de tratar de sua fala.
Nesse vídeo, é usado como "texto base" o filme O Livro de Eli. Fala sobre os que querem a Bíblia como instrumento de poder e controle. Fala também dos que amam a Bíblia e lutam por ela, mas que não conhecem seu real significado, pois ficam apenas com sua forma (creio que me incluo nesse segundo grupo aos olhos dele). E finalmente dos que como ele já sabe separar forma e significado no conteúdo bíblico.
De fato algumas pessoas usam a Bíblia como instrumento de poder. Desde a Idade Média quando a ICAR afirmava que apenas os sacerdotes era aptos a interpretar a Bíblia, e que realizavam suas homilias em uma língua inacessível a maioria do povo, tinha-se sim, pela ocultação, um poder sobre as almas para deixá-las em trevas. Hoje isso ainda é praticado por muitos que as custas de uma cortina de fumaça, usam a Bíblia apenas em textos selecionados que convém aos apetites do coração enganoso do homem. Não se empreende uma leitura da Palavra como um todo, a fim de que Deus fale ao homem a respeito de sua real necessidade, a graça salvadora que nos conduz a fé e o arrependimento. Essa prática é bem caracterizada no neopentecostalismo, onde a seletividade da Palavra atende a expectativa de benção do "fiel". Mas não só de neopentecostal vive essa prática.
Caio se refere a um segundo e terceiro grupo, um na pessoa de Eli, o guerreiro, e outro no Eli que entrega o livro. Até mesmo para a interpretação do filme, isso é falacioso. Primeiro porque no filme, e espero que os que estão lendo já o tenham visto (não quero ser spoiler), Eli não mudou, mas apenas usou de estratégia, uma vez que mesmo abrindo mão do objeto livro (papel), não abriu mão da obra, seu conteúdo, uma vez que dita o texto ipsis litteris. Quando Caio fala em pessoas que são basicamente idólatras do livro, mas que não têm a Palavra no coração, é como se dissesse que estes desajustados são amantes do papel. Que o fato de reconhecerem as Escrituras enquanto inerrantes e infalíveis, os torna adoradores do Livro. Ele entende a Bíblia após Cristo deve sofrer uma seleção a partir da pessoa do próprio Jesus. Ele usa indevidamente João 5.39, como se ali o Mestre fizesse uma separação entre a prática do judeus de examinarem as Escrituras e o encontro com sua pessoa. Note o que diz o texto:
Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. 
Neste versículo, a incoerência não está em examir as Escrituras a fim de encontrar a vida eterna e o encontrar a Jesus. Na verdade, está é a verdadeira coerência, uma vez que as Escrituras testificam de sua pessoa. A incoerência segue no versículo seguinte, onde é dito:
Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.
A vida encontra-se em Jesus, é encontramos Jesus nas Escrituras. Portando, é coerente buscar a vida eterna nas Escrituras, mas ela só será achada quando Cristo é testificado nas Escrituras.
Sem sombra de dúvida a chave hermenêutica para toda a leitura bíblica é Jesus, mas isso não significa seletividade de textos. Pelo contrário, signfica que toda a Escritura, conforme Lucas 24.25-27; 44-47, só pode ser entendida a luz da pessoa de Jesus e sua obra. Todo o livro de Hebreus versa sobre isso. Paulo faz isso o tempo todo quando aponta para o novo homem, onde a lei não é banida, mas vivida pelo poder do Espírito que nos conduz a luz da Palavra.
Sim, a Escritura é a escola do Espírito Santo, diz Calvino, é nela, em toda ela, e tão somente nela, que nos é revelado o que é necessário saber a respeito de Cristo. O Espírito que inspirou seus autores, tanto no Antigo como no Novo Testamento, tinha essa designação de revelar o Cristo (João 15.26,27). E quando Jesus diz que a vida eterna pode ser encontrada nas Escrituras, ele está tão somente testificando isso a respeito de si.
Caio Fábio tem aberto sua artilharia raivosa contra a Bíblia de tempos pra cá. É natural, pois boa parte dela desaprova o que ele aprova. Para ele, apenas o que é dito a respeito da graça é válido, e tudo mais que pode ser denotado como lei é condenável. Mas não compreende, ou não quer compreender (João 5.40), que a Lei não é contrária a Graça: a Lei é Graça. Não tenho como me extender aqui a esse respeito, mas sugiro a leitura da obra do Dr. Mauro Meister Lei e Graça, sobre a qual ele versa nesse vídeo.
Um aspecto triste também da fala do Caio nesse video é a falta de originalidade. Assim como o Elvis copia a extravagância de Lucinho, que disse que já comeu a Bíblia também, o pastor pós-bíblico apenas emula a fala da neo-ortodoxia. Ele faz isso como se fosse o primeiro, o proponente original de uma nova leitura onde um cânon é criado dentro do Cânon. Mas, ainda mais ridículo, é que nesse sentido, ele também reproduz a prática que ele condena no primeiro grupo, ou seja, de tentar dominar as Escrituras pelo poder de um existencialismo que supostamente liberta as pessoas da Bíblia. Tanto o neo-ortodoxo quanto o neopentecostal encontram-se nos extremos da mesma ferradura, ambos trabalham para ocultar o que na Bíblia lhes é desconcertante. Portanto, só uma exposição e leitura integral da Palavra pode realmente ser confiável (Atos 20.27).
Enfim, equanto um idiota come a bíblia, literalmente, outro apóstata vomita a bíblica pelo amor a si mesmo.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Poderia ter sido diferente.


Falando sobre a entrevista no programa da Marília Gabriela desse domingo (03/02/2013), preciso dizer antes de tudo que é cansativo ter que comentar o que foi dito por Silas Malafaia. Mas as postagens de apoio, e e aclamação a essas bobagens na rede, me fazem considerar um apelo, uma reflexão bíblica sobre o que foi tratado ali (Judas 3). Quem sabe mostrar o quão diferente essa entrevista poderia ser se o entrevistado tivesse um direcionamento realmente bíblico.
O programa todo girou em torno de três assuntos basicamente: A fortuna do Malafaia divulgada pela Forbes, o homossexualismo e bem no fim um pouco a respeito de religião e política e da formação de pastores em sua igreja. Todos esses temas direcionados em uma perspectiva apologética poderiam servir ricamente a proclamação do evangelho, mas ele retratou mais a si, sua igreja e ministério, que a pessoa de Jesus e seu Reino. Que me lembro, apenas duas vezes mencionou o nome de Jesus.
Começando pela fortuna do Malafaia, a coisa já fica improcedente, uma vez que sua abordagem é de defesa de si, e não de uma apresentação da verdadeira prosperidade. Até entendo que a Forbes pode ter encorrido em crime por divulgar dados sigilosos, mas é patético que alguém que supostamente vive do evengelho tenha que explicar que ao invés de 300 milhões de reais, seu patrimônio é de 4 milhões. Também em outras palavras, acertadas diga-se de passagem, ele diz que alguém que vive da "credibilidade" de outros, com um fortuna nos montantes divulgados pela revista, deve ser ladrão. Nisso eu concordo, ele, Edir Macedo e os demais, são vendilhões do templo. Mas voltemos ao que proponho aqui. Numa realidade alternativa, onde Sila não fosse um milhonário, mas um verdadeiro pregador do evangelho, ele poderia tranquilamente abordar a verdadeira prosperidade bíblica, que nem é a que ele chama de teologia da prosperidade besteirol, e nem a que ele propaga, que nada mais é que uma variação um pouco menos irresponsável que a primeira. O verdadeiro tesouro que temos encontra-se no céu, na realidade do Reino (Mateus 6.19,20; 13.44-46). Observamos na Bíblia homens de Deus tanto ricos como pobres, mas que igualmente tinha toda sua esperança depositadas em Cristo (Hebreus 11). No Filho somos co-herdeiros de uma fortuna que não pode ser avaliada, nem se desvaloriza, nem roubada. Temos a vida eterna, que é a comunhão imperdível com o Pai. Somos já, em qualquer circunstância, as pessoas mais ricas desse mundo (2 Coríntios 8.9). Ele falou ainda sobre Deus como alguém que trabalha com recompensas, pisando a doutrinha da graça, mas isso pode ser assunto para um outro post.
Na abordagem seguinte, sobre o homossexualismo, ele até mantém um discurso aparentemente bíblico, quando fala do pecado. Mas o alcance é razo, uma vez que ele foca mais na questão social e política por trás de sua cruzada. Entendo que o que a militância gay esta fazendo é injsuto, mas a Palavra diz que nossa luta não é contra carne ou sangue (Efésios 6.12). Podemos até tratar destas questões num ambito político, mas o foco é mais abrangente que sociedade brasileira do século 21.  É preciso voltar os olhos para a Queda e toda sua repercussão na humanidade. A agumentação pautada na psicologia, onde talvez ele nade de braçada, também não pode ser a pedra angular, bem como questões de ordem biológica. Quando Marília Gabriela levantou a questão do homossexualismo entre os animais, Silas patinou e fugiu. Seria justamente ali que poderia mostrar que a Queda atingiu toda a criação, desestabilizando a ordem criada, demonstrando assim que todo esforço político e comportamental da agenda gay é no sentido contrário a natureza. Seria essa mais uma oportunidade de apresentar o Reino restaurado em Cristo, expor os textos que mostram que nEle as pessoas são tornadas nova criatura. Mas como o seu enfoque é em si, as Escrituras foram mais um vez usadas em prol de sua agenda de combate a militância homossexual, como numa queda de braço. A convicção da vitória de Cristo na cruz, e de seu Reino, certamente o lançaria não para uma tentativa de convencer as pessoas do quão injusta é essa militância gay (como qualquer outra fora do cristianismo), mas para a demonstração de que a restauração da ordem se encontra em Cristo e seu Reino.
No fim do programa, muito de passagem falou-se sobre a relação entre religião e política. Concordo também que como cidadãos desta pátria, como em qualquer outra, cristãos têm o direito e dever de participar da política de maneira ativa. Contudo, a forma mais eficaz de atuarmos na política não é pela força política, uma vez que o próprio Jesus não o fez (João 18.36). Como sal da terra e luz do mundo, os discípulos fazem boas obras na terra que glorificam o Pai nos céus (Mateus 5.13-16), e mais uma vez apontam para uma realidade que transcende a vida neste século. O impacto social e político que a igreja sempre teve de maneira positiva, deu-se pela proclamação verbal e prática da Palavra. Basta observarmos os efeitos dos primeiros cristãos no império antes de Constatino, e o efeito no mundo todo a partir da Reforma. Mas para alguém voltado para si, pesa o "aqui e agora" ao inés da eternidade, o prato de lentílha ao invés da primogenitura. Mais uma vez o Senhorio de Cristo e o seu Reino ficam de fora, e entra em cena o homem e o seu domínio linguistico e temporal.
Ao falar brevemente sobre a formação ministerial em sua igreja, deixou claro que a questão gira em torno do bem-estar de seus ministros, e que no "baratinho" tem que ter segundo grau e um curso de dois anos e meio de teologia. Em nada nos fez lembrar os textos de 1 Tomóteo e Tito 1.
No mais, como mencionei sobre as recompensas de Deus, muito mais poderia ser tratado, mas que não cabeira em um único post. Entendo que verdades foram ditas por Malafaia, mas creio que a serviço de si, e não da Verdade em si. Os fariseus e os escribas eram os mais próximos de Jesus teologicamente falando, e por vezes foram descritos como não estando longe do Reino (Marcos 12.34), mas nem por isso deviam ser seguidos, pois além de hipócritas, amavam a glória dos homens (Mateus 23.3-7). Malafaia é só mais um moderno fariseu, que deseja ostentar-se no meio da igreja como um Rabi, coberto de glória e ouro. Para tanto ele é capaz até mesmo de dizer a verdade, mas sempre como lhe convém.      

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O ensino proveitoso em meio ao sofrimento


É comum as pessoas pensarem que é possível aprender algo diretamente do sofrimento. Que a dificuldade pode aflorar algo de bom no ser humano, amadurecê-lo. Penso que há um equívoco nisso.
Aqueles que pensam que o sofrimento pode nos ensinar alguma coisa, desconsideram que "a força do homem nada faz, sozinho está perdido" - como afirma o hino Castelo Forte (Hinário Novo Cântico 155). De si mesmo, o máximo que alguém pode extrair no sofrimento é orgulho e raiva. O orgulho brota quando o indivíduo pensa que é capaz de superar sozinho o mal. Ele é entorpecido com a ideia de superação. Não quero dizer com isso que as pessoas devem manter-se inertes diante do sofrimento, sem esforço algum. Apenas constato a luta não deve ser solitária, pois ainda que haja triunfo sobre o sofrimento, o preço da soberba é alto. O orgulho, ou altivez, é acreditar de si mesmo mais do que realmente é, e nisso o ser humano é mestre. E nessa soberba, apenas promove sua ruína (Provérbios 16.18).
A raiva acompanha o orgulho, pois a pessoa se acha injustiçado em tais circunstâncias. Em outras palavras, questiona - como alguém tão bom, tão rico em qualidades, pode, ou tem que passar por tais mazelas? Aquele que pensa com orgulho, contestado com a realidade do sofrimento, acredita que esta sendo injustiçado pelas circunstâncias. Procura algo, ou alguém a quem dirigir sua ira, pois esse é o sentimento de justiça própria. Os outros, ou até mesmo Deus, devem ser culpados pelo que esta passando.
Assim, cruamente falando, do próprio homem que sofre, só se pode esperar um abismo maior que o sofrimento em si. Ele mergulha em seu ser no mesmo tipo de amor próprio que matou Narciso. É preciso enxergar-se em sua mazela com uma nítida visão daquilo que pode fazer. É daí que vem o aprendizado proveitoso em meio ao sofrimento, e este é obtido em humildade, quando visualizamos os dois opostos aos orgulho e a raiva.
É preciso quebrantar-se com a o fato de o homem não é intrinsecamente bom, mas que encontra-se na condição de pecador. O homem esta duplamente arruinado por causa do pecado: ao mesmo tempo que ele é incapaz de consertar o estrago do pecado, também está condenado nele. Ou seja, ao contrário do que faz pensar o orgulho, ele não pode livrar-se do mal, e sofre ainda as suas consequências. Por motivos diretos ou indiretos, o ser humano sempre sofre em função do pecado. Seja pelo que fez, ou o que outros fazem, ele colhe os abrolhos desta plantação desde o Éden, pela desobediência de nossos pais (Gênesis 3.17,18). Todo sofrimento na terra nos faz lembrar de que algo está fora da ordem, não está de acordo com a bondade infusa na criação (Gênesis 1.31). Assim, os filhos de Adão herdaram o sofrimento desestabilizador da ordem do cosmos. Esse reconhecimento contradiz o orgulho humano de achar-se o benfeitor da história.
O que resta fazer, uma vez que o homem esta arruinado no pecado? É então que humildemente nos voltamos a Deus, que é bom, e fez todas as coisas boas, no seu devido lugar. É reconhecendo no Criador o verdadeiro senso de bondade, e sua fonte, que se deve abandonar a "ególatria", o amor a si mesmo, e fugir em sua direção. É amando a Deus que podemos usufruir plenamente de sua bondade. É igualmente válido lembrar que não é porque o amamos que Ele nos ama, mas o contrário, pois em seu amor somos alcançados e libertos do maior de todos os sofrimentos nessa vida, a morte espiritual, a inimizade com Deus (Romanos 5.8; Efésios 2.1-4; 1 João 4.10). 
Deus é justo e bom, e a fonte de toda bondade. Se passamos por sofrimentos, aprendemos que sem Deus estamos perdidos, e somos os mais miseráveis seres da terra. Mas se nos humilharmos, e buscarmos consolo e força em Deus, venceremos. E pela fé sabemos que Ele não nos desampara, nem se nega a nós. Ele rejeita o soberbo, mas dá graça aos humildes (Tiago 4.6).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Toalha ungida ou poder no nome de Jesus


O texto de Atos 19. 11,12 poderia ser considerado uma pérola para a equipe de marketing da Igreja Mundial do Poder de Deus. Como leitura da Bíblia não é o forte dessa turma, penso que não descobriram esse texto, pois nunca vi Valdemiro Santiago mencionar essa passagem para justificar a "toalhinha sê tu uma benção". Nessa passagem somos informados que lenços e aventais do uso pessoal de Paulo eram usados como amuletos para curas e exorcismos. Como todo texto fora do contexto, seria muito fácil sustentar o fetiche praticado na IMPD e outras tantas  "igrejas concorrentes" que atribuem a qualquer objeto ungido poderes mágicos. Contudo, a Escritura interpreta-se a si mesma (CFW* 1.9), e por isso podemos ter o entedimento claro desta passagem.
Em Atos 19 encontramos Paulo chegando em Éfeso. Trata-se de um dos textos nevrálgicos a partir de Atos 1.8, quando Jesus disse que seus discípulos receberiam poder ao descer sobre eles o Espírito Santo, e que seriam suas testemunhas em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra. Observamos a ordem da concretização dessas palavras de Jesus em Jerusalém, no capítulo 2, em Samaria, no capítulo 8, e na Judéia, capítulo 10. Agora (19.1-7), Paulo chega a um grupo de discípulos que ainda não haviam ouvido sobre o Espírito, que simplesmente tinham sido batizados no batismo de João. Eles ouvem a respeito do verdadeiro intento do batismo de João, e consequentemente são batizados em nome de Jesus. Paulo impõe-lhes as mãos, e o Espírito vem sobre eles, falando em línguas e profetizando. Assim, em Atos 19 cumpri-se o último e definitivo "itinerário" do Espírito, a partir do qual os confins da terra seriam alcançados pelo testemunho de Cristo. Abrindo um parentese sobre esta passagem, é por isso que não necessitamos que o Espírito "venha como em Pentecostes", pois ao longo destes textos Ele já veio. Seu derramamento em Atos foi suficiente para o testemunho de Cristo até os confins da terra, e portanto, até hoje.
Mas voltando ao nosso ponto, Paulo continua ensinando em Éfeso, primeiro na sinagoga, por três meses, e depois em um lugar pertencente a um homem chamado Tirano (ou cognominado assim) por cerca de dois anos. O versículo 10 nos diz que isso "deu ensejo para que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus quanto gregos". O que segue daí no texto aconteceu dentro deste período de ensino, pelo qual o poder de Deus vinha sendo propagado mediante a pregação do evangelho. É dentro desse contexto que podemos entender tanto o episódio das toalhas, como também a surrada que os exorcistas levaram do demônio.
Primeiro somos informador que "Deus fazia, pelas mãos de Paulo, milagres extraordinários". Isso, como claramente diz o texto, é o que Deus fazia, por intermédio de Paulo. Agora, o fato de [outros] levarem lenço e toalhas de Paulo, para curar enfermos (e possessos), não quer dizer necessariamente que se tratava de algo promovido pelo apóstolo. Mas, ainda assim, não devemos admitir que as enfermidades e os espíritos malignos eram banidos em tais práticas? E agora José?
Devemos ter em mente que apesar destes sinais paralelos, não era ainda assim que Deus estava sendo glorificado. O pragmatismo correspondia a expectativa dos pagãos, acostumados a feitiçaria (v.19), não de Deus. O evento promovido por judeus exorcistas nos fazem enxergar melhor a coisa toda. É dito que os sete filhos de Ceva, um sumo sacerdote, praticavam exorcismo, e que resolveram usar o nome do "Jesus a quem Paulo pregava", para expelir um demônio. É interessante notar o fato de que Jesus era um nome comum na época, e que por isso aqueles exorcistas fizeram questão de "informar" o espírito maligno que não se tratava de qualquer Jesus, mas o de Paulo. É nítido que estes judeus não eram convertidos ao Senhorio de Jesus, mas que por supertição achavam que podiam usar aquele nome anunciado pelo apóstolo como se fosse um "Abracadabra". Apesar de não serem gentios, eram tão pagãos quantos eles. Achavam que podiam manipular uma palavra para o efeito sobrenatual desejado - o nome disso é feitiçaria. O demônio, que sabe muito bem quem é Jesus (Marcos 5.7), explica que também conhece Paulo, mas, que, eles não. E estes sete exorcistas são surrados e desmoralizados publicamente.
Este evento trouxe a tona naquela região, tanto para judeus como para gentios, que o entendimento deles a respeito do evangelho estava equivocado. O nome de Jesus foi engrandecido entre todos de forma pública. É dito que "muitos dos que creram vieram e confessando publicamente as suas próprias obras". Disto podemos deduzir que apesar de terem crido anteriormente, não haviam compreendido a fundo a santidade do nome de Jesus, de que não se tratava de um amoleto, ou mais uma divindade, e sim o SENHOR. O impacto se deu também sobre os feiticeiros, pois abandonaram completamente suas práticas místicas. As obras literárias de ocultismo foram queimadas expontaneamente, sem se importarem com o valor material que aquilo tinha. Ainda mais a frente, apartir do versículo 23, esse abandono das práticas pagãs traz prejuízo aos ouríves que produziam nichos para a deusa Diana. Em outras palavras, o nome de Jesus de fato desestabilizou o reino das trevas em Éfeso, reconfigurando até a economia local.
Pois bem, voltando ao entendimento sobre os lenços e toalhas de Paulo. Creio que tais práticas não correspondem ao que agrada a Deus, pois os sinais devem sempre servir para glória de Deus e não de homens. Ainda que tais objetos tenham de fato servido para curas e expelir demônios, isso não quer dizer que fosse essa a intensão de Deus para aquele povo. Apesar da iniciativa deles em usar tais objetos, na verdade era Deus quem os estava provando ali. Os sinais que Deus realizara através de Paulo apontava para si. Mas a reciclagem dos objetos de Paulo, dizia respeito a ele mesmo. Já não era mais Deus quem estava sendo glorificado entre aquela gente, mas o próprio Paulo, e sabemos que não por vontade própria (Atos 14.14-18).
Consequentemente, o nome de Jesus deve ser reverenciado. Certamente os sete judeus tinham ouvido falar de Jesus por meio de Paulo, mas achavam que se tratava de nome mágico, que podia ser usado para os seus próprios fins. Assim como Simão quis comprar o poder do Espírito (Atos 8.18,19), este exorcistas achavam que podiam tomar o nome de Jesus como um instrumento de trabalho. Aprenderam de forma vexatória que não se pode manipular esse Nome. O demônio, instrumentalizado por Deus nessa passagem, deixa claro que não se trata meramente da verbalização da palavra "Jesus", mas da autoridade que se encontra em sua pessoa, sendo que isso era o que Paulo pregava. Assim como os pagãos que usavam as tolhas de Paulo, eles pensavam que podiam usar o discurso de Paulo. Mas fico claro que o nome de Jesus diz respeito a sua pessoa e obra, cridos para a salvação, e não para qualquer uso pragmático.
O efeito final destes acontecimentos, ao contrário do que se podia esperar após o fracassado exorcismo, foi justamente a conversão verdadeira daquele povo, tanto judeus quanto gregos. O nome de Jesus foi compreendido no sentido exato do que representa, ou seja, seu Senhorio sobre todas as coisas. Eles publicaram seus pecados como reconhecimento de sua miserabilidade e santidade em Jesus. E também os feiticeiros abandonaram suas práticas abrindo mão de seus livros. Uma paráfrase quase perfeita seria como marinheios que aportados em uma terra estrangeira, e que queimam seus navios para nunca mais voltarem. Em suma, o nome de Jesus mudou suas vidas, pois é o único que tem poder para não somente curar ou libertar, mas dar vida, salvando-os da morte do pecado.
Em nossos dias o paganismo dentro das igrejas do evangelho fácil, na pregação dos pastores feiticeiros, tem-se feito o mesmo uso de toalhas e outros objetos ungidos, e do nome de Jesus. Curas e libertações têm sido publicadas em sessões de espiritismo "gospel". A glória tem sido atribuida a homens e não a Deus. O arrependimento não existe nos lábios daqueles que se dizem crentes. Certamente eles desconhecem o propósito dos sinais descritos na Bíblia, a glória de Deus e o verdadeiro poder no nome de Jesus. Não adoram a Deus verdadeiramente, e não se converteram de seus caminhos maus. Caso não se arrependam, chegará o dia em que não boca do demônio, mas do próprio Deus ouvirão: "Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade!" (Mateus 7.21-23)
(*) Confissão de Fé de Westminster.

sábado, 12 de janeiro de 2013

A Simplicidade do Poder de Deus


Creio que a maioria das pessoas conhecem a história do general assírio Naamã, descrita em 2 Reis 5. A cura de Naamã talvez seja um dos milagres mais famosos realizados por Eliseu. O próprio Senhor Jesus o menciona no Evangelho de Lucas. Sem dúvida, muitos pontos podem ser observados neste texto, mas gostaria de específicamente me focar nos versículos 9-14, e falar sobre a simplicidade que se pode encontrar na Palavra de Deus.

Naamã, que obviamente creu no que disse a sua jovem escrava, de que em Israel havia um homem de Deus que podia curá-lo, e agora estava na porta da casa do profeta para ser ali restaurado de sua lepra. O que se sucede antes de sua cura, é algo curioso, visto que demonstra que a fé de Naamã, ainda que convicta de que seria curado, não é ainda uma fé verdadeira, depositada na Palavra de Deus.

De fato, Eliseu não foi de todo receptivo para com o estrangeiro, tão somente enviou seu mensageiro para dizer-lhe que simplesmente se lavasse sete vezes no rio Jordão. Isso trouxe ira ao coração do assírio, pois não correspondia ao modus operandi que tinha em mente sobre o seu restabelecimento.
O general, certamente em seu paganismo, descreve sua espectativa como algo extravagante, teatral, estraordinário. Mas foi frustrado por uma ordem simples. Até mesmo seu patriotismo surgem quando compara os rios da Assíria com o Jordão, que diga-se de passagem, não era tão limpo. O texto nos faz pensar que ele já estava disposto a voltar para sua terra, remoendo sua indignação, quando foi convencido por seus subordinados que algo tão simples de se fazer não podia ser descartado, uma vez que algo mais difícil ele o faria.

O relato nos diz que ele fez consoante a palavra do homem de Deus e foi curidado de maneira estraordinária. Pois bem, dois pontos desejo ressaltar sobre essa cura. Creio que Naamã, como afirmei acima, não era um homem crente verdadeiro. Que apesar de ter sido instrumento de Deus para juízo sobre Israel, e ter acreditado nas palavras de sua escrava israelita sobre a cura pelo profeta, isso não fazia dele uma pessoa salva. Penso que conforme o texto descreve posteriormente, ele se converte ao Deus verdadeiro (v.15-19). Mas os pontos nessa passagem dentro do texto que desejo acentuar, podem dizer respeito tanto a crentes, como certamente refletem os incrédulos.

Aquele homem era simplesmente um pagão superticioso, que pela descrição que faz do processo que esperava em sua cura, imaginava que o Deus de Israel era simplesmente mais um dentro muitos, e que o profeta não passava de mais um curandeiro. Ele não duvidava do que esse Deus israelita podia fazer, ele apenas não sabia que Ele é o único. Sua mentalidade animista concebia um ritual voltado para si, ondo um deus invocado (domesticado) atenderia ao profeta e o curaria. Nada mais antropocêntrico do que esse domínio sobre uma divindade.

Mas ele foi frustrado a começar pelo fato de que o profeta não necessariamente o recebe, mas apenas dá ordens sobre o que deve fazer. Sendo estrangeiro em Israel, ele é colocado em seu devido lugar, apesar de politicamente estar em vantagem sobre Israel. Podiam ser mais ricos, e possuir rios mais limpos e aprazíveis aos olhos, mas em Israel havia profeta (v.8). Talvez além de sua jactância patriótica sobre os rios, também imaginava que neles haviam propriedade mágicas - talvez.

De qualquer forma, essa soberba é visível nos ímpios por vezes quando “buscam a Deus”. Quando rogam seu poder, mas que se acham e posição de domínio, e em condições vantajosas como o assírio pensava. Isso não é fé, mas apenas supertição. E ainda que Deus responda misericordiosamente alguma petição feita nessas condições, isso não significa salvação. Em João encontramos Jesus fazendo sinais a homens, o que necessariamente não eram acompanhados de fé verdadeira da parte destes (2.23-25; 6.24-27).

É triste é perceber que alguns que são (ou se dizem) crentes, imaginam que podem realmente determinar como Deus deve fazer algo. Começando pelo fato de achar que Deus sempre precisa curar, o que o próprio Senhor Jesus desemente quando menciona essa passagem em Lucas 4.27. A questão não está na fé de Naamã, mas na graça demonstrada para com ele, homem ímpio e egocêntrico. Jesus está justamente afirmando que a graça de Deus alcançoou até mesmo um estrangeiro pagão, o que deveria despir qualquer judeu de sua soberba nacionalista.

O que observo em seguida nessa passagem, obviamente relacionado a tudo isso, é que o sinal foi consoante a Palavra de Deus dada pelo profeta. Havia profeta em Israel, e isso não exalta a pessoa de Eliseu em si, mas ao fato de que Deus escolheu se revelar por intermédio daquele povo. Um povo naquele momento dominado pelos assírios, quebrado em suas forças humanas, mas ainda assim eleitos de Deus. Devemos nos ater a nossa humilde condição como "povo eleito" (1 Coríntios 1.26-29), e nunca sucumbir a soberba. É curioso ainda como Deus usa subalternos de Naamã para o convencerem pela lógica. Em outras palavras, já chegamos até aqui, o que custa submeter-se a algo tão simples. Se fosse algo extravagante ainda assim seria acatado, quanto mais alguns simples mergulhos. Devemos assim também ouvir o que é sensato, ainda que venha de alguém possa ser considerado mais simples.

Não se tratava de uma simpatia, nem de água milagrosa do Jordão como os saltimbancos da fé prometem na TV hoje em dia. Tratava-se do que Deus revelava ali a respeito de si, e que Naamã compreendeu claramente quando foi curado (v.15). Era a Palavra que o estava reestabelecendo, regenerando sua carne. É Deus quem pode remover a lepra não só da carne, mas também do coração, como nenhum outro deus o pode fazer. O instrumento para tanto é sua Palavra, que dada aos profetas, têm o poder de salvar. A importância do sinal está naquilo para onde aponta, e que sempre nas Escrituras é revelar o verdadeiro Deus. Nisto consiste nossa salvação, não meramente nas benecesses que podemos receber, como cura, ou a vitória em uma guerra, mas no fato de crermos no Deus criador e salvador.

Uma pessoa crente não pode perder de vista isso, que a Palavra é o instrumento de Deus para nossa salvação. E que esta palavra é simples (2 Coríntios 11.3). O evangelho é estremamente simples, pois nos fala de Deus que se fez homem, que em tudo foi obediente ao Pai, e que morreu na cruz em nosso lugar. Que Ele ainda ressuscitou e nos chama a crer nEle. É simples assim. Em nossa vida cristã, somos chamados a simplicidade pela leitura bíblica, a oração e a comunhão com os irmãos. O que há de tão difícil nisso? Apenas a dureza do nosso coração, como a de Naamã, que desejava sua cura por seus próprios métodos antropocêntricos. Somos chamados ao que é simples, que não depende de nós mesmos. Se fosse algo difícil, como muitos acreditam e o fazem, de nada adiantaria, pois fora da Palavra somos estrangeiros, estranhos a Promessa (Efésios 212).

Assim, a simplicidade do evangelho nos é apresentada pelo Filho do Homem, aquele que não somente era profeta, mas também a própria Palavra de Deus encarnada. Desta sorte, somos chamados a nos humilhar em obediência a Ele, para o que é simples, mas ao mesmo tempo, poderoso para nos salvar e restaurar-nos para sempre.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Natal é Jesus nascer no coração?


Tenho pensado na afirmação de que Natal é Jesus nascer em nossos corações. Eu mesmo já disse isso, e participei de uma cantata onde uma das músicas fazia esta colocação. Mas não seria isso algo semelhante a afirmação de Bultmann quando diz que a ressurreição de Jesus se deu no querigma, ou seja, na experiência subjetiva dos discípulos em sua proclamação? Creio que em parte não, mas também em parte sim.
Como disse, eu mesmo já me vali dessa afirmação para apontar a necessidade de conversão das pessoas diante da mensagem de que Jesus nasceu nesse mundo. Que o evento do Natal não pode ser apenas mais uma festividade de fim de calendário, mas uma realidade na vida das pessoas pelo milagre da regeneração. E com isso, nunca tive a pretensão de esvaziar a historicidade do Natal em função de algum tipo de subjetividade supersticiosa de fim de ano.
Mas, por outro lado, se deixamos de pregar o evento histórico, e suas implicações bíblicas, acabamos por subtrair a essência da mensagem natalina: a encarnação de Jesus, o fato de que veio ao mundo nascido de mulher, pela obra do Espírito Santo, para salvar seu povo dos seus pecados.
Sei que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, e não tenho nenhuma crise quanto a isso. Não vejo escândalo algum em separar um dia do ano para celebrar o fato de que o Filho de Deus veio a esse mundo em conformidade com o que as Escrituras dizem a esse respeito. Mas não posso fazer (como a mídia e o comércio o fazem) dessa data um dia místico no ano. E para isso é preciso afirmar não somente a necessidade individual de crer, como também aquilo em que se deve crer.
Portanto, não quero criticar o uso da expressão "nascer no coração", mas apontar a necessidade conjunta de se afirmar toda a história do nascimento de Jesus, pois do contrário, a fé não nos é outorgada (Romanos 10.17). Afirmar o "nascimento de Jesus nos corações" sem a mensagem bíblica por traz dessa obra regenerativa, é contribuir para a superstição que reina no pensamento moderno, é somar com a mensagem humanista de fim de ano de que o homem é intrinsecamente bom. Jesus só pode nascer no coração dos homens quando, pela obra regenerativa do Espírito, eles são levados a fé na Palavra de Deus que, nesse caso específico, descreve o evento histórico da encarnação do Messias anunciado no Antigo Testamento.
Que Deus nos ajude a sermos fiéis em sua proclamação (1 Coríntios 4.2).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Tropeços Mortais


O efeito devastador que escândalos podem causar nas igrejas e sociedade, pode ser comparado aos mortos em um guerra, e as mortes de crianças abortadas criminosamente. Por escândalos aqui, me refiro aos de dois tipos: morais e teológicos.
O escândalo moral, que geralmente se dá em áreas de ordem sexual, financeira e ainda vícios socialmente condenáveis, pode ter o mesmo efeito midiático de uma guerra. Ou seja, sua repercussão é maior, mais detalhada, e de um impacto mais intenso nas pessoas. Mas, não minimizando os horrores de uma guerra, ou desprezando sua malignidade, podemos dizer que os estragos ainda são menores se comparados aos números do aborto.
Falando em números, podemos tomar o parâmetro da Segunda Guerra Mundial, onde cerca de 60 milhões de pessoas foram mortas. A Segunda Guerra durou de 1939 a 1945, ou seja, 6 anos praticamente. O número de abortos por anos gira em torno de 46 a 55 milhões todos os anos. Em outras palavras, quase uma Segunda Guerra Mundial todos os anos em crianças mortas. Mais uma vez quero dizer que não estou desqualificando uma atrocidade em razão da outra, mas apenas demonstrar que apesar da gama das mortes  silenciosas de bebês, a visibilidade daquelas ocorridas em guerras é muito maior. Poderíamos discorres sobre os horrores de ambos os tipos de genocídios, mas não é esse o meu foco aqui.
Quero apenas demonstrar que os escândalos de ordem moral têm proeminência em sua repercussão, na atenção dispensada pela maioria. Seus efeitos são mais facilmente percebidos, e por isso podem causar maior impacto. A palavra  "escândalo" significa literalmente tropeçar em uma pedra, cair por sua causa. Um escândalo moral tem o poder de tornar mais evidente uma queda individual ou coletiva. Tanto o que praticou alguma imoralidade, quanto os que por causa desse ato de outrem, abandonaram a fé.
Mas o escândalo teológica, o abandono da ortodoxia em razão de ensinos e práticas heréticas, é como um veneno que mata aos pouco, silenciosamente. Apesar de estar estampado na cara de muitas denominações, publicado e proclamado por seus proprietários e falsos profetas, nada disso causa tanto impacto. O silêncio ao qual me refiro não é o de seus emissários, os quais tem o microfone nas mãos. Falo a respeito de serem poucas as vozes de contestação a mentira proferida de maneira perversa. Falo do consentimento dos que discordam, mas acham que se trata de um mal menor. Uma coisa não deveria sobrepor a outra, ambas precisam ser tratadas com firmeza bíblica. Tanto o jovem que adulterou com a madrasta (1 Coríntios 5.1-5), quanto os falsos mestres judaizantes (Gálatas 1.8), são tratados com dureza por Paulo.  
De uma forma ou de outra, pessoas mortas espiritualmente são segregadas da Verdade pelos escândalos. Sei que da parte de Deus, soberanamente aqueles que se escandalizam e abandonam a fé (no sentido da verdade bíblica revelada), é porque nunca foram crentes de fato (Hebreus 10.38, 39), nunca foram regenerados pelo Espírito para verem o Reino (João 3.3). Mas, de outra sorte, apesar de serem inevitáveis os escândalos, pesa sobre os que o produzem um ai terrível (Lucas 17.1,2). Devemos nos ater para ambos os escândalos com o entendimento de que são mortais, e igualmente intoleráveis. Não me refiro com isso a ideia de que são imperdoáveis - Deus pode restaurar o faltoso tanto de uma fraqueza quanto da outra - mas que não podemos nunca ser condescendentes com o pecado, seja na carne ou nas palavras.